Manifesto de mais de 300 artistas apoia Lula e a cultura com papel central na nação

Chico César, Gloria Pires e Silvia Buarque estão entre os artistas que assinam o manifesto - Foto: Reprodução

Foi divulgado na última quinta-feira (17) um manifesto assinado por mais de 300 artistas e intelectuais em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além do apoio, o documento pede mudanças na condução de políticas relacionadas à cultura. Intitulado de “A cultura está com Lula e pede mudanças”, o documento conta com apoio de Gloria Pires, Caio Blat e Chico César. 

“O setor cultural e artístico brasileiro apoia enfaticamente a reeleição do presidente Lula e soma forças na defesa da democracia e dos direitos sociais que estão em jogo neste pleito presidencial”, diz o texto. 

“Queremos um salto não apenas quantitativo, de orçamento, mas sobretudo qualitativo na visão, compreensão e gestão da cultura e das artes por parte do próximo governo Lula”, continua.

O grupo celebra o retorno do Ministério da Cultura (Minc), assinado em decreto por Lula no primeiro dia de seu mandato, em janeiro de 2023. A pasta tinha sido extinta em 2019, como parte da reforma administrativa do governo Bolsonaro. 

No entanto, apesar de reconhecer a retomada do ministério, o manifesto critica o desempenho da política cultural desde então. O documento não cita nominalmente a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

“Os resultados do terceiro mandato estão aquém do potencial da cultura como força transformadora da sociedade. Estão aquém das necessidades e das enormes potencialidades do nosso setor”, afirma o texto.

Outra reivindicação é a inclusão de segmentos culturais nas políticas de desenvolvimento econômico e industrial. O documento menciona especificamente o audiovisual, a música e o mercado editorial.

“É preciso que o próximo governo compreenda que o audiovisual, a música e o mercado editorial são indústrias estratégicas geradoras de divisas, e que não podem continuar ausentes do projeto de reindustrialização do Brasil”, afirma o manifesto.

O texto continua aberto para assinaturas através de um link online.

Veja na íntegra:

A cultura está com Lula e pede mudanças

O setor cultural e artístico brasileiro apoia enfaticamente a reeleição do presidente Lula e soma forças na defesa da democracia e dos direitos sociais que estão em jogo neste pleito presidencial.

Temos confiança de que o próximo mandato do presidente será seu grande legado. Com a retomada do desenvolvimento econômico a partir de 2022, após seis anos de destruição do Estado brasileiro, perpetrados por Temer e Bolsonaro, o Presidente Lula criou as condições necessárias para um futuro de soberania, democracia e justiça para o Brasil.

Defendemos que todos os setores democráticos devem se unir pela reeleição de Lula.

E afirmamos que, sem a devida importância da cultura no próximo governo, este salto para o futuro pode ficar comprometido.

A cultura e as artes precisam ter um papel central no projeto de nação que sairá das urnas.

Queremos um salto não apenas quantitativo, de orçamento, mas sobretudo qualitativo na visão, compreensão e gestão da cultura e das artes por parte do próximo governo Lula.

É preciso que o conjunto do próximo governo entenda que a cultura é o que nos define como sociedade e constrói pertencimento, e compreenda a relevância geopolítica e econômica como um setor que gera empregos e renda para milhares de brasileiros. A cultura precisa estar ao lado da educação, do meio ambiente e da ciência, para que o Brasil consolide um outro patamar de desenvolvimento humano.

Defendemos, portanto, mudanças na política cultural do próximo governo.

Depois da passagem da extrema direita que extinguiu o Ministério da Cultura e atacou diuturnamente artistas e trabalhadores do setor, o presidente Lula cumpriu suas promessas de campanha feitas em 2022: promoveu a volta do MinC e agregou recursos.

No entanto, os resultados do terceiro mandato estão aquém do potencial da cultura como força transformadora da sociedade. Estão aquém das necessidades e das enormes potencialidades do nosso setor.

Somos gratos à equipe por terem encarado a tarefa de restituir o Ministério da Cultura. Agradecemos e reconhecemos o esforço. Mas queremos um novo ciclo, uma nova gestão sintonizada com os desafios do momento que vivemos.

As políticas devem ser mais que meramente simbólicas: devem ter resultados artísticos, econômicos e sociais relevantes. O Brasil precisa ver crescer o número de leitores e de público nos shows, nos cinemas e espetáculos. Nossos artistas e produtores precisam ter renda e condições dignas de vida.

No próximo mandato, é fundamental que os recursos orçamentários da cultura sejam aplicados com estratégia, objetivos e metas. É fundamental que Iphan, Funarte, Ancine tenham políticas consistentes. É preciso coragem, retomar o brilho de gestões anteriores, em que os diversos segmentos artísticos sentiam os avanços como palpáveis.

Queremos um ciclo novo, que não só retome as conquistas, mas também avance. Vivemos um tempo em que o fascismo e sua guerra cultural se apresentam com estratégias de dominação.

Queremos que a cultura brasileira seja, no contexto mundial, um ativo importante, com políticas de internacionalização especialmente no Sul Global.

Nesse contexto, é preciso que o MinC se torne protagonista, sendo mais que um gestor de editais e leis de incentivo.

A população segue sem acesso à cultura e às artes. Nós, trabalhadores(as), produtores(as), criadores(as) e instituições das artes visuais, do audiovisual e do cinema, do circo, da cultura popular, da dança, da literatura, da música, do patrimônio histórico e do teatro, queremos que a população brasileira tenha acesso à nossa produção.

Operando sem regras e sem lei, as grandes corporações internacionais que dominam nosso mercado pouco deixam para nossos artistas e produtores. Vivemos um tempo de extrativismo. Precisamos que todo o governo se empenhe nessa luta, para que artistas e instituições culturais possam viver e não apenas sobreviver.

Apoiamos o presidente Lula porque é preciso enfrentar as big techs, as plataformas de streaming, as bets e os esquemas que drenam os recursos da cultura via emendas parlamentares.

É preciso que o próximo governo compreenda que o audiovisual, a música e o mercado editorial são indústrias estratégicas geradoras de divisas, e que não podem continuar ausentes do projeto de reindustrialização do Brasil.

Apoiamos a reeleição do presidente Lula por tudo o que ele já fez pelo setor, em seus primeiros mandatos, e por sua compreensão da cultura e das artes como a essência de um país e a alma de um povo.

Um país só é verdadeiramente soberano se o seu povo se sentir soberano, e a Cultura é o que garante a coesão, com memória e a força de um povo.

O próximo mandato do presidente Lula é a oportunidade de um grande legado para o Brasil, e esse legado é a cultura. Que tenha a centralidade que merece.

Lula presidente! Por uma nova política cultural à altura dos desafios do presente e para construir o Brasil do futuro!

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