Bolsonarista preso por ligação com PCC recebeu R$ 500 mil do PL para campanha em SP

Danilo Morgado durante ato do bolsonarismo em Praia Grande - Foto: Reprodução

Preso desde setembro, suspeito de vínculo com o PCC, Danilo Morgado (PL) recebeu 9.145 votos para deputado estadual em São Paulo nas eleições de 2026 e ficou na condição de suplente.

A polícia suspeita que a campanha dele à Prefeitura de Praia Grande, em 2024, tenha sido financiada pelo PCC. Mesmo preso, ele recebeu R$ 500 mil do fundo especial do PL para disputar as eleições de 2026.

Morgado foi detido na Operação Vectura Corrupta, da Polícia Civil de São Paulo, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo. Ele permaneceu preso após a audiência de custódia. Além dele, a operação investiga outras 16 pessoas.

Os investigadores identificaram mensagens entre Morgado e integrantes da organização que atuavam na definição e até na interrupção de aportes financeiros destinados a campanhas eleitorais dele e de outro candidato.

O caso tramita sob segredo de Justiça, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Morgado concorreu à Prefeitura de Praia Grande em 2020 e voltou a disputar o cargo em 2024, quando não foi eleito.

Em 2023, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do registro de candidatura dele. Na decisão, o juiz Aléssio Martins Gonçalves entendeu que houve abuso de poder econômico na campanha de 2020, na qual Morgado concorreu com Indaiá Amaral Dias como candidata a vice-prefeita.

A defesa contesta a prisão na Justiça. O advogado Marcelo Viela afirmou que apresentou uma Reclamação Constitucional ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a prisão temporária. Segundo ele, a reclamação questionava a compatibilidade da prisão com os requisitos estabelecidos pelo próprio STF no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 3.360 e 4.109.

O pedido foi julgado improcedente por decisão monocrática, segundo a defesa. Viela afirma que pretende apresentar o recurso cabível para que a questão seja analisada por um órgão colegiado do STF.

Sobre as suspeitas, o advogado nega vínculo de Morgado com o crime organizado.

“Quanto ao conteúdo da investigação, os elementos apresentados ate o momento procuram atribuir a Danilo condutas supostamente praticadas por terceiros, inclusive mediante a supostas referências a fatos pretéritos dos quais ele não participou. As menções ao crime organizado e ao tráfico de drogas constantes dos autos também se relacionam a outros investigados, sem demonstração de vínculo direto com Danilo”, afirmou.

A defesa também rebate a suspeita de que a campanha de 2024 tenha sido financiada pelo PCC.

“Até o momento, não foi identificado elemento objetivo que demonstre o recebimento de recursos ilícitos, vantagem financeira, favorecimento indevido ou qualquer benefício relacionado a campanha eleitoral de 2024”, diz a nota.

A defesa afirma ainda que continuará adotando medidas jurídicas para esclarecer os fatos e que a situação de Morgado deve ser analisada respeitando o devido processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência.

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