Campanha do bolsonarista pede bloqueio de 32 perfis e remoção de 221 publicações. Ação inclui críticas às propostas do candidato e levanta alerta sobre liberdade de expressão e organização política
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) levou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ação de 197 páginas para suspender perfis nas redes, retirar publicações e restringir novas manifestações de artistas, parlamentares, sindicatos e veículos de comunicação durante o segundo turno.
Protocolado em 8 de outubro, o pedido mira 32 contas do Instagram e 221 publicações, além de solicitar o monitoramento de outros perfis. Verdadeira caça às bruxas.
Entre os alvos estão a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o coletivo artístico 342 Artes, a Mídia Ninja, o site Pragmatismo Político e parlamentares como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Duda Salabert (PSol-MG), Rogério Correia (PT-MG) e Leonel Radde (PT-RS).
A campanha do bolsonarista de censura questiona conteúdos que considera falsos ou descontextualizados, incluindo críticas às propostas econômicas e trabalhistas de Flávio.
CRÍTICAS SOB SUSPEITA
A amplitude da ação preocupa especialistas porque parte das publicações contestadas não é classificada pela própria campanha como falsa. O advogado Lucas Mourão criticou o que considera tentativa de interditar o debate político por meio de sequência de processos judiciais.
“Causa certo espanto observar uma candidatura erguer uma verdadeira ‘linha de montagem’ processual”, afirmou Mourão, ao alertar para o uso de pedidos de bloqueio de perfis sob o argumento de combater a desinformação.
Em análise publicada pelo UOL, juristas também questionaram a tentativa de impedir preventivamente novas publicações.
Para o colunista João Paulo Charleaux, a Justiça Eleitoral deve agir sobre conteúdos comprovadamente falsos, e não proibir antecipadamente manifestações de determinados perfis.
CONTRADIÇÃO POLÍTICA
A ofensiva contrasta com o discurso da campanha de Flávio, cujo programa promete “tesouraço na censura” e critica iniciativas estatais de combate à desinformação. Ao mesmo tempo, a candidatura busca restringir a circulação de conteúdos críticos a seu projeto político.
O TSE ainda não havia decidido o pedido até a publicação desta. A disputa coloca em jogo não apenas a remoção de conteúdos específicos, mas também os limites da liberdade de expressão e da organização da sociedade civil durante a eleição.
Combater desinformação é legítimo; transformar críticas políticas em motivo para suspender perfis inteiros, sem demonstrar a necessidade e a proporcionalidade da medida, pode abrir espaço para restrições indevidas ao debate democrático e público.










