“Somos um país soberano, de economia forte, e que cuida da sua população e das suas riquezas. Que respeita todo mundo e exige respeito”, adiantou Lula nas redes sociais
O presidente Lula vai abrir a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na terça-feira (22). Sua mensagem será uma dura crítica às ameaças de ingerência externa nos assuntos do Brasil e a afirmação da soberania nacional.
“Somos um país soberano, de economia forte, e que cuida da sua população e das suas riquezas. Que respeita todo mundo e exige respeito. E que defende a paz e o diálogo entre as nações. É este o Brasil que estará presente, terça-feira, na abertura na ONU”, resumiu o presidente, em postagem nas redes sociais neste domingo.
Em meio a guerras, disputas comerciais, rivalidades entre potências e ao debate sobre pressões externas no processo eleitoral brasileiro, o presidente levará a posição de um país que voltou a ocupar fóruns internacionais, dialoga com governos de diferentes orientações e busca transformar diplomacia em mercados, investimentos, cooperação e tecnologia. Um país disposto a negociar e construir pontes, sem escolher uma potência para seguir nem aceitar que outros decidam seu caminho.
Lula deverá defender a não interferência nos assuntos internos dos países, além do multilateralismo, da negociação como caminho para solucionar conflitos e do respeito ao direito internacional humanitário. Também deverá voltar a cobrar uma reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, cuja composição o Brasil considera distante da realidade geopolítica atual.
Antes de chegar a Nova York, em ato de campanha em Florianópolis, neste sábado (19), ao falar de riquezas naturais, minerais estratégicos e da relação com outras potências, Lula afirmou: “Eu não tenho duas pátrias”. A frase mostra uma política externa que mantém abertas diferentes portas. Estados Unidos, China, Europa, África, América Latina e Ásia são parceiros para comércio, investimentos e tecnologia, sem que a aproximação se transforme em alinhamento automático.
O Brasil que chega a Nova York é diferente daquele que Lula encontrou ao assumir o terceiro mandato, em 2023, após um período de afastamento de importantes espaços de articulação internacional. Poucas semanas depois da posse, sua primeira viagem ao exterior marcou o retorno do país à Celac, que reúne 33 nações da América Latina e do Caribe.
Vieram depois a retomada da aproximação com a África, o retorno às reuniões do G7, a presidência do G20 em 2024 e do BRICS em 2025 e uma maior aproximação com o Sudeste Asiático. Nesse período, Lula recebeu 86 chefes de Estado e de governo de 68 países, manteve 257 reuniões com líderes de 77 nações e 130 conversas telefônicas com representantes de 44 países. Até agosto de 2026, foram 59 participações em cúpulas internacionais e 551 instrumentos de cooperação assinados.
A movimentação chegou ao comércio. Foram abertos 678 novos mercados em 93 destinos para produtos do agro e o superávit comercial acumulado em três anos e meio superou US$ 300 bilhões. O Brasil também sediou as cúpulas do G20 e do BRICS e a COP30 e viu avançarem acordos do Mercosul com União Europeia, Singapura e EFTA.










