Professor da Uerj e dirigente do PCdoB, novo deputado federal pelo Rio defende reindustrialização, soberania nacional e projeto de desenvolvimento para o País
O professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Elias Jabbour foi eleito deputado federal pelo PCdoB-RJ com 103.219 votos, equivalentes a 1,17% dos votos válidos.
Essa foi, segundo Jabbour, uma “vitória gigantesca”, no “berço do bolsonarismo.” Ele se manifestou logo após a confirmação da vitória em fala para apoiadores logo após a confirmação do êxito eleitoral.
Em seu discurso, Elias fez uma homenagem à Palestina, vítima do carniceiro Benjamin Netanyahu. “Isso aqui é uma causa que eu vou levar para o resto da minha vida”, disse, mostrando em seu ombro o keffiyeh, lenço palestino. “Em relação à Palestina, eu não cedo um milímetro no que eu penso da Palestina”.
O deputado eleito defendeu que é preciso “reconstruir o Brasil”. “Construir um Brasil à nossa imagem e semelhança”. “O mandato que eu vou construir será um mandato à imagem e semelhança do futuro do Brasil que a gente quer
Essa vitória marca a estreia eleitoral de Jabbour na Câmara dos Deputados e reforça a bancada comunista no Rio de Janeiro, que, pela primeira vez em 32 anos, elegeu 2 deputados federais: além dele, Jandira Feghali foi reeleita, com 74.409 votos.
Doutor em Geografia Humana pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) desde 2014, Jabbour é especialista em desenvolvimento econômico e China.
Também foi assessor econômico da Presidência da Câmara, trabalhou no NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), o Banco do Brics, e presidiu o IPP (Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos), do município do Rio de Janeiro.
“UMA LUTA, UM IDEAL”
Na manifestação dele após a eleição, Jabbour agradeceu aos que participaram da campanha e destacou o caráter coletivo da vitória.
A chegada à Câmara, segundo a trajetória política dele, deve ser colocada a serviço de projeto nacional de desenvolvimento, com ênfase na reindustrialização, na ciência, na inovação e na geração de empregos.
A orientação já estava explicitada durante a campanha. “Precisamos de um projeto nacionalista, desenvolvimentista, patriótico e antineoliberal”, afirmou Jabbour em debate realizado em junho. Na ocasião, defendeu que as grandes transformações brasileiras exigem a formação de “maiorias heterogêneas”.
REINDUSTRIALIZAÇÃO COMO PRIORIDADE
A plataforma de Jabbour colocou a recuperação da indústria brasileira no centro do debate. Em entrevista durante a campanha, ele afirmou que o primeiro projeto dele na Câmara seria retomar a diferenciação entre capital nacional e estrangeiro prevista originalmente na Constituição de 1988.
“Qualquer país que se industrializa tem que diferenciar capital nacional e capital estrangeiro”, declarou. Para ele, a retomada da política industrial exige também discutir juros, metas de inflação e as condições estruturais que dificultam o crescimento brasileiro.
O novo deputado também apresentou agenda específica para o Rio. Defendeu investimentos de grande escala, integração ferroviária, fortalecimento dos polos industriais do Norte e Sul Fluminense e aproveitamento da capacidade instalada em áreas como petróleo, gás e energia nuclear.
PCdoB AMPLIA BANCADA
A eleição de Jabbour ocorre em momento de crescimento nacional do PCdoB. O partido elegeu 11 deputados federais, 5 a mais que em 2022, tendo alcançado a maior bancada nas últimas 4 eleições. Das 11 cadeiras, 7 serão ocupadas por mulheres.
No Rio, a eleição de Jabbour e Jandira Feghali representa retomada importante da presença comunista na Câmara. O resultado também dá ao partido nova voz no debate sobre desenvolvimento, soberania, indústria e planejamento econômico.
Aos 50 anos, militante do PCdoB desde os 16, Jabbour chega ao Congresso com trajetória acadêmica e administrativa incomum para estreante na política eleitoral.
O desafio dele agora será transformar o discurso de reindustrialização e projeto nacional em ação parlamentar, articulando a defesa do desenvolvimento brasileiro com a agenda do governo Lula, se reeleito for, com a disputa política no Congresso.










