Nesta sexta-feira (9), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, anunciou investimento de R$ 40 milhões para a compra dos equipamentos de laboratório perdidos no incêndio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.
“O que estou me comprometendo desde já é com uma ajuda emergencial daquilo que correspondia ao investimento que nós fizemos em infraestrutura de pesquisa. São os equipamentos que a Finep adquiriu. […] Concomitantemente, a equipe do reitor Alfredo está reunida desde sempre fazendo levantamentos de modo a gente, na maneira mais célere possível, garantir a retomada plena da pesquisa e desenvolvimento que existia aqui”, disse a ministra.
O montante, que chega de forma emergencial através de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Tecnologia, está disponível para ser transferido à instituição. Esse valor do auxílio emergencial é o mesmo aplicado anteriormente pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na infraestrutura de pesquisa do centro.
Os equipamentos adquiridos vão dar continuidade às pesquisas que eram realizadas no prédio atingido pelo incêndio na noite da quarta-feira (7), que causou um prejuízo estimado de R$ 100 milhões, de acordo com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes.
A previsão é que o imóvel de dois pavimentos seja reconstruído, utilizando o mesmo projeto executivo de um centro de pesquisas da UFPE localizado em Sertânia, no Sertão do estado. Até que o prédio esteja pronto no Recife, os equipamentos novos vão funcionar em outros laboratórios da universidade.
Os equipamentos perdidos no incêndio eram de última geração, segundo a UFPE, e iam além de simples computadores. No local, por exemplo, funcionava um laboratório de Nível Biológico 3 (NB3), também chamado de laboratório de contenção e usado para manipulação de patógenos, como coronavírus, tuberculose, HIV, dengue e febre amarela.
De acordo com o vice-reitor Moacyr Cunha, o objetivo é que as pesquisas não parem, devido a importância social delas. Os centros pesquisavam temas como câncer, Covid-19 e o transtorno do espectro autista (TEA).
“Uma parte desses equipamentos, a maioria deles, vai ser deslocada para outros laboratórios, para continuar as pesquisas nesses laboratórios enquanto a gente consegue construir o outro [prédio]. O mais importante é não deixar essas pesquisas pararem, é dar continuidade a todos esses estudos. São estudos de décadas, é uma quantidade enorme de informações”, disse Moacyr Cunha.
NOVO CENTRO DE PESQUISAS
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou, na última quinta-feira (8), a construção de um novo centro de pesquisas da UFPE.Em entrevista coletiva, o ministro disse que o governo federal também vai repassar recursos para recomprar todos os equipamentos afetados.
“O Ministério da Educação repassará o recurso para a construção de um novo prédio, um prédio muito maior, para que as instalações, os laboratórios que estavam aqui, passem já para um novo equipamento, para um novo prédio. […] Faremos todo esse investimento com o Ministério da Saúde, com o Ministério dos Transportes e outros ministérios que também tinham investimentos aqui, todos eles estão solidários e vão fazer essa recompra dos equipamentos para que as atividades possam ser retomadas”, afirmou.
O prédio atingido pelo incêndio era a antiga sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) e abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. No início da tarde, o ministro realizou uma vistoria técnica no local, acompanhado do reitor e de pesquisadores da universidade.
De acordo com Leonardo Barchini, o projeto executivo do novo prédio está pronto e seguirá o modelo de um centro de pesquisas da UFPE localizado em Sertânia, no Sertão do estado. A obra deve custar em torno de R$ 28 milhões.
“É um prédio alto, em torno de 7 mil metros quadrados. Esse prédio aqui tinha 3 mil metros quadrados. Então, construiremos um novo prédio imediatamente, assim que a gente finalizar a questão da perícia aqui desse prédio e a investigação. Acredito que em 30 dias a gente possa começar já as obras e o recurso ser liberado para a construção desse novo prédio”, informou.
O ministro afirmou também que as bolsas dos estudantes que atuavam nas pesquisas realizadas no local serão estendidas. Além disso, ele anunciou uma parceria com universidades estrangeiras para garantir a continuidade dos estudos de alunos e pesquisadores do doutorado que estão concluindo suas teses.
“Abrimos um chamamento especial para o programa que a gente chama de PDSE, que é o Programa de Doutorado de Sanduíche no Exterior. Todos esses pesquisadores e estudantes de doutorado poderão fazer parte de seus estudos no exterior, em laboratórios na Alemanha, nos Estados Unidos, na França, em países que já se comprometeram a apoiar a Universidade Federal de Pernambuco”, afirmou.
POLÍCIA FEDERAL
Enquanto os recursos federais não chegam, uma perícia foi iniciada no edifício destruído pelas chamas. A Polícia Federal, com uso de drone e robô com câmera, conseguiu visualizar os danos dentro do imóvel. Porém, para que a equipe consiga entrar com segurança, é necessário que seja feito o escoramento do prédio.
O serviço para evitar desmoronamento e preservar a estrutura durante a perícia será feito por uma empresa já contratada pela UFPE. Segundo o reitor, será feito um aditivo ao contrato em vigor, e as intervenções devem começar em até 15 dias.
“Nós estamos em contrato com uma empresa que trabalha aqui na universidade, em um determinado contrato, e vamos fazer um aditivo no contrato da empresa para iniciar imediatamente a escora da edificação. Esses recursos, o ministério também se comprometeu em fazer, mas a escora não é um orçamento expressivo. Precisa que a empresa volte aqui para fazer o estudo de como vai proceder, para a gente fazer essa contratação emergencial. Não tem [data], mas eu creio que nesses próximos 15 dias a gente tem resolvido também isso”, disse o reitor.
Enquanto os peritos não conseguem acessar o prédio, a investigação segue por meio de dados coletados da área externa. Também são analisados arquivos de câmeras de segurança e registros de quem estava no campus na noite do incêndio, que foram fornecidos pela UFPE.
Esse foi o terceiro incêndio que aconteceu no campus Recife da Universidade em uma semana, sendo o de maior proporção.










