Assembleia Geral das Nações Unidas isola Trump e Netanyahu e aprova, por 152 votos a 3, resolução que garante a participação do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, no evento
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta quinta-feira (17), por 152 votos a favor, 3 contra (Estados Unidos, Israel e Paraguai) uma resolução que permite à Palestina participar da atual sessão por videoconferência. Alinhados com Trump, outros quatro países se abstiveram (Colômbia, Honduras, Panamá e Peru).
A votação ocorreu depois de Washington negar visto de entrada ao presidente palestino Mahmoud Abbas nos EUA.
Com a concordância da resolução, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), poderá discursar por meio de uma intervenção por videoconferência.
O representante da Palestina junto à ONU, Riyad Mansur, declarou que os 152 votos a favor, contra apenas 3 contrários, demonstram uma “posição quase coletiva” da Assembleia Geral e da comunidade internacional em defesa da causa palestina. Mansur reafirmou a necessidade de pôr fim à ocupação ilegal dos nazi-israelenses e de concretizar o consenso internacional em torno da criação de um Estado palestino livre e independente dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém como capital.
Desde o dia 7 de outubro de 2023, data do início da agressão israelense, foram assassinados mais de 73 mil palestinos na Faixa de Gaza – 30% do total de vítimas fatais crianças, somando cerca de 20 mil menores mortos – e mais de 173 mil feridos – 43 mil com traumas graves e seis mil com mutilações, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que Israel tenha lançado mais de 223.000 toneladas de bombas e explosivos sobre Gaza, deixando 98% das suas terras agrícolas devastadas ou destruídas.
EUA VIOLA ACORDO RELATIVO À SEDE DA ONU
Exigindo que Washington revogue de imediato sua decisão, os Estados que apoiaram a iniciativa sustentam que a medida dos EUA viola o Acordo Relativo à Sede das Nações Unidas nos EUA. Firmado entre os países, o acordo regula as condições da sede da ONU em Nova Iorque e estabelece, em sua seção 11, que os EUA não impeçam o trânsito de representantes dos Estados-membros nem de outras pessoas ligadas às Nações Unidas rumo ao distrito da sede da organização ou a partir dele. O texto determina ainda que, quando for necessário visto, este deve ser expedido gratuitamente e com a maior rapidez possível.
O Ministério das Relações Exteriores e dos Expatriados da Palestina recebeu a resolução com satisfação e agradeceu a posição de todos os países que se mobilizaram. A medida garante que a voz do povo palestino contra o genocídio chegará às Nações Unidas e que o discurso de Abbas será pronunciado conforme previsto, por transmissão televisiva, frustrando as tentativas dos sionistas de silenciar a Palestina e sua causa.
Cinicamente, os mesmos EUA – que armam e dão sustentação política e econômica aos crimes israelenses – justificou a tentativa de calar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a Autoridade Palestina (AP) alegando que “não cumpriram seus compromissos de reforma com Washington” e mantêm atividades que minam as perspectivas de paz, como se a presença de autoridade de um país com assento na ONU dependesse de qualquer acordo do qual se arroga a Casa Branca.
O 81º período de sessões da Assembleia Geral da ONU começou em 8 de setembro. As reuniões de alto nível e o debate geral ocorrerão de 22 a 28 de setembro, em Nova Iorque, e a expectativa é de que o presidente da ANP discurse na próxima quinta-feira (24).











