Cortes na Educação geram protestos de estudantes e professores por toda a França

Estudantes ocuparam o centro das principais cidades francesas (DW)

Mais de 600 estudantes e professores são presos em confrontos com a polícia

Estudantes e professores franceses, saíram em protesto e entraram em confronto com a polícia. Manifestações que começaram na semana passada, em Paris e ganharam força por toda a França, depois do anúncio de cortes no orçamento de 2027 para educação.

Cerca de 625 estudantes e professores do ensino médio foram presos quando realizaram um bloqueio simbólico nas escolas francesas, 119 ficaram feridos quando entraram em confronto com a repressão da polícia. De acordo com o Ministério da Educação da França, mais de 400 escolas foram afetadas na terça-feira, dia 29.

De acordo a juventude francesa que está protestando, há uma detoriaração grave no ensino público: horário escolar é muito longo, as condições das salas de aula são muito ruins, salas de aula superlotadas, edifícios caindo aos pedaços e há falta de professores e funcionários nas escolas.

Em Lille, no norte da França, os estudantes entraram em confronto com a polícia. Lixeiras foram incendiadas e objetos foram arremessados contra a polícia que usou gás lacrimogêneo.

Também houve confrontos em Bordéus, Rennes e Nantes, no oeste da França e em Marselha, ao sul. Cerca de 75 escolas registraram distúrbios, em 34 houve confrontos.

No liceu Lamartine, em Paris, os estudantes seguraram cartazes com os dizeres, “Das 8h às 18h. Mais horas de aula do que de sono.”

Em Seine-Saint-Denis, o prefeito da cidade Bally Bagayoko, se juntou aos manifestantes, disse que os protestos são legítimos, cantou o hino nacional francês com os estudantes e denunciou que áreas mais pobres recebem menos recursos para educação do que as áreas mais ricas.

Criticando a agressão policial contra os estudantes, Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda, La France Insoumise (LFI, França Insubmissa), acusou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, de estar por trás da forte repressão contra os estudantes.

“Os estudantes do ensino médio que protestam são inofensivos. O governo Lecornu ordenou uma repressão. Essa brutalidade é irresponsável e tem uma clara conotação racista. Deixem nossos jovens em paz. Deixem nossos jovens em paz! Ativistas da LFI e autoridades eleitas, intervenham onde puderem!”, postou Mélenchon na redes social X.

Em uma postagem na X, Lecornu criticou as manifestações que ele chamou de “irresponsáveis”. “Fogos de artifício, incêndios, violência perto de escolas de ensino médio: nada justifica colocar em risco alunos, funcionários ou policiais”, disse.

Em tentativa de esvaziar os protestos, o primeiro-ministro francês chamou a intervenção de Melenchon chamou as declarações do esquerdista de uma “escalada irresponsável” e disse que a acusação de racismo é “um insulto”. “O dever de um funcionário eleito da república é proteger os jovens e apelar à calma. Explorar a sua raiva para fins partidários é errado”, disse, tentando abafar os justos motivos da revolta e esconder o que a gerou: massivos cortes na Educação.

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