Lula afirma que neste 2º turno vai “desnudar o herdeiro do fascismo no país”

Presidente reuniu com aliados em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert)

Presidente lembra dos projetos e políticas sociais que foram interrompidos quando Bolsonaro assumiu a Presidência da República, como a valorização do salário mínimo acima da inflação, fala da “promiscuidade” que atingiu o STF e garante que “só tem um candidato antissistema, que somos nós”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro com aliados que disputaram as eleições, hoje (5), em Brasília, afirmou que nesses 20 dias de campanha “teremos que colocar para fora aquilo que deveríamos estar colocando o ano inteiro: desnudar o que está por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo no país”, numa alusão indireta ao candidato de extrema direita, Flávio Bolsonaro, com quem disputará o 2º turno das eleições presidenciais no dia 25 de outubro.

Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de governadores, senadores e deputados eleitos, além de outras lideranças que disputaram o 1º turno das eleições, Lula falou dos riscos do país cair nas mãos, novamente, de representante do clã Bolsonaro, como já aconteceu.

“Muitas coisas que estavam planejadas foram paralisadas, como o PAC. Vocês têm ilusão de que o programa Agora tem especialistas vai continuar no governo deles. Não vai. As policlínicas, junto aos governos dos estados, os hospitais universitários que estamos fazendo para levar tratamento de câncer, que, a partir do diagnóstico, o tratamento começa em 30 dias. Se não tiver vontade política não vai acontecer e o forte deles não é cuidar da saúde do povo”, afirmou Lula, lembrando o desastre que foi o governo de Jair Bolsonaro em um setor vital para a população brasileira.

“Não é possível esse país, depois de passar 21 anos de regime militar, depois de passar a experiência negativa de um Collor de Mello, que veio para acabar com a corrupção e, em dois anos, sofreu impeachment por corrupção; esse país que teve um candidato (Bolsonaro), que ganhou as eleições contra o sistema e ele é a cara do sistema. Temos que explicar isso para a sociedade. Só tem um candidato antissistema, que somos nós, não tem outro”, enfatizou Lula.

DEFESSA DA VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO

O presidente também falou a política de valorização do salário mínimo que estabeleceu desde o seu primeiro mandato e as inúmeras vezes que ouviu, especialmente dos representantes dos bolsonaristas, que a medida causava inflação.

“Nós aumentamos o salário mínimo acima da inflação desde o primeiro mandato e não teve inflação. Estamos aumentando agora e a inflação está controlada”, alertando que é preciso ter “cuidado, pois, toda vez que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social” que pretendem acabar. “Não querem tirar o benefício dos ricos, mas, sim, dos pobres”, sentenciou.

LIBERTAR OS TERRITÓRIOS DO CRIME ORGANIZADO

Lula iniciou seu pronunciamento afirmando que está convencido de que “não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no 2º turno. Nenhuma razão econômica, social ou política, inclusive em torno de temas que parecem ser muito polêmicos, como a questão da segurança pública”.

Lembrou da decisão da Constituinte de 1988 de atribuir aos estados a responsabilidade pelas políticas de segurança pública, mas assinalou que “a verdade é que ficou claro para todo mundo hoje que o estado, sozinho, não dá conta, pois a bandidagem cresceu, o crime organizado cresceu, ficou mais sofisticado e se transformou numa indústria multinacional, que entrou no Poder Judiciário, nos partidos políticos, nos clubes de futebol, funcionando como se fosse uma multinacional”.

Lula justificou, então, diante dessa nova realidade, a decisão de encaminhar ao Congresso Nacional a PEC da Segurança Pública, “pois, até agora, a Polícia Federal só pode entrar em um estado se o crime for federal, mas, por exemplo, caso da Marielle, se a Polícia Federal não entra, não tínhamos descoberto quem mandou matar a Marielle”.

Acrescentou, ainda, que “nem sempre os governadores querem que a Polícia Federal se meta, principalmente quando se tem alguma relação com o crime organizado. No Rio de Janeiro, isso é uma dificuldade. Agora está fácil porque o governo está sob o comando do desembargador presidente do Tribunal de Justiça. Esse é um assunto que nós vamos ter que colocar na prática, pois a segurança pública tem que proteger a segurança do cidadão trabalhador, porque o bandido tem que ir prá cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar”.

