Em carta enviada ao Departamento de Estado dos EUA, um grupo de 12 deputados democratas questionaram uma série de medidas adotadas por Washington que, segundo eles, apoiam aqueles que participaram de uma “tentativa violenta de golpe” em 2022.
Diante disso, cobram explicações do governo de Donald Trump sobre tentativas de interferir nas eleições brasileiras de 25 de outubro de 2026.
O documento endereçado ao secretário Marco Rubio, nesta terça-feira (6), tem como uma das principais críticas a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Os congressistas classificam a medida como “extraordinária e sem precedentes” e afirmam que ela que pode causar uma ruptura nas relações entre os EUA e o Brasil.
Na carta, os congressistas afirmam que a retirada do visto da embaixadora seria parte do que classificam como um esforço contínuo da administração Trump para influenciar a política interna brasileira.
Os parlamentares apontam, entre os episódios que sustentam a cobrança, tarifas impostas ao Brasil, sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), contatos de integrantes do governo norte-americano com o ex-presidente Jair Bolsonaro e questionamentos sobre a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, assuntos que, sem dúvida, configuram clara ingerência nas questões internas do país.
“Essa decisão equivocada prejudica ainda mais a reputação dos Estados Unidos na região”, afirma a carta.
SUSPENSÃO DE VISTO DA EMBAIXADORA NO CENTRO DA COBRANÇA
Os congressistas perguntam por que o Departamento de Estado revogou o visto diplomático de Maria Luiza Ribeiro Viotti e questionou se a decisão teve participação direta da Casa Branca.
A medida teria ocorrido depois que o Brasil negou vistos a Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto da mesma área, todos com abertas intenções intervencionistas.
Os deputados cobram informações sobre o objetivo da viagem desses funcionários ao Brasil, quais reuniões estavam previstas e qual foi o grau de coordenação entre o Departamento de Estado e a Casa Branca e se o próprio Trump fora informado previamente sobre a retirada do visto da representante brasileira.
Os deputados perguntam se Rubio, seu vice ou qualquer outra autoridade de alto escalão do Departamento de Estado autorizou contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou representantes deles relacionados à revogação do visto da embaixadora.
DEPUTADOS COBRAM INTERFERÊNCIA NO SISTEMA ELEITORAL
“As relações entre os EUA e o Brasil devem ser baseadas no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro, e não determinadas pela torcida para que o candidato apoiado pelo presidente Trump saia vitorioso”, afirma a carta.
“Por que autoridades do Departamento de Estado buscaram examinar o sistema eleitoral do Brasil em meio a uma campanha presidencial em andamento e que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral brasileiro pode não ser confiável?”, questiona.
Os parlamentares encerraram a carta assinada por Sydney Kamlager-Dove, Gregory Meeks, James McGovern, Pramila Jayapal, Nydia Velázquez, Jonathan Jackson, Sylvia Garcia, Dina Titus, Yvette Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean, afirmando que os Estados Unidos se beneficiam quando ajudam o Brasil a fortalecer a democracia.
Os congressistas deram ao Departamento de Estado prazo até 20 de outubro para responder aos questionamentos por escrito, cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial brasileira.











