Escândalo: ex-sócio expõe Flávio em orgias, negociatas, rolex e “lobby” no gabinete de KN

Reprodução de Arte de Daniel Medeiros/PlatôBR

Na reportagem de Rodrigo Rangel, do site PlatôBR, o ex-sócio de Flávio, Alexandre Ferreira Dias Santini, descreve festinhas privês e orgias com a participação do candidato do PL (Leia aqui a reportagem na íntegra)

Reportagem do site PaltôBR revela o submundo dos negócios de Flávio Bolsonaro, revelados por seu ex-sócio na loja de chocolates da barra da Tijuca que, depois, passou a ser usada para lavar dinheiro do esquema de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O ex-sócio de Flávio é Alexandre Ferreira Dias Santini, um amigo do peito que o agora presidenciável alçou, quando ainda era deputado no Rio, à condição de sócio na Bolsotini Chocolates e Café Ltda, razão social da chocolateria.

ROMPIMENTO

Há uma série de elementos comprometedores para o candidato fascista que o PlatôBR revela nesta reportagem, como orgias bancadas com dinheiro de origem suspeita, mimos de luxo recebidos de parceiros lobistas e até uma operação para levar interesses de um “cliente” a Kassio Nunes Marques, ministro do STF.

Segundo O PlatôBR, o rompimento de Santini e Flávio se deu por dinheiro. O antigo amigo alegava que o senador lhe devia. A guerra, então, se instalou. O ápice foi, digamos, inusitado. Santini procurou a mulher de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, para contar detalhes do que o amigo fazia quando estava longe da família. Contar, na verdade, é força de expressão.

Além dos relatos, ele mostrou a Fernanda provas de que Flávio tinha o hábito de participar de festinhas privês com garotas de programa. Era o próprio Santini quem organizava vários desses convescotes, inclusive à custa do dinheiro que circulava com certa facilidade entre eles desde os tempos da sociedade na loja de chocolates – um dinheiro que, como mostraram as investigações do Ministério Público do Rio, depois arquivadas por decisão do Poder Judiciário, vinha das rachadinhas e de outras transações nebulosas.

O ex-sócio guardou imagens de momentos íntimos que dividiu com Flávio e com garotas de programa que costumava contratar

GAROTAS NO HYATT

A reportagem revela que por um longo período, Santini havia sido uma espécie de administrador do caixa paralelo de Flávio. Nesse papel, não apenas cuidava de despesas que o filho 01 de Bolsonaro não podia assumir diretamente como, na condição de amigo-irmão, se encarregava de tarefas pouco ortodoxas nas quais não era conveniente que um político conhecido aparecesse, como a própria organização das festinhas privês. Pois foi graças às tarefas sensíveis que executava que o ex-sócio colecionou as imagens e mensagens que, no auge da crise, levou ao conhecimento de Fernanda Bolsonaro. Eram fotos de mulheres, prints combinando encontros secretos e outras tantas evidências.

O impacto foi imediato. E brutal. A iniciativa de Santini provocou um terremoto, àquela altura, no casamento de Flávio. A confusão foi tão grande que assustou a cúpula da campanha de Jair Bolsonaro à reeleição. A turma do deixa-disso entrou em campo para segurar o ex-sócio, mas só conseguiu êxito por um período. Santini voltaria à carga logo depois, e por uma via curiosa: a própria Fernanda Bolsonaro. Ele seguia próximo à mulher de Flávio. Era paciente do consultório odontológico dela, em um centro clínico do Plano Piloto de Brasília, e nas sessões periódicas de manutenção do aparelho dentário, aproveitava para enviar recados a Flávio Bolsonaro cobrando o “acerto de contas”.

E a história não para. No arsenal de Alexandre Santini havia elementos contundentes. Como mensagens que ele enviara para uma agenciadora de garotas de programa no Rio de Janeiro combinando encontros com a presença Flávio, a quem se referia sempre como “meu filho”. Os convescotes eram, por assim dizer, coletivos, com a participação do próprio ex-sócio e, por vezes, de outros amigos da dupla que eram convidados. Junto com as mensagens de texto, havia fotos – várias delas, por sinal, impublicáveis. Santini dizia que a preferida de Flávio, ou “a namoradinha”, nas palavras dele, era a própria agenciadora.

