Karina Gama e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos da ação. Emenda de R$ 2 milhões de Frias está na mira da PF. Filme também teria sido o destino dos R$ 65 milhões que Flávio obteve junto a Vorcaro
A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) em operação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”. Esta é a produção que, segundo Flávio Bolsonaro, seria o destino dos R$ 65 milhões que ele pegou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de “Make Up”. A investigação apura um esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, informou a PF. Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) são alvos da ação. Duas entidades de propriedade de Karina também têm buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito era de São Paulo e foi transferido para o STF. A operação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão. A PF informa ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e afirma que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano.
A CGU suspeita de desvio da emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades de Karina, como gastos não comprovados. Frias atua como roteirista e produtor-executivo da produção do filme de Bolsonaro. Há duas investigações em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre o filme “Dark Horse”. O caso que está com Flávio Dino se concentra no uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.
Um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o percurso desse dinheiro. Mendonça está impedindo as investigações desse caso para proteger o candidato. A sociedade brasileira está exigindo que o escândalo seja investigado e tudo seja esclarecido imediatamente.
Em maio, o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair. De acordo com a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 65 milhões em 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.
Na quarta-feira (9), foi homologado o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é o dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses para o senador Flávio Bolsonaro. Flávio foi flagrado pedindo um total de R$ 134 milhões ao banqueiro.
O dono da entre afirmou em sua declaração — assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto — que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.
Ele disse ainda que fez sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA. As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025. O pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação. A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme “Dark Horse”, como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.










