“EUA e Israel são terroristas: alvejam civis e rompem leis internacionais”, denuncia líder do Irã na ONU

Pezeshkian mostrou a foto das 168 crianças mortas pelo bombardeio militar estadunidense contra a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, no sul do Irã, em 28 de fevereiro deste ano (AFP)

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian denunciou na Assembleia Geral das Nações Unidas os crimes de guerra praticados pelo imperialismo e por Israel, exortando os países a somarem forças em defesa da paz, da soberania e do multilateralismo

“Os Estados Unidos e Israel nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais. Eles nos atingiram e nós reagimos, mas nós nunca alvejamos civis”, afirmou o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, respondendo nesta quarta-feira (23), na Assembleia Geral das Nações Unidas, às insanas provocações do ditador estadunidense. Com um sermão fascista, Donald Trump usou o microfone da ONU para ameaçar aniquilar a nação persa e seus 93 milhões de habitantes, caso não se dobrasse às suas exigências.

De forma contundente, o líder iraniano denunciou os “crimes de lesa-humanidade”, reconhecidos pela própria ONU, assinalando que “os EUA violaram leis internacionais e que Israel alveja qualquer vizinho e comete assassinatos em Gaza, onde 85 mil civis foram brutalmente assassinados”.

Segurando a foto do funeral das 168 meninas mortas – de sete a 12 anos – pelo bombardeio militar estadunidense da Escola Primária Shajareh Tayyebeh, no sul do Irã, em 28 de fevereiro deste ano, no primeiro dia da agressão dos EUA e de Israel, Masoud Pezeshkian reiterou o seu compromisso com a paz e afirmou que sua nação jamais “poderia ser forçada a se render”. Também mostrou uma imagem do ex-líder supremo do país, Ali Khamenei, brutalmente assassinado junto com familiares na mesma data achando, em sua vã ilusão, que dobrariam o povo iraniano

Ledo engano, como ressaltou Pezeshkian ao reiterar que os agressores continuam violando o “direito internacional” ao atacarem infraestruturas civis do seu país que resiste e vence.

O presidente do Irã descreveu o tema da sessão da ONU, “Melhor Juntos: 80 Anos ou Mais de Paz, Desenvolvimento e Direitos Humanos”, como um apelo à solidariedade e a uma visão compartilhada de um futuro mais promissor.

O fundamento de todas as crenças, filosofias e tradições, assinalou, reside em um princípio moral comum: “Aquilo que você não aprovaria para si mesmo, não aprove para os outros”. Citou palavras de Jesus Cristo, “Tratem os outros como vocês gostariam que eles os tratassem”; de Maomé, o Profeta do Islã, “Nenhum de vocês é um verdadeiro crente a menos que deseje para os outros o que deseja para si mesmo”; e de um dos maiores sábios do judaísmo, Hillel, o Ancião (Rav Hillel HaZaken), da Babilônia que quando desafiado a falar a sabedoria bíblica por uma rapaz que dizia “enquanto eu conseguir ficar sobre um pé só”, lhe respondeu: “O que for odioso para você, não faça ao seu próximo. Esta é toda a Torá; o resto é comentário. Vá e aprenda”.

Assim exortou os líderes presentes a retornarem a esses valores atemporais.

SOLIDARIEDADE CONTRA O GENOCÍDIO DE GAZA, A DEVASTAÇÃO DA SÍRIA E DO LÍBANO

Referindo-se à atual ordem global, o presidente iraniano questionou: “Este é o estado do nosso mundo?”, enumerando atrocidades como o “genocídio em Gaza”, a destruição de casas no Líbano, a devastação da infraestrutura da Síria, a fome que assola crianças no Iêmen e o assassinato de cientistas iranianos. Condenou as repetidas violações da soberania, perpetradas sob o falso “pretexto de autodefesa”, que visam civis e desestabilizam regiões inteiras. Tais ações, enfatizou, representam um grave afastamento do princípio fundamental da humanidade. “Vocês tolerariam tais atos?”, inquiriu, convocando a Assembleia a reconhecer a origem das verdadeiras ameaças à paz e à segurança.

Descrevendo a “agressão selvagem” infligida ao Irã em junho por meio de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, o presidente recordou que atingiram cidades, casas e infraestrutura, classificando tamanhas agressões como “uma grave traição à diplomacia e uma subversão da paz”, pois mataram indiscriminadamente crianças, mulheres, cientistas e intelectuais. Tais violações “infligiram um duro golpe na confiança internacional e na própria perspectiva de paz na região”.

Para Masoud Pezeshkian, a menos que a comunidade internacional responda a essas violações, elas se espalharão pelo mundo. Citando o poeta e escritor persa do século XIII Saadi de Xiraz, reconhecido como um dos maiores mestres da tradição literária clássica, lembrou: “Os seres humanos são membros de um todo; na criação, uma única essência e alma. Se um membro é afligido pela dor, os outros membros permanecerão inquietos”.

Reafirmando que “o Irã nunca buscou e jamais buscará construir uma bomba nuclear”, o dirigente iraniano disse que armas de destruição em massa são proibidas por preceitos religiosos emitidos pelo Líder Supremo e pelas autoridades islâmicas. Reiterou que o Irã vislumbra um futuro em que a força seja derivada da paz, e não imposta pela força, e defendeu uma região forte, construída sobre a segurança coletiva, o respeito à soberania, a diversidade cultural e a dignidade humana.

Relembrando o poeta Saadi, Pezeshkian apontou: “Se você não tem compaixão pela dor humana, não pode ser chamado de humano”. Sendo assim, assegurou que o Irã está disposto a colaborar com nações que buscam a paz e que seu povo permanecerá firme na defesa da justiça, da dignidade e do multilateralismo.

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