PIB cresce 0,5% no segundo trimestre

Indústria é fortemente afetada pela alta taxa de juros. (Foto: José Paulo Lacerda/CNI)

Agropecuária (2,8%) puxa crescimento. Indústria de transformação e consumo das famílias recuam, atingidos pelos juros elevados

O Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país – cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, em relação ao primeiro trimestre (alta de 1,1%) do mesmo ano, na série com ajuste sazonal, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º).

Na comparação com os primeiros três meses do ano, o crescimento do PIB no segundo trimestre foi puxado pela Agropecuária, que cresceu 2,8%, e pela Indústria Extrativa, com alta de 3,4%. Por outro lado, a Indústria de Transformação e o Consumo das Famílias retraíram ambos 0,4% no trimestre, prejudicados pela alta do nível dos juros no país.

“O quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado. O crescimento do trimestre concentrou-se, portanto, nos segmentos menos sensíveis ao ciclo doméstico”, diz o Ministério da Fazenda em nota.

“A agropecuária surpreendeu positivamente, enquanto indústria e serviços ficaram abaixo do esperado, com o resultado industrial sustentado pelas extrativas diante do recuo da transformação e da construção”, segundo o Ministério da Fazenda.

Em relação ao segundo trimestre de 2025, o PIB avançou 2,0%. No primeiro semestre de 2026, cresceu 1,9% frente ao mesmo período de 2025.

Em relação ao segundo trimestre de 2025, a Agropecuária registrou alta de 6,8%, a Indústria cresceu 1,5% e os Serviços subiram 1,5%. Do lado da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 1,4%, o Consumo do Governo cresceu 3,1%, enquanto o Consumo das Famílias ficou em alta de 0,5%.

Pelo lado da oferta, a Agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre, seguida pelo baixo crescimento de Serviços (0,2%) e da Indústria como um todo (0,1%).

No campo da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 1,2%, assim como o Consumo do Governo (0,4%).

No trimestre, a taxa de investimento em relação ao PIB ficou em 16,1%, abaixo dos 16,5% registrados no primeiro trimestre de 2026, e aquém das necessidades do Brasil, que precisa de, no mínimo, entre 22% e 25% de investimento/PIB para modernizar seu parque industrial. Países como China, Índia e Coreia do Sul têm taxas de investimento superiores a 30%.

Contudo, os bancos – que são os maiores beneficiários dos juros – atuam para que o custo do capital siga altamente caro no país . Ao fim deste ano, o mercado financeiro prevê que a Selic (taxa básica de juros da economia) do Banco Central fique em 13,75%, sendo 0,25 p.p abaixo do seu nível atual (14%). Descontada a inflação, o Brasil tem a maior taxa de juro real do planeta.

Em julho deste ano, a taxa média de juros das operações de mercado girava em torno de 50% ao ano, segundo números do próprio BC. No crédito livre às empresas, os juros chegavam a 25,4% a.a., enquanto para as pessoas físicas, a taxa média de juros atingia os 60,0% a.a.

A Contas Nacionais Trimestrais também registram que as Exportações de Bens e Serviços retraíram 0,8%, enquanto as Importações de Bens e Serviços avançaram 1,8% na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026.

Ao todo, a economia brasileira movimentou R$ 3,4 trilhões em valores correntes no período. Deste total, R$ 2,9 trilhões são referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 487,9 bilhões, aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

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