Ataque de Flávio à CNBB no caso da Nossa Senhora foi desastroso, avaliam aliados

Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução de redes sociais)

O estrago na campanha foi tão grande que ele tentou consertar segurando uma imagem da padroeira e acabou estendendo a crise para o eleitorado evangélico que não aceita Nossa Senhora

Grupos aliados de Flávio Bolsonaro, veem como “desastrosa” a reação do senador à notícia divulgada de que apoia uma proposta para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A crise na campanha ganhou contornos dramáticos após Flávio atribuir a pessoas de dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) participação na divulgação desta notícia.

O ataque de Flávio à CNB criou um confronto com a entidade, dando munição à campanha do presidente Lula, que vem crescendo na reta de chegada. Neste mesmo período voltou à cena a fala de Flávio, feita em agosto, sobre decretar que se ele for eleito, o Brasil será o país de Cristo, uma clara contraposição ao fato de Nossa Senhora Aparecida ser padroeira do Brasil.

Numa tentativa de reverter o desgaste provocado pelo ataque à CNBB, o candidato ampliou a crise no eleitorado evangélico ao aparecer nesta segunda-feira (28) erguendo uma imagem da padroeira do Brasil ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

O temor é que Flávio Bolsonaro enfrente um desgaste tão grande como quando, em maio, foram divulgados os áudios do senador para o banqueiro Daniel Vorcaro pedindo R$ 134 milhões ao dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, um filme laudatório sobre Jair Bolsonaro. Até hoje ele não explicou o suborno milionário.

Flávio culpou a CNBB pela crise na sua campanha. A CNBB reagiu imediatamente negando envolvimento na produção ou disseminação da informação sobre a padroeira. A entidade afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e disse que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.

O desgaste obrigou Flávio a entrar na Justiça. Sua equipe jurídica recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para derrubar a associação de Flávio ou de sua família à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O pedido foi atendido pelo ministro “aliado” André Mendonça. Ao todo, a decisão determinou a indisponibilização imediata de 1.170 links relacionados nas petições e anexos do processo, desde que reproduzam o conteúdo delimitado pelo ministro. A ordem envolve publicações no X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.

Entre as publicações derrubadas estava a do humorista Antônio Tabet, cujo post dizia que a “família miliciana” havia atacado Nossa Senhora Aparecida, sem citar Flávio nominalmente. Flávio vestiu a carapuça de miliciano e pediu a censura do post do humorista. Novo desgaste. A postagem foi retirada mas foi obrigada a ser reposta.

A publicação de Tabet, feita no X, trazia uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada da legenda: “A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!” Aliados questionam até mesmo a decisão jurídica de pedir a derrubada das publicações, em especial a de Tabet, que fala em “família miliciana”, mas sem citar os Bolsonaro diretamente. Para eles, Flávio “mordeu a isca”.

Após um recurso do humorista, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou a decisão de Mendonça neste domingo (27). Nesta segunda, o ministro enviou o caso ao plenário, enquanto a equipe jurídica de Flávio apresentou um novo recurso ao ministro Luiz Fux, do STF, pedindo a suspensão da medida de Dino.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *