Com 5 a mais que em 2022, partido alcança melhor resultado desde 2014 e terá 7 mulheres na Câmara federal a partir de 2027
O PCdoB saiu das urnas de 2026 maior e mais fortalecido. O partido elegeu 11 deputados federais, 5 a mais que em 2022, quando conquistou 6 cadeiras.
O resultado representa crescimento de 83% e é o melhor desempenho na Câmara Federal desde 2014, quando foram eleitos 10 deputados.
A nova bancada terá 7 mulheres e 4 homens, o que torna a representação feminina majoritária entre os comunistas na Câmara. Serão Daiana Santos (RS), Giovana Mondardo (SC), Jandira Feghali (RJ), Olívia Santana (BA), Alice Portugal (BA), Marcivânia (AP) e Perpétua Almeida (AC).
Completam a bancada Elias Jabbour (RJ), Daniel Almeida (BA), Márcio Jerry (MA) e Gervásio Maia (PB).
“VOLTARMOS ÀS RUAS”
Para a presidente nacional interina do PCdoB, Nádia Campeão, o resultado expressa o trabalho da bancada e estratégia eleitoral de concentração de forças.
“Esse resultado reflete a atuação combativa da bancada do PCdoB na Câmara e o acerto de nossa tática de concentração em candidaturas mais fortes, com nossa identidade partidária”, afirmou.
Nádia destacou ainda que o crescimento ocorreu “mesmo num cenário de ofensiva da extrema direita” e convocou a militância para a etapa decisiva da eleição presidencial: “É um estímulo para voltarmos às ruas neste segundo turno, continuar a luta e garantir a reeleição do presidente Lula!”
RIO RETOMA 2 COMUNISTAS
Um dos resultados de maior peso político ocorreu no Rio de Janeiro. Elias Jabbour e Jandira Feghali foram eleitos para a Câmara, algo que não acontecia desde 1994.
Jabbour, professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e especialista em desenvolvimento econômico, estreia no Congresso com 103.219 votos. Jandira, histórica dirigente comunista, conquistou o nono mandato federal.
Na Bahia, o partido elegeu 3 deputados — Olívia Santana, Daniel Almeida e Alice Portugal — repetindo o desempenho de 2010. Os 2 últimos foram reeleitos. Olívia é deputada estadual.
O PCdoB também manteve presença no Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Sul e ampliou a representação na Região Norte, com Perpétua Almeida, no Acre, e Professora Marcivânia, no Amapá. Perpétua retomou o mandato e Marcivânia foi reeleita.
MULHERES NO CENTRO
A presença feminina será uma das marcas da bancada comunista.
O PCdoB terá 7 deputadas entre os 11 representantes do partido, enquanto a Câmara como um todo elegeu 109 mulheres, 21,1% do total de cadeiras — avanço em relação às 90 da atual legislatura —, mas ainda muito distante da proporção feminina na população brasileira.
Na federação PT-PCdoB-PV, as mulheres eleitas somam 34 cadeiras, a maior parcela feminina entre as forças partidárias da nova Câmara, que tomará posse em fevereiro de 2027.
MAIS FORÇA, MAIS DISPUTA
O avanço do PCdoB ganha importância adicional porque ocorre em uma Câmara marcada pelo crescimento da direita e extrema direita. O PL elegeu 121 deputados e será a maior bancada, enquanto a federação PT-PCdoB-PV terá 82 cadeiras.
A tarefa dos comunistas, portanto, não termina na vitória eleitoral. A nova bancada chega ao Congresso com a responsabilidade de defender democracia, direitos sociais, soberania e o projeto nacional de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que enfrenta correlação de forças mais adversa.
O resultado de 2026 mostra que, mesmo sob forte ofensiva da extrema direita, há espaço para esquerda organizada, combativa e capaz de dialogar com parcelas amplas da sociedade.
O desafio será transformar os 11 mandatos conquistados em força política efetiva dentro e fora do Parlamento.