O ex-sócio guardou imagens de momentos íntimos que dividiu com Flávio e com garotas de programa que costumava contratar

“Fala bb, tudo bem? Eu estava viajando de férias e voltei hj. Vamos marcar outra festinha igual a do grand hyatt. Com os mesmos amigos meus… meu filho + João Pedro. Vc arruma as meninas?”, escreveu Santini à agenciadora em uma das oportunidades, por WhatsApp. “Oie. Td bem? São 3 meninas então? Quando?”, respondeu a mulher. Santini forneceu os detalhes: “Vc e mais 3 meninas. Só preciso confirmar a data e horário com os amigos. Precisa ser tudo sigiloso. Pois nessa época de eleição tá Fodaaaa”. “Quer que perfil?”, a mulher quis saber. Ele, mais do que depressa, tirou a dúvida, em uma mensagem que deixa evidente que aquele tipo de encontro era algo rotineiro: “Tipo gostosa! Vc conhece o q a gente gosta. Me manda as fotos. Tem q ser novidade. Até amanhã te ligo confirmando o local e data certa. Obrigado bb”.

Antes, quando tudo ainda ia bem na relação de Alexandre Santini com Flávio Bolsonaro, as conversas dele com Fabrício Queiroz (faz-tudo de Flávio) tinham outro teor. O ex-sócio era a ponte para o operador das rachadinhas pedir dinheiro a Flávio, como mostrou uma reportagem publicada por este repórter (Rodrigo Rangel) em novembro de 2023.

A varanda do Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, em foto tirada por Santini no dia de um dos encontros privês, no começo de 2022

Sem meias palavras, reclamando que estava apertado financeiramente, Queiroz costumava pedir a Santini que lhe desse dinheiro – ou, como aconteceu ao menos uma vez, que lhe fizesse um “empréstimo” para Flávio acertar depois. Em um dos áudios, ele deixou evidente que, a partir da eclosão do escândalo, passou a receber ajuda financeira dos Bolsonaro. “Tô passando uma dificuldade muito grande, e eu tô precisando de um dinheiro, tá? Natal chegando aqui… Tô com problema financeiro mesmo, irmão. (…) Não é com migalhas que me dão aí de vez em quando que resolve a minha vida, não, cara”, queixa-se.

ACADEMIA DA MANSÃO

O dinheiro angariado nos negócios que surgiam se cruzava entre os diferentes personagens: além de proporcionar luxos e outras alegrias para os amigos, servia também para custear despesas do próprio Flávio. Foi na condição de integrante do seleto grupo de “parceiros” que Alexandre Santini guardou, por exemplo, comprovantes de que Belaciano pagou, como já revelado anteriormente, os equipamentos de academia para a casa que Flávio havia acabado de comprar em uma das áreas mais exclusivas e caras de Brasília, pelo valor declarado de R$ 5,9 milhões. As notas fiscais emitidas no ato da compra mostram que, só ali, a conta passou de R$ 90 mil.

Não era só isso. Das contas dos “amigos do Flávio” saía dinheiro para custear agrados mais luxuosos para o senador que hoje é candidato a presidente. É o caso de um relógio Rolex em ouro branco, da linha Submariner Date, que Alan Belaciano comprou para Flávio em uma loja de Brasília. A aquisição foi feita em 10 de fevereiro de 2022. A nota fiscal, emitida em nome do advogado, mostra que não era um mimo qualquer: o relógio custou R$ 305 mil. Registros guardados por Alexandre Santini, incluindo mensagens de texto, não deixam dúvidas: Balaciano pagou, mas o Rolex era para Flávio Bolsonaro.

GABINETE DE KASSIO

Numa ação para pressionar Flávio a fazer o acerto de contas, Santini diz em uma mensagem enviada a Flávio ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Kassio sobre interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso seria tocado por Alan Belaciano – aquele amigo de Flávio que havia montado o bunker no Lago Sul, o mesmo que comprou o Rolex. A “intermediação” de Flávio teria dado tão certo que até um jantar chegou a ser marcado depois, na casa, para alinhavar tudo. Inclusive com a participação do chefe de gabinete do ministro.

“Vou te passar apenas uma única informação que considero importante para vc. Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”, escreveu Santini. Procurado, o gabinete do ministro disse ser “praxe atender parlamentares de todos os partidos”, mas evitou responder especificamente sobre pedidos de Flávio Bolsonaro.

Com informações PlatôBR

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