Resistência heroica do Irã levou ao desespero os marinheiros. Porta-aviões estava sem comida, sem água potável e com várias tentativas de suicídio
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, que estava dando apoio à agressão dos EUA ao Irã, está voltando para casa após viver uma de suas maiores crises com falta de alimentos, descontrole total dos marinheiros, baixa moral e até tentativas de suicídios.
A embarcação, um porta-aviões nuclear da classe Nimitz com capacidade para 5.000 pessoas, capaz de transportar até 90 aeronaves e realizar mais de 100 missões de combate por dia em plena capacidade, partiu de San Diego no final de novembro. Atualmente, estava implantado há mais de 260 dias, incluindo mais de 200 dias consecutivos no mar – um período extraordinário para os padrões da Marinha.
O navio bateu um recorde no mar sem renovar a tripulação. Ele não tinha mais a menor condição de apoiar as operações de guerra dos EUA no Irã. As informações foram veiculadas em vários veículos de mídia na quinta-feira (20) citando autoridades norte-americanas.
Além disso, o navio passou grande parte desse tempo em ambiente de combate, com o Irã afirmando tê-lo atacado em diversas ocasiões. Mesmo com autoridades americanas insistindo que a companhia continua operacional, as dificuldades de uma campanha prolongada parecem estar cobrando seu preço.

O deslocamento do porta-aviões começou no final de novembro do ano passado e estava originalmente programado para terminar em maio, mas os revezes de Trump na agressão ao Irã obrigaram os EUA estender a sua permanência no palco da agressão militar dos EUA-Israel contra o Irã.
Sem condições de ser substituída, a embarcação agora detém um recorde moderno da Marinha dos EUA pelo período mais longo consecutivo e ininterrupto no mar, com cerca de 5.000 marinheiros e fuzileiros a bordo e mais de 260 dias passados em grande parte sem escalas em porto. A crise foi marcada por problemas de suprimento e manutenção, incluindo escassez de alimentos e suprimentos básicos, falta de água quente e potável, e problemas de encanamento.
Houve falta até de pasta de dente, desodorante e sabão, problemas com água quente e potável, vasos sanitários quebrados, lavanderias pouco confiáveis, interrupções no fornecimento de alimentos e atrasos no correio tão severos que alguns pacotes de cuidados teriam desaparecido no sistema por meses. Outros relatos descrevem mofo, encanamento com defeito e buracos desgastados em partes do convés de voo devido ao uso extensivo sem reparos adequados.
A situação gerou um grande desgaste político para Trump. As famílias dos membros da tripulação se alarmaram com o que descreveram como colapso do moral, esgotamento e problemas de saúde mental. Vários membros da tripulação teriam tentado pular ao mar. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, tentou sem sucesso abafar a situação mas foi obrigado a reconhecer na semana passada um “pequeno número de casos de saúde mental” a bordo que foram “tratados sem perda de vidas.”
Relatos sobre a crise motivaram pedidos pela demissão do Secretário de Guerra Pete Hegseth, que descartou as preocupações levantadas na mídia como “completamente deturpadas”. Na semana passada, o líder da minoria no Senado dos EUA, Chuck Schumer, disse que Hegseth “deve ser demitido imediatamente” devido à situação do USS Abraham Lincoln.
“Quando Pete Hegseth foi indicado, todo mundo sabia que ele era completamente incompetente. Agora nossos bravos marinheiros estão pagando o preço de uma forma horrível e inimaginável”, disse o líder democrata. Citando uma “fonte militar informada” não identificada, a agência de notícias iraniana Tasnim informou no início deste mês que sete membros da Marinha dos EUA foram mortos e vários outros ficaram feridos em um confronto violento a bordo do USS Abraham Lincoln.
Segundo o relatório, um assessor do CENTCOM, comandante Almirante Brad Cooper, embarcou no porta-aviões para responder a reclamações sobre o prolongado desdobramento, mas foi vaiado e atirado com garrafas de água antes que o confronto escalasse para uma briga de facas. O CENTCOM negou a alegação, afirmando que nenhum tripulante a bordo do porta-aviões havia morrido durante a guerra do Irã.










