Após a primeira vitória dos trabalhadores no Senado, com a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e redução da jornada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, as centrais sindicais agora pressionam para que o projeto siga para votação no plenário.
O projeto foi aprovado pela CCJ na quarta-feira (2) e já estava pronto para ser analisado pelo plenário, mas não avançou devido, especialmente, à forte pressão contrária da turma do senador Flávio Bolsonaro, que quer impedir a aprovação do projeto do governo do presidente Lula.
“O fim da escala 6×1 é uma necessidade para milhões de trabalhadores brasileiros. Não podemos aceitar que interesses políticos e a obstrução da oposição impeçam o avanço de uma pauta que representa mais qualidade de vida, descanso e tempo para a família”, afirma o presidente da CTB, Adilson Araújo.
A CTB considera que a aprovação da PEC na CCJ foi uma importante vitória dos trabalhadores, mas destaca que “a disputa agora se desloca para o plenário do Senado”, e é preciso “manter a mobilização e ampliar a pressão sobre senadores para garantir a aprovação da proposta”.
Além de denunciar “a manobra de Flávio Bolsonaro e seus aliados para barrar a aprovação da PEC do fim da escala 6×1”, Adilson Araújo também criticou o apoio do candidato à proposta de remuneração por horas trabalhadas com redução e flexibilização dos direitos trabalhistas, e disse que a apresentação dessa proposta, especialmente neste momento, também “tem o objetivo diversionista de tumultuar o debate sobre o fim da escala 6×1 e impedir a sua votação”.
“No momento em que a classe trabalhadora e o movimento sindical procuram intensificar a luta pelo fim da desumana escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o candidato da extrema direita à presidência da república, Flávio Bolsonaro, anuncia seu apoio à famigerada PEC dos patrões, que propõe a remuneração por horas trabalhadas e a redução e flexibilização dos direitos trabalhistas”, denunciou.
Comemorando a aprovação da PEC na CCJ, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, salientou que ela foi fruto da grande mobilização das centrais e dos trabalhadores e ressaltou que, agora, “a luta permanece aberta e é hora de garantir a votação antes das eleições, evitando riscos para o avanço da proposta”.
Miguel Torres defendeu que as centrais mantenham “diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para assegurar o avanço da matéria e sua votação pelos senadores no plenário” e convocou as entidades sindicais e os trabalhadores a manterem “forte mobilização durante essa etapa decisiva da tramitação legislativa”.
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, também argumenta que, agora, a hora é de aumentar a pressão, “seja nas ruas, nas redes e/ou na ferramenta Na Pressão, para que os senadores, em plenário, votem e aprovem o fim da escala 6×1 ainda neste mês de setembro”.
Nobre também denunciou que, após aprovação na CCJ, “a proposta só não foi definitivamente aprovada no plenário do Senado devido à manobra de empresários e de parlamentares da direita, principalmente de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência”. Nobre salientou ainda que “o próprio Flávio interrompeu a sua campanha eleitoral para ir à Brasília se posicionar contra o fim da escala 6×1”.
“A atitude de Rogério Marinho é um exemplo de como atuam os parlamentares da extrema direita e, por isso, temos que reforçar a pressão e a nossa mobilização”, disse a liderança da CUT.
“Agora, nós precisamos reforçar a mobilização que a gente vem fazendo, e o trabalho de convencimento e pressão sobre os senadores”, destacou Nobre.










