“Vamos fazer desse país uma grande nação; investir na indústria e nos minerais críticos”, afirma Lula

Na manhã deste domingo, Lula reuniu milhares no estádio da Vila Euclides (Fotos: Reprodução - Youtube)

Bolsonaro distribuiu “mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de balas”. “Essa gente fala em segurança, mas quem é que ficou com essas 1 bilhão de balas? Foi o dono de casa ou o crime organizado?”, questionou o presidente em seu discurso

O presidente Lula afirmou, neste domingo (16), que o Brasil deve pensar no futuro e investir na industrialização para se tornar uma “grande nação”. Candidato à reeleição, ele defendeu a soberania na exploração e transformação das terras raras e minerais críticos.

O evento de lançamento da candidatura de Lula foi feito na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local simbólico das lutas dos metalúrgicos do ABC nas décadas de 1970 e 1980, onde Lula começou sua trajetória política.

Ele começou seu pronunciamento relembrando sua trajetória e as lutas que liderou nesse período.

Momento do encontro da campanha de Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

“Nós vamos fazer desse país uma grande nação. Por isso, eu coloquei o [Geraldo] Alckmin como ministro da Indústria e Comércio, para criar a Nova Indústria Brasil, que teve investimento de quase R$ 800 bilhões para industrializar. Fazia anos que a indústria não crescia e nós crescemos em 3,4%”, declarou o presidente Lula no ato.

O discurso de Lula que deu a largada de sua candidatura à reeleição teve como tema central seu programa para o futuro do país e como transformar o Brasil em uma “grande nação”.

Segundo Lula, o tema das terras raras e dos minerais críticos está no centro desse debate. Prova disso é que as maiores potências do mundo, a China e os Estados Unidos, estão disputando esses minerais no mundo todo.

Lula afirmou que o Brasil precisa aproveitar esses minerais, cada vez mais importantes na economia global, para industrializar o Brasil com tecnologia de ponta.

Presidente saúda a multidão (Foto: Ricardo Stuckert)

“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar as coisas prontas deles. Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializá-lo aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza aqui”, disse.

“A gente não tem opção pela China, nem pelos EUA. O que queremos é colocar os nossos meninos e meninas para estudarem como vamos explorar esses minérios, como vamos transformá-los, como vamos produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas, tudo o que for produzido por minerais críticos e terras raras”, continuou.

“Ninguém vai explorar os nossos minerais críticos, nós é que vamos explorar, em benefício do povo brasileiro”, completou o presidente.

Em seu discurso, Lula criticou as pegadas da destruição deixadas por Jair Bolsonaro, que hoje é carregado por Flávio Bolsonaro. Ele lembrou que Jair dava “risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio” na pandemia e disse que o ex-presidente “é responsável pela morte de 400 mil pessoas na Covid-19 por atrasar a vacina”.

“Que futuro essas pessoas pensam para o Brasil, se dão risada de uma pessoa morrendo asfixiada pela Covid? Que futuro querem para o povo brasileiro se não investiram em educação, em saúde, em casas e em emprego?”, questionou Lula.

SEGURANÇA PÚBLICA

O presidente Lula ainda comentou que o governo de Jair Bolsonaro facilitou o acesso a armas de fogo e favoreceu o crime organizado. “Eles distribuíram mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de balas. Essa gente fala em segurança, mas quem é que ficou com essas 1 bilhão de balas? Foi o dono de casa ou o crime organizado?”, comentou.

Lula disse que no seu mandato a Polícia Federal tem buscado asfixiar o crime organizado desmontando seus esquemas financeiros e citou que, entre 2023 e 2026, foram apreendidos mais de R$ 35 bilhões.

“É pegando o dinheiro deles que nós vamos acabar com a indústria do crime sofisticado. É fácil matar o bandido na favela, mas o cara que manda está no apartamento de cobertura, está no condomínio. Nós precisamos acabar com esses para acabar com os de baixo”, declarou o presidente.

Bandeira nacional no estádio (Foto: Ricardo Stuckert)

Além disso, Lula apontou que “investir em educação é muito mais barato do que na cadeia para prender essas pessoas” e o Estado brasileiro precisa buscar maneiras de evitar que os jovens entrem no crime.

Uma das formas citadas é ampliar o ensino em tempo integral, “para facilitar não somente a vida do estudante, mas a da mãe e do pai que podem trabalhar sabendo que o filho está estudando”.

Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e disse que, caso o texto passe no Congresso Nacional, vai criar o Ministério da Segurança Pública “para dividir responsabilidade com os Estados e municípios para a gente libertar o povo pobre prendendo todos os que acham que são donos de uma favela”.

Antes de Lula discursaram a primeira-dama Janja da Silva, Benedita da Silva, Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Marina Silva, Fernando Haddad, Nádia Campeão (PCdoB), a ministra Luciana Santos, os ex-ministros Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Paulo Pimenta (PT-RS).

O ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, contou que Lula “em todos os dias nos três mandatos, queria saber de quem precisava, de quem estava desassistido, da mãe que não tinha creche… Todo dia, era um assunto diferente”

Lula tem o apoio de PSB, PDT, Federação Fé Brasil (PT/PCdoB/PV) e Federação PSOL-REDE (PSOL/REDE).

BENEDITA E LUCIANA

Ao discursar, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos denunciou que “as ameaças são grandes”.

“Ou nós daremos um salto ainda maior na agenda de desenvolvimento, da justiça social, da democracia, da soberania nacional para que a gente se emancipe e supere a nossa dependência, ou nós vamos retroceder anos-luz”, advertiu a ministra.

“Temos que dizer em alto e bom som que não somos quintal de ninguém, queremos o Brasil cada vez mais forte e desenvolvido. Não queiram meter o nariz na história do nosso país, porque não queremos nenhum tipo de neocolonialismo”.

Luciana disse ainda que o desenvolvimento do Brasil está “atrelado à redução dos juros”.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, declarou em seu discurso que as mulheres precisam “fazer cada vez mais e fazer a diferença”.

“É importante as mulheres estarem no Senado não apenas com o tema da mulher, mas com o tema do Brasil, da democracia, da liberdade para que o presidente Lula tenha alguém com coragem, determinação, força e energia para governar com as mulheres e para as mulheres”, destacou.

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