Informação é do The Guardian. Ele devia parar de insuflar os bolsonaristas e se preocupar mais com o repúdio de quase dois terços dos norte-americanos ao seu governo
Donald Trump está todo enrolado, e em baixa, dentro de seu país, repudiado por quase dois terços dos norte-americanos, ele acha que pode dar palpite nos assuntos internos, tanto jurídicos como políticos, do Brasil.
O chefe da Casa Branca direcionou mais de US$ 1 milhão para “organizações da sociedade civil” – leia-se bolsonaristas – que contestem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. As informações sobre essa intromissão inaceitável do governante norte-americano no Brasil foram publicadas nesta quarta-feira (30) pelo jornal britânico The Guardian.
A ingerência nos assuntos do Brasil foi batizada com o nome de “Combatendo o lawfare e a censura no Brasil”. E é até irônico que o chefe de um regime que acaba de proibir a cobertura da imprensa na Casa Branca fale de censura no Brasil. Ele só aceita imprensa que o apoie. Mais do que proibir, Trump acaba de exigir que qualquer jornalista estrangeiro tenha seu perfil analisado antes de entrar nos EUA. Isto é censura descarada.
A provocação contra o Brasil às vésperas das eleições ocorre depois de uma escalada de ameaças do governo Trump ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Em julho de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu Moraes na lista de sanções da Lei Global Magnitsky, acusando-o de violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. As acusações são uma clara intromissão em defesa dos golpistas condenados.
Há informações de parlamentares dos EUA de que o chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio, teria intercedido pessoalmente para que os recursos da intromissão e do financiamento a grupos fascistas no Brasil fossem liberados. A informação é atribuída pelo Guardian à assessoria democrata no congresso americano.
Segundo uma fonte familiarizada com as negociações ouvida pelo Guardian, o Departamento de Estado formalizou a destinação dos recursos poucas horas antes do fim do prazo, em 30 de setembro, apesar das objeções apresentadas por integrantes do Congresso.
Uma assessoria democrata do Congresso afirmou que a senadora Jeanne Shaheen, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, mantinha dez bloqueios envolvendo US$ 22 milhões em projetos relacionados ao Brasil, África do Sul e Nigéria, além de programas no Reino Unido e em outros países europeus.
Segundo a senadora, as propostas apresentadas pelo governo Trump usariam “dinheiro dos contribuintes para promover organizações e programas de extrema direita em democracias consolidadas”. “Isso é um desperdício de recursos e prejudica os valores dos Estados Unidos e as relações com parceiros democráticos, incluindo aliados na Europa”, declarou.










