O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), afirmou que o esquema criminoso de Flávio Bolsonaro (PL) com o Banco Master envolveu uma rede de servidores federais indicados por Jair Bolsonaro e criminosos envolvidos em outros escândalos.
Boulos comentou que “a gente começa seguindo os R$ 134 milhões de um filme e chega numa estrutura complexa de conexões de crime. Olha para esse quadro. No começo tinha uma pergunta: por que o Daniel Vorcaro estava disposto a colocar R$ 134 milhões num projeto da família Bolsonaro?”.
“Os R$ 134 milhões continuam sem explicação convincente, mas agora parecem muito menos um caso isolado”.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Boulos comentou que os R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro negociou para enviar para Flávio Bolsonaro “aparecem muito mais como um pagamento do que como um investimento”, uma vez que os mesmos nomes de outros crimes “começam a se repetir”.
O ministro comentou que o Banco Master só foi criado em 2019, quando o Banco Central, controlado por Roberto Campos Neto, indicado por Jair, deu autorização.
Os problemas aparecem quando o ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, que chegou ao cargo por indicação de Bolsonaro e participou do processo que permitiu a Vorcaro se tornar um banqueiro, começa a atuar como agente do próprio Daniel Vorcaro.
“A PF encontrou mensagens que mostram Paulo Sérgio revisando documentos do Master antes de serem enviados oficialmente para o Banco Central. Ele antecipava os questionamentos e sugeria alterações nas respostas, orientando Vorcaro como se comportar nas reuniões com dirigentes do próprio BC”, comentou Boulos.
“É o fiscal ajudando o fiscalizado a se preparar para a fiscalização. É como se o professor, que conhece a prova, entregasse as perguntas e ainda ajudasse o aluno a prepará-las”, explicou.
Já os fundos do Banco Master eram “fiscalizados” por João Pedro Barroso do Nascimento, amigo de infância de Flávio que foi indicado para a Presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
Na gestão de João Pedro, “a CVM analisou o processo envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master e Entre Investimentos. E sabe onde é que vai aparecer a Entre Investimentos? Justamente na estrutura financeira relacionada aos pagamentos do filme sobre Jair Bolsonaro.”
“Ou seja, a gente começa seguindo o dinheiro do filme e chega nas estruturas que deveriam estar sendo fiscalizadas”, acrescentou.
Guilherme Boulos ainda contou sobre a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Francisco Maximiano e Danilo Trento, que aparecem em investigações ligando o Banco Master e a Reag, que era central na estrutura de fraudes financeiras. A Reag também era usada para lavagem de dinheiro para facções criminosas.
Em 2020, Flávio Bolsonaro intermediou uma reunião entre Francisco Maximiano e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). No mesmo ano, ele viajou para Las Vegas, nos Estados Unidos, com Danilo Trento para discutir a legalização das bets no Brasil.










