Tedros Adhanom destaca mensagem do presidente brasileiro em favor de OMS forte e alerta para os riscos da desinformação e do enfraquecimento da cooperação internacional
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu ao presidente Lula pela defesa da organização e da ciência no discurso do brasileiro na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, nesta terça-feira (22).
“Obrigado, presidente, por sua mensagem clara hoje [ontem] de que uma OMS forte torna o mundo um lugar mais seguro. Seguimos comprometidos com a ciência”, escreveu Tedros nas redes digitais na terça-feira (22).
CIÊNCIA CONTRA O NEGACIONISMO
No pronunciamento, Lula relacionou a defesa da OMS ao combate à desinformação e às campanhas antivacina. “Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência”, afirmou.
O presidente brasileiro lembrou as milhões de mortes provocadas pela covid-19 e advertiu que campanhas contra vacinas estão contribuindo para o retorno de doenças que haviam sido controladas.
Na sequência, foi direto: “Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis”.
A manifestação de Tedros reforça a convergência entre Lula e a direção da OMS em torno da cooperação multilateral, da ciência e do fortalecimento dos sistemas públicos de saúde.
BRASIL E OMS PELA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
A aproximação ganhou novo impulso em junho, quando Lula e Tedros assinaram carta conjunta dirigida aos países do G7, G20, Brics e demais nações, cobrando a conclusão das negociações do anexo sobre compartilhamento de patógenos e acesso aos benefícios do Acordo sobre Pandemias.
Na carta, ambos defenderam que o mundo tire as lições da pandemia e estabeleça mecanismos capazes de acelerar a resposta internacional a futuras emergências sanitárias, com acesso mais equitativo a vacinas, medicamentos e outras tecnologias.
SUS COMO REFERÊNCIA
A relação entre Lula e Tedros também passa pelo reconhecimento internacional do SUS (Sistema Único de Saúde). Em junho, durante visita ao Brasil, o diretor-geral da OMS destacou resultados obtidos pelo país na área de saúde pública.
Segundo Tedros, o Brasil demonstrou capacidade ao se tornar o primeiro País com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do HIV. Ele atribuiu o resultado ao trabalho acumulado de cientistas, profissionais de saúde e instituições públicas.
O episódio na ONU ocorre, portanto, em meio à agenda compartilhada que envolve ciência, vacinação, saúde pública, soberania sanitária e cooperação entre países.
No discurso, Lula também defendeu o multilateralismo como instrumento para enfrentar desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais. A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro.
“OMS FORTE”
A resposta de Tedros sintetizou o principal ponto de convergência com Lula: diante de crises sanitárias globais, a cooperação internacional e a capacidade científica são apresentadas como elementos centrais da proteção das populações, em particular àquelas mais vulneráveis.
Ao agradecer publicamente ao presidente brasileiro, o diretor-geral da OMS reforçou a mensagem levada por Lula à principal tribuna diplomática do mundo: sem ciência, vacinação e instituições multilaterais fortes, a resposta internacional às próximas emergências sanitárias fica mais vulnerável.











