O projeto entrará numa nova fase em 2027. Iniciativa está dentro das prioridades para o setor de Defesa anunciadas pelo governo Lula
O submarino nuclear brasileiro deverá entrar em uma nova etapa de construção em 2027. A proposta orçamentária enviada pelo governo ao Congresso reserva R$ 388,7 milhões diretamente para a embarcação. As informações são da Revista Militar.
A iniciativa está dentro das prioridades do governo no setor de Defesa e prevê o início da fabricação de seu casco resistente, estrutura projetada para suportar a pressão encontrada durante a navegação submersa. O Submarino Nuclear Álvaro Alberto é o primeiro projeto de submarino de propulsão nuclear do Brasil e da América Latina, desenvolvido pela Marinha do Brasil em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN).
A meta apresentada na Mensagem Presidencial do Projeto de Lei Orçamentária Anual é levar a execução acumulada do submarino a 29% até o final de 2027. Antes do começo do casco resistente, o cronograma estabelece a conclusão da chamada Seção C Preliminar.
O avanço tem peso especial porque desloca o projeto de uma etapa dominada pelo desenvolvimento de sistemas e pela preparação industrial para uma fase em que partes fundamentais da embarcação começam a tomar forma. Em programas dessa complexidade, a construção do casco não é apenas mais um item do cronograma: ela condiciona a futura integração da planta de propulsão, dos sistemas internos e dos equipamentos de combate.
O valor faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o PROSUB, que terá R$ 852,5 milhões em 2027. Dentro do mesmo programa, estão previstos R$ 247,9 milhões para os submarinos convencionais e R$ 215,7 milhões para o estaleiro e a base naval destinados à construção e manutenção de submarinos convencionais e nucleares. Essa separação é importante. O orçamento do PROSUB reúne embarcações e infraestrutura, enquanto os R$ 388,7 milhões correspondem especificamente à construção do submarino de propulsão nuclear.
Diante das crescentes ameaças dos Estados Unidos ao Brasil e a outros países do mundo, o Ministério da Defesa do Brasil terá o sexto maior orçamento em 2027. A previsão consta na proposta de orçamento do próximo ano, encaminhada nesta semana ao Congresso Nacional. O projeto contempla cerca de R$ 148 bilhões para a pasta em 2027
A Mensagem Presidencial utiliza a denominação Submarino Nuclear Convencionalmente Armado — SNCA. O termo indica que a energia para propulsão será produzida por um reator nuclear, mas os armamentos empregados serão convencionais. Não se trata, portanto, de um submarino equipado com armas nucleares.
Paralelamente à construção da embarcação, o Programa Nuclear da Marinha terá R$ 1,429 bilhão. Essa é a maior dotação individual destinada aos projetos navais apresentados no programa Defesa Nacional. Os recursos serão aplicados no desenvolvimento do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, o Labgene, na infraestrutura do ciclo do combustível nuclear e na Planta Nuclear Embarcada.
Somadas, as dotações do Programa Nuclear da Marinha e da construção específica do submarino chegam a aproximadamente R$ 1,82 bilhão. O cálculo ajuda a dimensionar o esforço financeiro de 2027, mas reúne duas ações orçamentárias diferentes.
A autonomia sobre o ciclo do combustível é um dos pontos centrais do projeto. Sem domínio nacional dessa etapa, a operação do submarino permaneceria dependente de fornecedores externos em uma tecnologia considerada estratégica e sensível.










