Na última sexta-feira (11), a ida do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por Manaus (AM) foi marcada por manifestações dos amazonenses. Os protestos que ocorreram na cidade cobraram explicações do senador sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e criticaram a mudança de discurso do presidenciável em relação à Zona Franca de Manaus (ZFM).
“Flávio Bolsonaro, cadê o dinheiro do Vorcaro?” foi uma das cobranças feitas durante a manifestação. Vídeos do ato registraram cartazes e gritos relacionando o candidato ao ex-controlador do Banco Master. A apuração é do portal ICL Notícias.
A manifestação ocorreu durante a passagem de Flávio pela capital amazonense para uma série de compromissos de campanha. O senador visitou a fábrica da Honda, no Polo Industrial de Manaus, e participou do evento “Grande Encontro da Força da Direita do Amazonas”.
O caso Master foi um dos principais motivos do protesto. Documentos de investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação de Edson Fachin. Flávio está entre os políticos citados nos documentos tornados públicos.
O senador foi flagrado conversando com Vorcaro para buscar financiamento para o filme sobre o pai. O ex-banqueiro chegou a repassar o valor de R$ 61 milhões para a produção.
CONTRADITÓRIO
Durante a passagem pelo Amazonas, Flávio também comentou as investigações. O candidato defendeu a atuação de André Mendonça e afirmou estar tranquilo com as apurações. Se nas ruas Flávio foi cobrado pelo caso Vorcaro, dentro de sua agenda de campanha o senador tentou se apresentar como defensor da Zona Franca de Manaus.
Vestindo uma camisa com a inscrição “100% Zona Franca”, Flávio classificou o modelo como estratégico para o país e prometeu ampliar investimentos no polo industrial amazonense. “A Zona Franca agora é do Brasil, 100% orgulho nacional. E nós vamos melhorar ainda mais a Zona Franca de Manaus”, afirmou.
No entanto, o discurso é bastante diferente daquele adotado pelo próprio Flávio há menos de três anos.
Em novembro de 2023, durante a discussão da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio criticou a preservação das vantagens competitivas da Zona Franca e classificou como uma “injustiça” o tratamento dado ao Amazonas em comparação ao Rio de Janeiro.
Na ocasião, o senador chegou a argumentar que os incentivos poderiam deslocar indústrias de outros estados e provocar desemprego no restante do país.
“Manaus tem que ser o novo Vale do Silício e o resto do Brasil uma Argentina, já que as indústrias de todo o país vão para a Zona Franca de Manaus por causa do custo baixo de produção ou serão incentivadas a adquirir matérias-primas no Amazonas. Isso pode causar desemprego no Brasil inteiro, exceto no Amazonas”, afirmou Flávio, em tom irônico, em 2023.










