Presidente afirmou que a prioridade de seu governo será investir pesadamente em ciência e tecnologia e na Defesa Nacional
Diante do aumento das tenções internacionais e de ameaças à soberania brasileira, o governo Lula tem tomado providências para fortalecer a defesa nacional. O próprio presidente tem alertado para o problema. Em discursos recentes, ele tem cobrado que o país possua drones para defender sua soberania.
Neste sentido, o Exército Brasileiro (EB) abriu concorrência para avaliar propostas para a aquisição de seus primeiros sistemas de munições remotamente pilotadas, popularmente conhecidos como drones kamikazes, que têm característica de ataque.
As iniciativas vão em sentido contrário ao comentário infeliz do ministro da Defesa do país, de que não haveria como o país se defender. O presidente Lula destacou, na convenção que o lançou na disputa pela reeleição, que o Brasil deve encontrar os recursos necessários – mesmo que fora dos limites impostos ao orçamento – para grandes projetos de Educação, Ciência e Tecnologia e Defesa.
O certame promovido pelo Exército para a aquisição dos drones faz parte da mudança que visa a modernização das capacidades das FFAA e também é reflexo das necessidades criadas exatamente com as tensões de ordem geopolítica elevadas, que acabam influenciando e intensificando esse processo.
Os drones que devem ser adquiridos pelo Exército têm uma característica ofensiva considerável, podendo atingir distâncias médias em comparação com equipamentos no âmbito da tecnologia militar moderna. Os drones podem atingir pelo menos 40 quilômetros de distância, que é uma distância média para artilharia moderna.
Especialistas avaliam que esses drones kamikazes revolucionaram os conflitos contemporâneos. Ele apontou que o uso estratégico dessas armas ganhou força ainda no conflito entre Armênia e Azerbaijão em Nagorno-Karabakh em 2020 e atingiu o ápice na guerra da Rússia contra a OTAN, na Ucrânia, além de marcar forte presença na agressão dos EUA e Israel ao Irã.
João Gabriel Burmann, professor da UniRitter e pesquisador do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o país já vem buscando investir em suas Forças Armadas há algum tempo e que isso pode fortalecer a produção nacional.
Há uma expectativa de que a renovação das FFAA beneficiem a indústria do país. O Brasil está perto de ter seu primeiro drone de combate. Produzido desde 2022 pela fabricante brasileira Xmobots, o drone de monitoramento Nauru 1000C terá sua primeira versão armada com dois mísseis.
Segundo o CEO da empresa, Giovani Amianti, a versão armada começou a ser desenvolvida em 2023. Os testes com o modelo estão previstos para começar em 2025. Se os testes forem bem-sucedidos, podem colocar o Brasil na vanguarda da produção de drones de combate.
Na opinião de Burmann, o país ainda não tem condições de produzir de forma autóctone e em escala um drone kamikaze com tecnologia totalmente nacional e, dessa forma, precisaria de uma joint venture (parceria) com empresas estrangeiras.
“O documento pede que [o drone] já tenha sido colocado em teste, exposto a combate e que possa já ser utilizado. O Brasil não quer protótipos. Acho difícil que uma empresa brasileira consiga sozinha cumprir todos os requisitos. É mais provável que sejam formadas joint ventures, ou seja, o edital acaba sendo mais um instrumento de cooperação internacional na área de defesa do Brasil”, afirmou o especialista.










