“Para Flávio Bolsonaro, trabalhador não merece 2 dias de descanso”, afirma Marina

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Foto: Juca Varella - Lula Oficial)

Ex-ministra denuncia candidato do PL e aliados de tentarem boicotar o fim da escala 6×1. PEC prevê 40 horas semanais, 2 folgas e manutenção dos salários

A ex-ministra Marina Silva (Rede) afirmou, nesta terça-feira (6), que Flávio Bolsonaro (PL) e os aliados dele no Congresso “fizeram de tudo” para atrasar e impedir o avanço da proposta que acaba com a escala 6×1.

A declaração ocorreu nesta terça-feira, enquanto o Senado iniciou a discussão da PEC 221/19, que prevê redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e garante 2 dias de descanso por semana.

“Quem retardou foi o próprio Flávio Bolsonaro e aqueles que o apoiam dentro do Congresso Nacional. Foram eles que fizeram de tudo para protelar o avanço do fim da escala 6×1, porque, na cabeça dessas pessoas, o trabalhador não merece 2 dias de descanso”, disse Marina em entrevista ao UOL.

Segundo ela, cerca de 15 milhões de trabalhadores ainda não têm 2 dias de descanso semanal. “Não é um debate de agora. Ele vem sendo protelado por essa visão escravocrata, que acha que trabalhador não deve recuperar sua força física e emocional”, afirmou.

A sessão desta terça-feira marcou o início de 5 sessões de discussão da PEC no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que a votação em primeiro turno poderá ocorrer na próxima semana, depois do cumprimento do rito regimental.

“IDEIA CUJO TEMPO CHEGOU”

Marina rebateu a tese de que o fim da 6×1 seja pauta criada às vésperas da eleição. “Eu estava fundando a CUT quando a gente dizia que eram 40 horas semanais. Não é um debate de agora”, afirmou.

Para ela, a mobilização social foi decisiva para a aprovação da PEC na Câmara, onde o texto passou por ampla maioria: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. Entre os votos contrários estavam diversos parlamentares do PL.

“Só está sendo aprovado agora porque havia um esforço muito grande. Sempre houve do campo progressista, mas a sociedade se mobilizou”, disse Marina. Ela acrescentou: “Se não for, a sociedade se mobilizará para que seja o quanto antes porque é justo”.

A PEC prevê transição gradual: a jornada cairia de 44 para 42 horas, 2 meses após a promulgação e, 1 ano depois, para 40 horas semanais. A primeira votação no Senado poderá ocorrer, segundo o calendário anunciado por Alcolumbre, em 15 de outubro.

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