Emendas de Flávio abasteceram empresa fantasma, cartel de fraudes e miliciano

Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita (Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil)

O dinheiro de emendas parlamentares enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) abasteceu empresas fantasmas e envolvidas em fraudes em licitações, além de financiar a milícia por meio de projetos de fachada.

As informações são do UOL.

Em 2024, Flávio enviou R$ 3,1 milhões para o município de Mesquita (RJ), comandado por bolsonaristas.

Desse dinheiro, pelo menos R$ 666 mil foram parar no Instituto de Medicina e Projeto, considerado pela Receita Federal uma empresa “inexistente de fato”.

A Receita Federal já informou haver “razões que evidenciam que a empresa foi constituída para prática de fraude fiscal, inclusive em proveito de terceiras empresas”.

A empresa não tem site, seus e-mails não funcionam e o telefone informado à Receita não atende. Há indícios de que o dono informado legalmente é apenas um “laranja”, pois trata-se de um idoso que recebe auxílios de programas federais e morava de favor na casa de outra pessoa.

Além disso, os documentos do Instituto têm a assinatura de uma pessoa que morreu em 2017.

O Instituto Medicina e Projeto já é investigado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) há dois anos, tendo recebido R$ 580 milhões da Prefeitura de Mesquita e sido o destino final de emendas enviadas por pelo menos outros três deputados, sendo um do PL.

Outras emendas de Flávio Bolsonaro, desta vez enviadas para o Governo do Estado do Rio de Janeiro comprar coletes balísticos e outros equipamentos, foram entregues a empresas que organizaram um cartel de fraudes em licitações.

Entre maio e junho de 2026, a empresa Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil de contratos que contavam com dinheiro destinado por Flávio Bolsonaro, Daniela do Waguinho (Republicanos) e Hélio Lopes (PL), conhecido também como Hélio Negão ou Hélio Bolsonaro.

Já a Inbra-Tecnologia conseguiu receber R$ 1,1 milhão no mesmo contrato. As duas empresas foram alvo, em 2023, de uma operação da Polícia Federal que investigava a instituição de um cartel de fraudes nos contratos públicos. Isto é, as empresas controlavam e alternavam as vitórias nas licitações fraudadas.

A investigação chegou a encontrar uma mensagem indicando que o ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto, “prometeu interferir” nas licitações. A mensagem foi escrita por um oficial da reserva da Polícia Federal que dizia ter sido contratado como lobista para agir junto ao “alto escalão” do governo Bolsonaro.

Revelações recentes mostram ainda que Flávio enviou emendas para projetos de milicianos.

É o caso do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), controlado por Robson Calixto, conhecido pelo apelido “Peixe”.

.Peixe, condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, conversou com uma assessora de Flávio para conseguir acesso ao senador, com quem se encontrou.

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