Haddad quer rever privatização da Sabesp, da CPTM e pedágios: “Interesse do usuário na frente”

Fernando Haddad participou de sabatina na Record - Foto: Reprodução

Nesta segunda-feira (21), ocorreu uma sabatina, em que deveria ser um debate, organizado pela TV Record, onde o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), esteve sozinho no estúdio. O atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faltou ao evento, deixando o púlpito com seu nome vazio no palco do programa.

Em função do descumprimento do compromisso por Tarcísio, a emissora transformou o espaço para a conversa com Haddad. Para Haddad, no entanto, o não comparecimento reflete uma manobra deliberada para fugir do confronto de propostas. “Em uma eleição com apenas dois candidatos com pontuação elevada, essa decisão é ruim para a democracia porque sonega ao eleitor a oportunidade de comparar”, declarou o candidato do PT.

Durante a entrevista, Haddad afirmou que pretende rever contratos envolvendo a privatização da Sabesp, das linhas da CPTM e a implantação do pedágio eletrônico nas rodovias, chamado Free Flow. 

Ao falar sobre a revisão dos contratos, Haddad afirmou que pretende analisar, nos primeiros seis meses de um eventual governo, os acordos firmados pela atual administração. Segundo ele, a medida seria necessária para recuperar as contas do Estado e melhorar a prestação de serviços públicos. “Eu pretendo rever todos os contratos assinados pelo Tarcísio, assim como eu fiz quando eu fui ministro da Fazenda [durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]”, afirmou.

O primeiro caso mencionado por Haddad foi o da privatização da Sabesp. O candidato afirmou que não pretende inicialmente reestatizar a companhia, mas disse que iria renegociar os termos do contrato e cobrar o cumprimento das obrigações previstas. Ele afirmou que havia alertado, em 2022, que a privatização poderia elevar a conta de água e que, desde então, o serviço teria piorado.

“Eu vou rever o contrato primeiro e se ela não cumprir, eu vou judicializar e eventualmente retomar a empresa para o controle público”, afirmou. Haddad disse que uma eventual reestatização dependeria do descumprimento das obrigações e de medidas judiciais, para evitar a necessidade de indenizar a empresa. Ele também citou reclamações registradas no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e problemas de abastecimento como justificativas para a revisão.

Na sequência, Haddad criticou a concessão e a expansão do sistema de transporte sobre trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele afirmou que não pretende privatizar novas linhas do metrô nem aquelas que ainda permanecem sob controle público e disse que as concessões existentes apresentam mais falhas para os usuários.

“Antes de pensar em vender, porque agora só se fala em vender tudo para a iniciativa privada, a gente tem que colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado”, afirmou. Haddad defendeu cláusulas mais rigorosas nos contratos e disse que pretende interromper novas privatizações e cobrar das empresas o cumprimento das obrigações assumidas.

O candidato também incluiu os contratos relacionados ao Free Flow (sistema de cobrança eletrônico, sem praças físicas, cabines ou cancelas) entre os que pretende revisar. Segundo Haddad, o modelo foi implantado de maneira inadequada pelo governo Tarcísio em algumas estradas porque manteve praças de pedágio existentes ao mesmo tempo em que adicionou a cobrança automática. “Eu acho que o Tarcísio errou no planejamento de instalação do Free Flow”, afirmou. Para Haddad, o sistema deveria substituir as praças de pedágio, e não se sobrepor a elas.

Ao defender a revisão dos contratos, Haddad afirmou ainda que pretende recuperar recursos para recompor as contas estaduais e ampliar investimentos em áreas como saúde, educação e segurança. Segundo ele, o Estado teria passado de mais de R$ 20 bilhões em caixa para R$ 5 bilhões em caixa livre durante a gestão Tarcísio. “Eu vou ter que recuperar o caixa do Estado para promover a valorização do serviço público”, disse.

Até aqui, a corrida eleitoral paulista contou com apenas um debate com a presença de ambos os adversários, realizado no dia 9 de agosto, na Band, marcado por forte repercussão e troca de acusações.

A equipe de campanha de Tarcísio justificou a ausência alegando que a prioridade neste momento é “conciliar as agendas de candidato com a de governador” e afirmou, em nota enviada à Record, que os temas essenciais “têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha”.

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