Rogério Tomaz Jr. foi barrado pelo governo argentino de entrar no país ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, nesta segunda-feira (12), e teve a residência cancelada por suas críticas ao governo entreguista. “É uma perseguição política contra a democracia”, condenou o jornalista
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, devido às suas críticas ao governo de Javier Milei. Preparando um livro sobre a tragédia política e econômica em curso no país vizinho, o escritor teve a residência permanente cancelada e recebeu uma proibição de reingresso na Argentina por cinco anos.
“Fui ao escritório de Imigração e tive uma surpresa muito desagradável ao chegar lá. Apresentei meu documento de identidade de residente argentino. Lá, fui avisado de que estava passando por uma fiscalização. Fui até o local. O processo levou uma hora, até que me informaram que meu visto de residente havia sido cancelado em 5 de agosto”, informou o jornalista.
Segundo relatou, a expulsão se deu apenas alguns dias depois do embate com os “trolls” — mercenários na internet que publicam mensagens falsas, provocativas ou ofensivas para desestabilizar ou atrair atenção negativa de outras pessoas — favoráveis a Milei. “Não me avisaram, não me notificaram de forma alguma. E eu recebo notificações do governo. Eles têm meu contato. Poderiam ter me avisado”, protestou. O fato, disse ele, é que a ausência de notificações tinha um objetivo: “Esperaram que eu chegasse lá para poder ter essa foto do jornalista que criticou Milei sendo expulso do país”.
VERGONHOSA MANIPULAÇÃO DA DIREÇÃO NACIONAL DE MIGRAÇÕES
Manipulando a Direção Nacional de Migrações (DNM), cuja resolução foi assinada em 5 de agosto de 2026, o desgoverno argentino proibiu seu ingresso citando o artigo 62 da Lei de Migrações, que permite cancelar a residência quando “as condições de sua concessão são descumpridas”. O argumento oficial é que o jornalista não residiria regularmente no país desde 2022, fato completamente desmentido pela permanência e pelas constantes viagens.
Contestando a alegação do governo, Tomaz recorda que continuou viajando à Argentina e que, somente em 2026, passou 36 dias no país, fazendo reportagens para o livro que tem publicação prevista para fevereiro de 2027.
“Estive lá em julho; fui assistir à final da Copa do Mundo com amigos. Naquele momento, tive um embate nas redes sociais com o pessoal do Milei, com Pablo Carreira”, diretor digital do governo, que gerencia a conta “Juan Doe” nas redes sociais e está à frente da conta do X “Escritório de Resposta Oficial” do governo.
“E, alguns dias depois desse embate, uma van do órgão de Imigração foi até onde eu morava e perguntaram por mim. Foi aí que o sinal de alerta acendeu. Tive um embate com o pessoal do ‘Carajo Stream’ (canal argentino de transmissão streaming de orientação pró-estadunidense). E, poucos dias depois, uma van da Imigração foi ao local onde eu morava”, explicou.
De acordo com o brasileiro, perguntaram por ele como se fosse uma verificação de permanência. “Não denunciei o caso porque há terceiros envolvidos e temo pela segurança deles. Não tomei nenhuma medida legal. Estou analisando o que posso fazer”. “E, poucos dias depois, em 5 de agosto, revogaram meu status de imigrante. O que aconteceu foi apenas o desfecho que eles aguardavam para conseguir a foto. Não divulguei isso até ontem porque é algo grave e envolve terceiros”, comentou.
Por fim, assinalou Tomaz, “agora que meu status foi revogado, estou falando sobre isso, inclusive para mostrar que a situação é política: uma perseguição política”, atentado contra a democracia. “É algo muito grave contra alguém que viveu na Argentina, país que também considero minha casa”, concluiu.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) repudiaram a deportação e manifestaram solidariedade ao profissional, apontando violação à liberdade de imprensa.
O caso ocorre em um contexto de crescente tensão entre o governo Milei e os meios de comunicação. Em abril, jornalistas credenciados foram barrados na Casa Rosada em medida considerada inédita. Já a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) contabilizou 1.674 publicações hostis à imprensa na conta de Milei no X em 47 dias, entre abril e maio de 2026.











