Debate é fruto da conversa que Lula teve com Trump. Próxima reunião já está acertada. Tarifaço é aplaudido pela família Bolsonaro para interferir nas eleições
Após a conversa de Lula com Trump, as negociações sobre as tarifas impostas ao Brasil pelo governo norte-americano tiveram desdobramento nesta segunda-feira (31) com o encontro, de forma virtual, entre os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
Em nota conjunta dos dois ministérios, o governo brasileiro “reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos”.
No mês de julho, governo Trump anunciou duas tarifas de 25% e 12,5%. Juntas, penalizam em R$ 55 bilhões as mercadorias brasileiras. São 3.985 produtos. As justificativas dos EUA são inconsistentes economicamente. Os norte-americanos têm superávit comercial ante o Brasil nos últimos anos.
O tarifaço contra o Brasil é uma medida política, açulada pela família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro, combinado com seu irmão Flávio, está nos EUA instigando o governo dos EUA a tarifar o Brasil e sancionar autoridades brasileiras.
Segundo os ministros, o governo brasileiro “não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.
O governo reiterou que o ato dos EUA é “injusto”. Classificando a imposição de tarifas como um “tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”.
Já ficou acertada uma nova reunião em nível ministerial, virtual ou presencial, para continuar a negociação. A data ainda não foi definida.
Leia a íntegra da nota dos ministros:
Retomada do diálogo comercial Brasil-EUA – Nota Conjunta MRE/MDIC
Como consequência das conversas mantidas pelos Presidentes Lula e Donald Trump, os Ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reuniram-se, de maneira virtual, na tarde de hoje, com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, com o intuito de avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes daquele país em aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países.
Os Ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.
As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas. Admitiu-se, ainda, que as próximas reuniões sejam virtuais ou presenciais.
O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.










