50 mil protestaram na Bélgica contra os cortes orçamentários do governo De Wever na sexta-feira (9), num dia marcado por confrontos, gás lacrimogêneo e 21 prisões
Convocada pelas centrais FGBT/ABVV e Confederação de Sindicatos Cristãos (CSC), a mobilização reuniu trabalhadores e estudantes que rejeitam as medidas da mal-denominada ‘austeridade’ e alertam para as consequências na educação, nos setores de baixa renda e nos aposentados.
“Mais uma vez, querem encontrar 10 bilhões de euros roubando nossos bolsos”, resumiu em Bruxelas a manifestante Corinne ao jornal francês L’ Humanité, porta-voz dos comunistas franceses.
“As coisas estão piorando em um ritmo cada vez mais acelerado; as pessoas não aguentam mais. Assim como os professores, os alunos também percebem que as condições estão se deteriorando”, disse o dirigente sindical Luc Toussaint ao Euronews.
“Eu trabalho, mas não consigo pagar as contas”, disse Marie Gobert, mãe solteira e assistente social que veio da cidade de Namur com uma de suas filhas para a marcha.
Em meio à escalada dos gastos para a guerra ordenados pela Otan – de 2% do PIB para 5% -, o primeiro-ministro de extrema-direita mentirosamente alega que o arrocho proposto seria para “conter o aumento da dívida e dos juros” e evitar penalizar as “gerações futuras”.
Conforme o portal europeu, os sindicatos estão pressionando o governo para que aumente os impostos sobre os mais ricos, em vez de impor cortes em áreas como saúde e aumentao do IVA. Seguidas manifestações ao longo dos últimos dois anos lograram em certa medida frear o assalto aos direitos da população.
Os protestos desta sexta-feira interromperam o transporte público e voos, além de afetarem escolas e creches. Eestudantes exibiram faixas defendendo a educação como um direito universal. Pequenos grupos reagiram aos canhões de água da polícia.
“Dá para sentir a tensão social; dá para sentir a raiva começando a ferver por toda parte”, disse ainda Gobert. “O sistema educacional está sendo desmantelado e, quando os jovens querem se manifestar, ninguém os ouve.”
Ela acrescentou que os custos escolares aumentaram, assim como o preço do transporte público e das passagens de trem. “Acho que nunca estive tão ansiosa com todas essas medidas que estão dificultando meu dia a dia”.
A rebelião estudantil na vizinha França repercutiu intensamente na região de fala francesa da Bélgica.
Particularmente forte em Liège, o movimento, que já resultou em 200 prisões desde 1º de outubro, afeta a Valônia e, em menor escala, Bruxelas, duas regiões onde a educação é organizada pela Comunidade Francesa da Bélgica, que enfrenta um grande déficit orçamentário e está realizando inúmeros cortes, inclusive na educação.
Na Valônia, assim como em Bruxelas, as escolas de ensino médio estão sendo atingidas indiscriminadamente por medidas de arrocho. A indignação vem crescendo desde a primavera passada, embora na época tenham sido principalmente os professores que se mobilizaram, levando à suspensão das aulas em muitas escolas de ensino médio.
Entre os professores, o protesto decorre da adição de duas horas extras de aulas sem aumento salarial, enquanto entre os alunos, é resultado de diversos fatores: o anúncio de redução nos orçamentos para refeições e materiais escolares gratuitos, por um lado; o anúncio de aumento da “minerval” – as mensalidades escolares – que subiram para 1.200 euros para mais da metade dos futuros alunos, um aumento de quase 400 euros, por outro; e, finalmente, a eliminação do passe anual de transporte público de 12 euros para menores de 26 anos, que agora terão que pagar 180 euros.











