Brasil e Índia avançam nas relações comerciais

Ministro Márcio Elias acompanha a assinatura do memorando entre a ApexBrasil e a indústria indiana. (Foto: ApexBrasil/Divulgação)

Com ampliação da parceria, os dois países fortalecem os laços comerciais e o Brasil faz frente ao tarifaço imposto por Trump que vem prejudicando os produtos nacionais

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, anunciou na quinta-feira (26) a assinatura de Memorando de Entendimentos que visa aproximar setores produtivos de Brasil e Índia, ampliando as oportunidades de negócios, investimentos entre os dois países e as exportações para o país asiático.

A iniciativa se insere na estratégia de diversificação de parceiros comerciais, que o tarifaço de Trump acabou por tornar ainda mais necessária. O acordo foi feito através da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Confederação das Indústrias Indianas (CII).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, enfatizou que o Brasil deve fechar o ano com saldo comercial recorde de US$ 90 bilhões e celebrou os resultados da Índia. A relação comercial entre os países registrou um crescimento de 82% nos últimos anos, atingindo um fluxo bilateral de US$ 15,2 bilhões em 2025, segundo ressaltou a ApexBrasil.

O ministro contextualizou a parceria como parte da diretriz federal de diversificação de mercados — política que permitiu a ampliação das vendas externas para 57 países, com crescimento médio de 10,5%.

O objetivo é que o comércio bilateral alcance US$ 20 bilhões até 2030. Em 2025 as exportações do Brasil para a Índia totalizaram US$ 6,9 bilhões, o maior valor registrado nos últimos 20 anos. As importações brasileiras de produtos indianos foram de US$ 8,4 bilhões.

“Vemos um crescimento nas exportações desde 2025, quando batemos um recorde com salto de 25%. Este ano já demonstra que seguimos no mesmo caminho”, destacou Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil, lembrando que a Agência mantém um escritório em Nova Déli desde fevereiro de 2026, fruto de uma missão presidencial à Ásia. “É uma cooperação ganha-ganha, já que há complementariedade entre as duas nações”.

Petróleo bruto, açúcares e melaços, óleos vegetais, minério de ferro e algodão estão entre os principais produtos exportados. Os compostos químicos e medicamentos estão entre os entre os mais importantes itens importados.

O país asiático tornou-se o 10º principal destino das exportações do Brasil. O país ocupa a 26ª posição entre os fornecedores do mercado indiano.

A aproximação entre os dois países envolve setores considerados estratégicos, como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos. Outro eixo de interesse é a exploração de minerais críticos. “O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro”, ressaltou Rosa.

“Acreditamos que há muitas áreas em que a Índia e o Brasil podem cooperar. Já compartilhamos uma paixão pelo etanol para transporte, e acreditamos que há muitas outras oportunidades no setor automotivo e de maquinário industrial”, afirmou Alok Sanjay Kirloskar, co-presidente da delegação indiana e diretor da Kirloskar Brothers Limited (KBL). Ele complementou que a integração via BRICS abre vastas possibilidades conjuntas, especialmente no setor financeiro.

Na coletiva de imprensa em Brasília, as relações com os Estados Unidos também estiveram na pauta, o ministro reconheceu que as negociações sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros não estão sendo fáceis, mas entende que o diálogo que o governo brasileiro busca com persistência vai trazer bons resultados.

Ele afirmou, que o país não aceitará tarifas abusivas e está preparado para superar esse desafio imposto por Trump. Destacou, ainda, a reunião virtual com o representante de comércio dos EUA (USTR), Jameson Greer, que está agendada para a próxima segunda-feira (31), com ele mesmo e com o chanceler Mauro Vieira, depois de Lula ter destravado negociações, após telefonema feita a Trump.

“Nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional’, declarou o ministro.

Com informações da Agência Brasil e da ApexBrasil

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