Deputado apresenta notícia-crime e pede apuração sobre declarações do candidato; Daniel Almeida repudia ataque: “Defender a liberdade religiosa é defender um direito de todos”
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) apresentou notícia-crime contra Pablo Marçal após declarações do candidato que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e religiões de matriz africana ao “satanismo”.
“Pablo Marçal comete racismo religioso. Por isso, eu acionei a polícia para que se abra uma investigação. Não é possível que ele siga atacando as religiões de matriz africana. Outro dia, ele atacou o presidente Lula, chamando-o de macumbeiro satânico”, denunciou.
Para o parlamentar, as afirmações ultrapassam os limites da liberdade de expressão e devem ser investigadas pelas autoridades.
“Não podemos normalizar a utilização da fé, do preconceito e da intolerância como armas na disputa política. Quando religiões de matriz africana são tratadas de forma depreciativa, comunidades inteiras são atingidas”, disse.
A representação ocorre em meio à escalada de ataques de Marçal contra religiões de matriz africana. Em declarações recentes, o candidato afirmou que “se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai” e que “todo macumbeiro é um derrotado na vida”.
As declarações provocaram reação de representantes políticos e de organizações ligadas à defesa da liberdade religiosa. O Ministério Público da Bahia também instaurou procedimento para apurar possível crime de racismo religioso e requisitou a abertura de inquérito policial.
INTOLERÂNCIA E PRECONCEITO
O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) também reagiu aos ataques de Marçal e defendeu o respeito às religiões de matriz africana. Não podemos aceitar declarações que promovam intolerância e preconceito contra qualquer religião. Defender a liberdade religiosa é defender um direito de todos”, afirmou.
Para ele, a questão ganha dimensão ainda maior na Bahia, onde as tradições de matriz africana têm papel central na formação cultural e histórica do estado.
“E esse respeito precisa ser ainda maior quando falamos da Bahia, berço da ancestralidade, da cultura e da resistência do povo brasileiro, onde diferentes tradições e manifestações religiosas fazem parte da nossa história e identidade”, declarou.
Almeida também tem uma trajetória ligada ao combate à intolerância religiosa. Ele foi autor do projeto que deu origem à Lei 11.635/2007, que instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, em homenagem à ialorixá baiana Mãe Gilda.











