O Fórum Direitos Já pela Democracia reuniu, no último sábado (12), em São Paulo, um encontro de mulheres com o candidato ao governo Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), além de apoiadores e representantes de movimentos sociais. O ato representou um verdadeiro chamado à mobilização para barrar o avanço da extrema-direita e a ameaça aos direitos conquistados das mulheres.
Em sua fala, Haddad destacou um dos pontos mais críticos em relação à segurança das mulheres em São Paulo, que vem apresentando recordes de casos de feminicídio.
“Como é que isso não está no topo das prioridades do estado? Como é que isso não tem um gabinete de crise para resolver, permanentemente acionado, para ver como é que vai ser? Como é que não tem um pronunciamento na televisão chamando a responsabilidade das pessoas?
Como é que não tem uma central de denúncia dos mínimos indícios de violência doméstica?
E agora esses abusos sexuais que estão acontecendo, também batendo recordes em geral em relação a mulheres menores de idade. A situação é grave e não adianta, na TV, se apresentar retoricamente como é que você vai resolver se você não tiver um compromisso de vida com aquilo.
E eu vou dizer para vocês, com toda sinceridade: a extrema direita não tem compromisso com algumas causas e não terá. Não terá, porque é da essência da extrema direita, sem isso ela não é uma extrema direita, negar esses direitos. Negar o direito das mulheres é da essência da extrema direita. Isso não é casual. Não é uma extrema direita que haja sim e outra não. Todas agem da mesma maneira.
Vocês são uma ameaça para a extrema direita. Essa é a verdade. Tem gente nos Estados Unidos defendendo seriamente o fim do voto feminino. A maior democracia, aquela que serviu de exemplo, tem hoje núcleos defendendo o fim do voto feminino. Isso é sério.
E já teve gente aqui no Brasil ameaçando imitar a moda para ver se pega. E assim as coisas vão no comportamento, no trabalho, na maneira de julgar aquilo que alguém disse aqui.”, afirmou Haddad.
MARINA: AMEAÇA À SOBERANIA É PARA TOMAR O QUE É NOSSO
Em sua fala, Marina Silva defendeu a união em torno da democracia, destacando que democracia se realiza em muitas coisas, como “pessoas pobres entrarem na universidade; democracia é uma pessoa não ter que se submeter a uma relação indigna de trabalho, porque a única forma de ter alimento e de ter como criar seus filhos é conseguindo trabalhar em qualquer coisa, mesmo que aquilo seja indigno; democracia se realiza quando aqueles que podem mais pagam mais e aqueles que não podem não pagam imposto. E é isso que a gente fez quando o presidente Lula, o ministro da Fazenda e a ministra do Planejamento trabalharam para que quem ganha até R$ 5.000 não tenha que pagar imposto. Isso é democracia.”
“E soberania, que parece muito abstrata, não é isso? Soberania é respeitar a autodeterminação dos povos. É isso que a gente aprende. Mas a gente aprende também quando a autodeterminação está sendo ultrajada.
Quando um país, porque tem bomba atômica, porque é muito poderoso, decide que vai taxar os outros países de forma arbitrária, como fez com o Brasil, primeiro em 50%, agora em 25%, tirando 11 bilhões de dólares da economia do Brasil e tirando 4 bilhões da economia de São Paulo, atacando a indústria do calçado, a indústria de autopeças, a indústria de caldeiras, o agronegócio, o etanol. Isso é interferir na soberania, porque isso, além de nos ultrajar, nos dá uma mensagem: nós podemos também pegar a floresta de vocês, a biodiversidade de vocês, o agro, as terras raras, os minerais críticos de vocês, porque nós podemos mais”.
TEBET DENUNCIA “ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO”
Durante o ato, Simone Tebet afirmou que as mulheres não vão ficar em casa, neste que é o momento mais “decisivo da nossa história”. “Vamos nos mobilizar, porque eles não estão dormindo.”
“Olha o que eles fizeram com o caso do Banco Master, o maior escândalo de corrupção da história do sistema financeiro do Brasil, carimbado na testa de Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 130 milhões de reais para um filme fajuto, de uma história absolutamente desacreditada, daquele que foi o pior presidente da história desse país, que matou gente ao negar vacina no braço do povo brasileiro.
Um filme que não custaria, ou vai custar, R$ 3 milhões de reais e, numa triangulação, mandou dinheiro para fora para lavar dinheiro e voltar para a campanha dele. E eles conseguiram inverter a narrativa. E só agora nós conseguimos mostrar, com a quebra do sigilo absoluto dos inquéritos, que quem está com o nome lá no inquérito para ser investigado, inclusive por organização criminosa e corrupção, chama-se Flávio Bolsonaro.
Olha como eles sabem manipular a mente das pessoas. Olha como eles são capazes, porque eles jogam sujo. Eles não têm compromisso com a democracia, com a verdade, com as famílias. Eles jogam sujo porque eles não precisam estar olhando no olho, olho no olho. Eles fazem campanha pela tela do celular, que cabe tudo. Pode tudo. E nós temos que lidar com esse tipo de gente nessas urnas.
Se nós quisermos ter o Brasil dos nossos sonhos efetivamente realizados a partir de janeiro de 2027, 2026 será a eleição mais difícil e importante da história das nossas vidas”, afirmou Tebet.
O coordenador do Direitos Já, Fernando Guimarães, ressaltou a importância do encontro como espaço de diálogo e articulação em defesa da democracia. Já Ana Estela Haddad afirmou que o ato poderia dar origem a uma mobilização mais ampla. “Nós estamos criando hoje aqui uma onda, uma onda que vai tomar São Paulo, que vai tomar o Brasil para que a gente resgate a nossa democracia”, disse. O ato também contou com a presença da presidente nacional do PCdoB, e ex-vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão.
“NÃO VAMOS VOLTAR ATRÁS”
A professora Mariana Moura, coordenadora do movimento Cientistas Engajados, afirmou que o país enfrenta uma disputa entre projetos opostos.
“O que está em jogo hoje é a civilização contra a barbárie no Brasil. E tenham certeza que caso a barbárie ganhe, quem mais vai sofrer são as mulheres brasileiras, mães, esposas, filhas, as excelentes profissionais e mulheres independentes, como uma, em cada uma que está aqui.
O que a extrema direita defende não é que voltemos para casa para cuidar dos nossos filhos, porque isso a gente já faz. Defendem que não tenhamos o direito ao voto, conquistado com muita luta de mulheres de todas as classes sociais e de todas as cores. Não vamos voltar atrás”, afirmou.
Márcia Campos, que por 18 anos presidiu a Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), saudou o evento, em especial a Ana Estela Haddad, que conduziu a atividade, e ressaltou a importância de cada dirigente presente, destacando a luta das mulheres em defesa do trabalho, por creches, por um salário decente, “mas nesse momento, lutar contra a carestia é pegar aquele meliante opositor e botar nele para correr do Brasil”.
“E eu quero que eles corram mesmo, e nós vamos ocupar as ruas e de que jeito? Vamos levar carrinho de bebê, vamos levar um quadro negro, vamos levar cadeira de escola, numa caminhada, que é uma manifestação daquilo que o povo precisa, daquilo que precisa resolver”, destacou Márcia.










