Licitação de mais de 1200 casas para supremacistas fanáticos na Cisjordânia ocupada intenta impedir o estabelecimento de um Estado palestino com continuidade territorial e, portanto, atenta contra a Solução dos Dois Estados
A provocação desencadeada por Israel – a licitação de 1234 casas do assentamento colonial E1 na Cisjordânia ocupada – está sendo amplamente condenada no mundo inteiro, com mais de 30 países tendo expressado seu repúdio ao regime supremacista judaico, denunciando seu intento de dividir a Cisjordânia ocupada em duas, separá-la de Jerusalém ocupada e impedir o estabelecimento de um Estado palestino geograficamente contíguo.
E1 (Leste 1) ligaria Ma’ale Adumim e outros assentamentos israelenses ilegais a Jerusalém Oriental ocupada, efetivamente cortando a Cisjordânia em dois. Contra o esbulho, os ministros das Relações Exteriores do Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos na sexta-feira (21) exigiram “ação imediata para interromper o plano de assentamento E1”.
Na área declarada pela resolução 242 da ONU como ocupada desde 1967, à revelia da lei internacional Israel construiu cerca de 160 assentamentos ilegais, que abrigando 700 mil judeus, a maioria deles abertamente supremacistas e antipalestinos fanáticos.
3,3 milhões de palestinos vivem nessas áreas sem direitos, enquanto os 700 mil “colonos” invasores são vistos por Israel como seus cidadãos, de mesmos direitos de quem vive nas áreas de Israel reconhecidas internacionalmente.
Ao anunciar planos de construção em agosto de 2025, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, ele próprio um “colono”, isto é, um ladrão de terras palestinas, se gabou de que o novo assentamento enterraria a “ideia de um Estado palestino”.
A licitação também coincide com a campanha de pogroms em curso na Cisjordânia ocupada, executada pelas gangues de “colonos” sob escolta dos militares israelenses, que não esconde ter como meta anexar a região históricamente palestina e por isso a denominam com nomes bíblicos de “Judéia” e “Samaria”. A meta infernizar a vida dos palestinos até seu deslocamento forçado – isto é, cometer limpeza étnica.
Também o Brasil repudiou o edital de licitação das casas coloniais e exigiu que Israel suspenda imediatamente o projeto de assentamento E1. O Itamaraty ressaltou que a expansão de assentamentos desrespeita o direito internacional, a Resolução 2334 (2016) do Conselho de Segurança da ONU e o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça.
No início da semana passada, 15 países europeus – entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Noruega – emitiram declarações condenando a construção das novas unidades habitacionais E1. Também o Canadá se manifestou contra.
Em comunicado, a União Europeia afirmou que “os assentamentos israelenses na Cisjordânia, inclusive na área E1, são ilegais segundo o direito internacional”, convocando Tel Aviv a retirar a licitação, interromper o plano E1 e todos os outros projetos de expansão de assentamentos coloniais, e garantir responsabilização para os responsáveis pela violência dos colonos.
A UE reiterou, ainda, seu compromisso “com uma paz abrangente, justa e duradoura baseada na solução de dois Estados”.
Por sua vez, o novo ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, classificou a decisão de Israel de erguer o bloco de assentamentos E1 como “inaceitável e destrutiva”.
Rússia e China reiteradamente têm rechaçado a provocação do assentamento E1, istando Israel a suspendê-lo.
A organização israelense Paz Agora afirmou que a implementação dos planos de construção do E1 alteraria “fundamentalmente” o “caráter geográfico e estratégico da área ao separar o norte da Cisjordânia do sul e isolar Jerusalém Oriental.”
“Construir em E1 arruinará a possibilidade de chegar ao fim do conflito e a um acordo de paz baseado em dois Estados”, acrescentou à BBC.
Mais de 80% dos países da ONU, incluindo o Brasil, já reconhecem o Estado palestino, cujo território ainda está sob ocupação militar e colonização ‘civil’ israelense há quase seis décadas.
Em 19 de julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU emitiu um parecer consultivo histórico declarando que a ocupação israelense dos territórios palestinos é ilegal. O tribunal afirmou que Israel tem a obrigação de encerrar sua presença ilegal o mais rápido possível. Ordenou a interrupção imediata de qualquer nova atividade de colonização, bem como a evacuação de todos os colonos judeus dos territórios ocupados. E concluiu que Israel deve pagar reparações completas pelos danos causados aos palestinos em decorrência da ocupação.
Também se manifestou contra a agressão ao povo palestino a Relatora da ONU Francesca Albanese depois que circulou na internet vídeo de um idoso que tem a perna amputada ser agredido a pauladas por um desses colonos judeus. Para Albanese, chegou a hora de serem formados pelotões de capacetes azuis da ONU destinados a proteger os palestinos que residem milenarmente na Cisjordânia.
Veja vídeo:










