Bolsonaro distribuiu “mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de balas”. “Essa gente fala em segurança, mas quem é que ficou com essas 1 bilhão de balas? Foi o dono de casa ou o crime organizado?”, questionou o presidente em seu discurso
O presidente Lula afirmou, neste domingo (16), que o Brasil deve pensar no futuro e investir na industrialização para se tornar uma “grande nação”. Candidato à reeleição, ele defendeu a soberania na exploração e transformação das terras raras e minerais críticos.
O evento de lançamento da candidatura de Lula foi feito na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local simbólico das lutas dos metalúrgicos do ABC nas décadas de 1970 e 1980, onde Lula começou sua trajetória política.
Ele começou seu pronunciamento relembrando sua trajetória e as lutas que liderou nesse período.

“Nós vamos fazer desse país uma grande nação. Por isso, eu coloquei o [Geraldo] Alckmin como ministro da Indústria e Comércio, para criar a Nova Indústria Brasil, que teve investimento de quase R$ 800 bilhões para industrializar. Fazia anos que a indústria não crescia e nós crescemos em 3,4%”, declarou o presidente Lula no ato.
O discurso de Lula que deu a largada de sua candidatura à reeleição teve como tema central seu programa para o futuro do país e como transformar o Brasil em uma “grande nação”.
Segundo Lula, o tema das terras raras e dos minerais críticos está no centro desse debate. Prova disso é que as maiores potências do mundo, a China e os Estados Unidos, estão disputando esses minerais no mundo todo.
Lula afirmou que o Brasil precisa aproveitar esses minerais, cada vez mais importantes na economia global, para industrializar o Brasil com tecnologia de ponta.

“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar as coisas prontas deles. Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializá-lo aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza aqui”, disse.
“A gente não tem opção pela China, nem pelos EUA. O que queremos é colocar os nossos meninos e meninas para estudarem como vamos explorar esses minérios, como vamos transformá-los, como vamos produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas, tudo o que for produzido por minerais críticos e terras raras”, continuou.
“Ninguém vai explorar os nossos minerais críticos, nós é que vamos explorar, em benefício do povo brasileiro”, completou o presidente.
Em seu discurso, Lula criticou as pegadas da destruição deixadas por Jair Bolsonaro, que hoje é carregado por Flávio Bolsonaro. Ele lembrou que Jair dava “risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio” na pandemia e disse que o ex-presidente “é responsável pela morte de 400 mil pessoas na Covid-19 por atrasar a vacina”.
“Que futuro essas pessoas pensam para o Brasil, se dão risada de uma pessoa morrendo asfixiada pela Covid? Que futuro querem para o povo brasileiro se não investiram em educação, em saúde, em casas e em emprego?”, questionou Lula.
SEGURANÇA PÚBLICA
O presidente Lula ainda comentou que o governo de Jair Bolsonaro facilitou o acesso a armas de fogo e favoreceu o crime organizado. “Eles distribuíram mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de balas. Essa gente fala em segurança, mas quem é que ficou com essas 1 bilhão de balas? Foi o dono de casa ou o crime organizado?”, comentou.
Lula disse que no seu mandato a Polícia Federal tem buscado asfixiar o crime organizado desmontando seus esquemas financeiros e citou que, entre 2023 e 2026, foram apreendidos mais de R$ 35 bilhões.
“É pegando o dinheiro deles que nós vamos acabar com a indústria do crime sofisticado. É fácil matar o bandido na favela, mas o cara que manda está no apartamento de cobertura, está no condomínio. Nós precisamos acabar com esses para acabar com os de baixo”, declarou o presidente.

Além disso, Lula apontou que “investir em educação é muito mais barato do que na cadeia para prender essas pessoas” e o Estado brasileiro precisa buscar maneiras de evitar que os jovens entrem no crime.
Uma das formas citadas é ampliar o ensino em tempo integral, “para facilitar não somente a vida do estudante, mas a da mãe e do pai que podem trabalhar sabendo que o filho está estudando”.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e disse que, caso o texto passe no Congresso Nacional, vai criar o Ministério da Segurança Pública “para dividir responsabilidade com os Estados e municípios para a gente libertar o povo pobre prendendo todos os que acham que são donos de uma favela”.
Antes de Lula discursaram a primeira-dama Janja da Silva, Benedita da Silva, Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Marina Silva, Fernando Haddad, Nádia Campeão (PCdoB), a ministra Luciana Santos, os ex-ministros Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Paulo Pimenta (PT-RS).
Lula tem o apoio de PSB, PDT, Federação Fé Brasil (PT/PCdoB/PV) e Federação PSOL-REDE (PSOL/REDE).
BENEDITA E LUCIANA
Ao discursar, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos denunciou que “as ameaças são grandes”.
“Ou nós daremos um salto ainda maior na agenda de desenvolvimento, da justiça social, da democracia, da soberania nacional para que a gente se emancipe e supere a nossa dependência, ou nós vamos retroceder anos-luz”, advertiu a ministra.
“Temos que dizer em alto e bom som que não somos quintal de ninguém, queremos o Brasil cada vez mais forte e desenvolvido. Não queiram meter o nariz na história do nosso país, porque não queremos nenhum tipo de neocolonialismo”.
Luciana disse ainda que o desenvolvimento do Brasil está “atrelado à redução dos juros”.
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, declarou em seu discurso que as mulheres precisam “fazer cada vez mais e fazer a diferença”.
“É importante as mulheres estarem no Senado não apenas com o tema da mulher, mas com o tema do Brasil, da democracia, da liberdade para que o presidente Lula tenha alguém com coragem, determinação, força e energia para governar com as mulheres e para as mulheres”, destacou.