“Nós não podemos continuar assistindo o povo pagando pedágio para pegar o seu gás, para as políticas públicas do estado. Agora, uma coisa é muito clara: não haverá polícia capaz de resolver o problema da segurança pública se o estado não estiver presente na comunidade levando política social. Nós temos que cuidar da escola, da saúde”, sustentou.

“O fato concreto é que, do jeito que está, não deu resultado. O crime organizado ganhou a parada. Ganhou aqui e em muitos outros países do mundo, pois está muito sofisticado”, argumentou Lula, pedindo apoio aos governadores presentes para ajudar na aprovação da PEC da Segurança Pública “o mais rápido possível, pois isso custa dinheiro, formação profissional, investimento em inteligência, e custa saber que força nacional vamos criar para colocar isso em prática”.

O presidente disse estar convencido da vitória “mostrando a biografia de um candidato e a biografia do outro” e, dirigindo-se aos governadores, lembrou que “comeram o pão que o diabo amassou” os que estavam à frente de seus estados durante o desgoverno de Jair Bolsonaro.

CONCLAMAÇÃO PARA MOTIVAR OS QUE NÃO FORAM VOTAR

Outro tema abordado por Lula foi o fato de cerca de 30 milhões de pessoas não terem ido votar.

“O que aconteceu?”, perguntou. “Possivelmente tem uma causa, o desinteresse, e a responsabilidade é nossa de devolver o interesse para eles participarem do processo eleitoral. O que não fizemos corretamente, agora temos que fazer. Esse é o desafio: fazer em 20 dias, mais rápido e mais bem feito” afirmou.

PROMISCUIDADE NO STF

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) também foi enfocada pelo presidente: “estamos carregando nas nossas costas algo muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na suprema corte brasileira.”

Depois de lembrar a primeira reforma do judiciário por iniciativa dele, falou da necessidade de “pensar em fazer outra reforma e definir o papel da sociedade. Precisamos definir como vamos escolher um ministro da suprema corte. A verdade é que ninguém está acima da lei e nem um ministro da suprema corte está acima da lei. É um tema difícil, mas necessário, pois quando a suprema corte está sob a desconfiança da sociedade, é muito grave”, afirmou.

O presidente concluiu seu discurso dizendo que não vai abrir mão, na campanha do 2º turno, do contato com o povo nas ruas, lembrando a emoção das manifestações populares antes do 1º turno das eleições, afirmando, também, que “agora é importante ter debate na televisão, pois agora é tête-à-tête”, fazendo um apelo aos que ganharam e aos não ganharam para o desafio de 25 de outubro.

E finalizou: “se preparem, porque nós vamos ganhar!”

VOTAÇÃO DO FIM DA ESCALA 6×1

Durante o evento, o ministro José Guimarães defendeu que o Senado vote o fim da escala 6×1 até esta quarta-feira (7), informando que aliados reorganizam as prioridades das próximas três semanas, e a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está no centro das discussões. O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) pautou três sessões de discussão para esta semana.

Guimarães disse que deverá falar com o senador amapaense para destravar a votação nesta semana, e minimizou a composição do Senado como fator de pressão contra Alcolumbre, que tentará a reeleição ao comando da Casa em 2027.

Participaram do encontro com Lula o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que compõe a chapa de Lula à reeleição, e os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Trabalho, Luiz Marinho; da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (SECOM), Sidônio Palmeira; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e das Relações Institucionais, José Guimarães. Também estiveram presentes os presidentes do PT, Edinho Silva; do PSB, João Campos; do PDT, Carlos Lupi; e do PSol, Paula Coradi.

A maioria dos candidatos aos governos estaduais apoiados por Lula marcou presença no encontro — tanto os vencedores, como Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, e Jerônimo Rodrigues (PT), governador reeleito da Bahia, quanto os que não lograram êxito, como Fernando Haddad (PT), que disputou o governo de São Paulo.

Entre os que disputarão o segundo turno, participaram da reunião Leandro Grass (PT), que tenta o comando do Governo do Distrito Federal, e Cadu Xavier (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte.

Senadoras eleitas e não eleitas compareceram ao encontro: Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que concorreram por São Paulo,; Leila do Vôlei (PDT), pelo Distrito Federal; e Benedita da Silva (PT), que perdeu a disputa no Rio de Janeiro; Marília Campos (PT), eleita senadora por Minas Gerais; Marília Arraes (PT) e Humberto Costa (PT), eleitos por Pernambuco; e Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), eleitos pela Bahia.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *