Durante o debate entre os candidatos ao senado por São Paulo, realizado pelo portal G1 na última sexta-feira (25), a candidata Simone Tebet (PSB), criticou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) no estado e atacou a gestão de Guilherme Derrite (PP) como ex-secretário da Segurança Pública e concorrente ao senado.
“São Paulo não pode virar um Rio de Janeiro. O PCC já está aqui, já está dentro da prefeitura, no transporte coletivo. Mas estamos agora com o CV, lá numa operação em Rio Claro, tocando o terror no interior. E nós temos denúncias gravíssimas que já chegou dentro da SSP com o ex-comandante do candidato Guilherme Derrite, que lamentavelmente não está aqui, com suspeita de envolvimento com o PCC”, disparou Tebet.
Derrite (PP) também foi convidado para o debate, mas anunciou na sexta, junto de André do Prado (PL), que não iam participar da discussão. Além de Tebet, Soninha Francine (Cidadania), Marina Silva (Rede) e Geraldo Rufino (Podemos) compareceram.
O crescimento da atuação do Comando Vermelho em São Paulo foi noticiada pelo Metrópoles no fim do ano passado. Segundo processos judiciais e boletins de ocorrências levantados, ao menos 23 cidades do estado teriam registrado a presença da facção criminosa nos últimos três anos.
Os documentos indicam a influência do CV na presença de integrantes, na atuação indireta ou até no domínio do tráfico de drogas. Entre as cidades identificadas no levantamento, a maioria se concentra no litoral norte, Vale do Paraíba e na porção leste do interior.
Ainda, sobre o ex-comandante de Derrite suspeito de ligação com o PCC, Tebet se referia ao ex-chefe da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho.
O oficial foi citado em uma investigação da Corregedoria da corporação sobre a atuação de PMs como seguranças de supostos integrantes do PCC ligados à empresa de ônibus Transwolff.
Durante o debate, Tebet também afirmou que “o crime organizado é transnacional” e deve ser tratado como uma prioridade em São Paulo. A candidata assumiu que, caso eleita, “não faltarão recursos para o próximo governador garantir a valorização dos policiais militares” e criticou o sucateamento da Polícia Civil.
“Esse debate é muito mais amplo e muito mais sério. De novo lamento que o ex-secretário da segurança pública tenha corrido e fugido desse debate tão importante, porque ele sabia que um dos temas que seriam debatidos aqui era o crime organizado. E ele tem muito a esclarecer, especialmente, sobre esse assunto”, disse a candidata.
Por fim, Tebet afirmou que o governo de São Paulo está “maquiando” números da segurança pública. “É lamentável quando a gente fala de segurança pública. O governo do Estado de São Paulo e alguns candidatos ao Senado que eu apoio falam de números, quando nós estamos falando de gente”, disse Tebet.
Na sequência, a candidata afirmou que o governo apresenta os dados de forma a minimizar a dimensão do problema. “Enquanto eles ficam maquiando e apresentando números, não é só o crime organizado como todo mundo conhece que está aqui”, declarou.










