Após confirmação do presidente, candidato do PL recuou; na véspera, afirmou que não compareceria ao confronto de domingo (18)
O velho ditado de que o que se fala não se escreve cai, mais uma vez, como uma luva na figura do candidato da extrema-direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Foi assim quando negou encontros pessoais com o ex-banqueiro e presidiário Daniel Vorcaro, desnudados depois da revelação dos áudios dos diálogos em que o bolsonarista se dirigia ao então dono do banco Master como “meu irmãozão”, suplicando R$ 134 milhões para financiar a cinebiografia do pai.
Foi assim, muito recentemente, quando afirmou que votaria contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue com a escala de trabalho escravocrata 6X1, com redução de jornada, sem alteração nos salários. Bastaram a cobrança de Lula e a pressão da sociedade para o candidato anunciar seu voto à favor, escamoteando o movimento, incentivado por ele, de sua equipe econômica para informar ao chamado “mercado” que, se eleito, faria a revisão da proposta constitucional. Coisa de trapaceiro e traidor, nada mais.
Agora, vem a informação de que Flávio Bolsonaro, preocupado com a repercussão do fato, recuou de decisão anterior e afirmou que vai participar do debate da Band, marcado para domingo (18). A mudança de postura aconteceu depois que o presidente Lula confirmou presença no confronto.
Na terça-feira (13), o candidato do PL havia dito que não pretendia comparecer ao encontro. Na manhã desta quarta-feira (14), porém, publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que estará no evento e desafiou o adversário a comparecer.
“É claro que eu vou ao debate, só queria que você confirmasse”, tergiversou o bolsonarista, dirigindo-se a Lula. A declaração contrasta com a que havia falado na véspera, quando afirmou que sua presença na Band não estava prevista e que a decisão sobre participar ou não do último debate, organizado pela TV Globo, caberia à equipe técnica de sua campanha.
No vídeo publicado no Instagram, Flávio Bolsonaro tentou, inutilmente, atribuir ao presidente a responsabilidade pela indefinição. “Bastou falar que não ia no debate da Band pra você, no minuto seguinte, falar que vai no debate”, afirmou o candidato que tudo fez para evitar o debate, pois, ele sim, será confrontado em suas “mentiras e medos” que atribui à campanha de Lula. Afinal, quem já anunciou um corte de R$ 250 bilhões no Orçamento, não dos juros, que remuneram os banqueiros, mas, certamente, do salário-mínimo e das aposentadorias, que correm risco de ficarem, novamente, congelados, como aconteceu no trágico governo de seu pai, e nos diversos programas e ações sociais.
A mudança de posição ocorreu depois que Lula confirmou participação no encontro e cobrou a presença do adversário. O presidente afirmou que o debate seria uma oportunidade para que os eleitores conhecessem as diferenças entre as duas candidaturas e seus programas de governo.
A Band havia informado que manteria o debate mesmo se um dos candidatos faltasse, deixando o púlpito do ausente vazio. O programa será ao vivo, no domingo 18, às 20h, e será transmitido pela Band e pelas TVs Gazeta, Cultura, Jovem Pan e pelos meios digitais do jornal O Estado de S. Paulo.
O encontro da Band será o primeiro confronto previsto entre os dois desde o início da campanha eleitoral. O último acontecerá dia 23 de outubro, na TV Globo.











