Investigação já havia revelado o compartilhamento de um imóvel entre o candidato da extrema-direita e o investigado por lavagem de dinheiro no esquema de fraudes contra beneficiários do INSS
Novas revelações da Polícia Federal (PF) comprovam que o candidato da extrema-direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, manteve uma conta vinculada ao perfil administrativo de acesso bancário de uma empresa do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi revelada pelo portal UOL,em reportagem publicada neste sábado (10).
Não é a primeira vez que o nome de Flávio Bolsonaro é associado às tenebrosas operações que lesaram milhões de aposentados no país, desveladas durante o governo do presidente Lula – o mesmo que ressarciu esses brasileiros dos prejuízos acumulados durante anos.
Há pouco tempo, as apurações da Polícia Federal também revelaram que o candidato bolsonarista compartilhou um apartamento do mesmo advogado Willer Tomaz, fato exposto em reportagem pela revista Piauí e confirmada pelo jornal Folha de S. Paulo no dia 17 de setembro.
O referido imóvel pertenceu antes ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.
Localizado na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, o apartamento foi comprado por Zettel em abril de 2025, por R$ 5,5 milhões. A venda à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz, ocorreu em fevereiro deste ano, por R$ 3,5 milhões.
O pastor está preso desde março deste ano. Ele chegou a transferir R$ 19,2 milhões em 26 operações para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. As informações constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado.
No caso da conta conjunta, a apuração aponta que os e-mails foram localizados em arquivos armazenados em serviço de nuvem de Tomaz, apreendidos no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga desvios que podem alcançar R$ 6,3 bilhões por meio de cobranças associativas indevidas em aposentadorias e pensões.
Segundo a Polícia Federal, a troca de mensagens com o banco Santander tratava de uma conta relacionada à Alcazar Holdings, firma sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado é sócio.
Em mensagem enviada à instituição financeira em 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou a exclusão de uma conta com a identificação “Flávio Bolsonaro” do conjunto de acessos vinculados ao chamado “usuário master” atribuído ao advogado. No mesmo dia, o banco confirmou a exclusão do cadastro. A solicitação ocorreu exatamente um mês após a deflagração da primeira fase ostensiva da operação da PF.
O sistema adotado pelo banco para contas de pessoas jurídicas permite múltiplos usuários autorizados: o perfil master detém autorização para realizar todas as movimentações financeiras, enquanto os usuários secundários operam com permissões restritas.
Conforme os relatórios da investigação, a conta com o nome do parlamentar aparecia associada ao mesmo contato administrativo em que o escritório havia pedido a inclusão da conta da Alcazar Holdings e de uma conta pessoal de Tomaz.
Em relatório citado na reportagem, a PF destacou a necessidade de aprofundar as apurações sobre o fluxo financeiro do advogado e sua relação com agentes públicos. A corporação apura se a estrutura montada por Tomaz — descrita pelos investigadores como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” que envolvia empresas, imóveis, aeronaves e operadores — também atendia aos interesses de Flávio Bolsonaro.
Além da troca de e-mails sobre a conta bancária, os investigadores identificaram que duas empresas de Tomaz em Portugal (Alcazar Holdings e Cathedral Holdings) bancaram voos em jatos executivos utilizados por Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025.
Uma das aeronaves utilizadas foi um jato Legacy 650, do qual a Alcazar possui uma cota e que também tinha entre os cotistas a empresa Prime You, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A PF apura ainda outros vínculos entre o parlamentar e os investigados pelo caso do INSS. O escritório individual de advocacia de Flávio Bolsonaro em Brasília é administrado por Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso sob a acusação de prestar serviços para Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador central dos desvios previdenciários.
Como sempre, a assessoria do senador bolsonarista negou o fato atribuindo o mesmo a interesses eleitorais, assim como o fez no caso do imóvel compartilhado com o advogado suspeito, que também contestou a reportagem.
A defesa de Willer Tomaz também repudiou a reportagem e afirmou que a conta mencionada “nunca lhe pertenceu”. Em manifestação, o advogado afirmou que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma” e disse que mantém com o parlamentar apenas relação de amizade pessoal, sem qualquer vínculo de natureza comercial ou financeira.










