“Tem pouco preso no Brasil”, disse o candidato da extrema-direita, inspirando-se no modelo fascista salvadorenho de prisões em massa, tortura, mortes e estado de exceção
Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita no pleito presidencial, resolveu transformar o encontro com o ministro da Justiça e da Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, em seu principal compromisso de campanha deste domingo (30), em São Paulo.
Após a reunião, defendeu a adoção do “modelo Bukele” (o mandatário salvadorenho) na segurança pública no país.
O candidato do PL abriu o jogo sobre como pretende enfrentar os problemas relacionados à segurança pública caso seja eleito.
“Tem pouco preso no Brasil. Tinha que ser mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Então, por isso, nós vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios, pra que ladrão de celular, que comece com pena de no mínimo oito anos de cadeia, fique preso. Não apenas seja preso, mas fique preso”, afirmou.
Tem “pouco preso” no Brasil, acrescentou, ignorando o fato de que cerca quase um milhão de pessoas estão atrás das grades no país, o que representa a terceira maior população carcerária do mundo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Mas o sacripanta não está satisfeito com isso e quer colocar mais gente na cadeia, certamente, não os do colarinho branco, como seu “irmão” Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem chamou de “irmão” para pedir a bagatela de R$ 134 milhões para financiar o filme autobiográfico do pai, mas aqueles que são recrutados nas favelas e regiões mais pobres, a maioria negros, pelas facções criminosas do crime organizado, como os 120 chacinados na operação policial patrocinada por Cláudio Castro, seu aliado do PL no Rio, na comunidade da Lapa, em 2025.
O que Flávio Bolsonaro ignora, solenemente, é a própria realidade nacional.
A população carcerária do Brasil saltou de cerca de 88 mil presos em 1988 para quase um milhão atualmente, portanto, um aumento de quase 400%, sendo que, de lá para cá, invariavelmente, houve um recrudescimento na legislação penal e outros instrumentos legais de combate às diversas modalidades de crime, com estímulo a ações punitivistas e uso frequente de prisão preventiva.
Na prática, o que o representante do clã Bolsonaro está propondo para combater a criminalidade já se demonstrou ineficaz nas políticas de segurança pública. A projeção dramática é de que essa população deve superar 1 milhão de pessoas no próximo ano, mantendo-se no ranking da terceira maior do mundo, mesmo diante de um cenário de déficit de vagas nas penitenciárias, hoje calculado em 280 mil, agravando a lotação e dificultando a ressocialização.
Mas, pela importância que o candidato atribuiu ao encontro com o representante do ditador salvadorenho, ele não está preocupado com nada disso, preferindo fazer o jogo meramente eleitoreiro ao explorar, desavergonhadamente, a insegurança que ainda ronda milhões de lares brasileiros.
O “modelo Bukele” fez a população carcerária da nação da América Central disparar para cerca de 120 mil pessoas em três anos — o que representa cerca de 2% da população do país e o coloca com a maior taxa de detentos por habitante no mundo. Assim que assumiu o poder, adotou uma política fascista, baseada em prisões em massa, estado de exceção e forte presença militar.
Resultado: mais de 80 mil pessoas foram presas em 3 anos por suposta ligação com gangues, na maioria das vezes, sem provas ou acesso à defesa. Além disso, Bukele construiu uma megaprisão para 40 mil detentos, sem direito a visitas ou comunicação externa.
Não por acaso, chovem, por parte de organismos internacionais, as denúncias de torturas, detenções arbitrárias e mortes sob custódia no atual regime salvadorenho.
Esse é o modelo de segurança pública que inspira Flávio Bolsonaro.











