Comparsa de Flávio Bolsonaro é preso por ligação com Milícias e Comando Vermelho

Flávio Bolsonaro e seu comparsa Mácio Canella - Foto: Reprodução/Instagram

Deputado foi preso pela PF durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne. Quadrilha movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos

Um dos maiores aliados de Flávio Bolsonaro na política do Rio de Janeiro, o deputado estadual eleito Márcio Canella (União), foi preso na manhã desta quinta-feira (15) na 8ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal. Ele foi eleito como o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro nas Eleições 2026, com 197.178 votos no estado. 

Antes disso, Canella exerceu o mandato de prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, cargo para o qual foi eleito em 2024. Ele renunciou no começo deste ano, com o objetivo inicial de concorrer a uma vaga ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro. A mãe do 01, Rogéria Bolsonaro, seria suplente da chapa de Canella.

A chapa, no entanto, foi alterada em julho deste ano, quando Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma na 6ª fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, policiais federais encontraram um fuzil no carro dele. Canella afirmou que a arma não lhe pertencia.

Inicialmente, Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão na operação, que investigava uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro, com a suposta anuência de políticos.

A operação desta quinta também investiga conexões de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro. Ele saiu do condomínio conduzido por policiais federais e usando um guarda-chuva para esconder o rosto.

O ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, foi preso na mesma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (15). Além dos dois, outros quatro homens foram presos.

Além de prefeito, Márcio Canella já exerceu diversos outros cargos no poder público de Belford Roxo, como secretário municipal de Casa Civil do município, vereador e vice-prefeito da cidade na gestão Waguinho. 

Antes de ser eleito para a nova legislatura, ele já havia sido deputado estadual por outros dois mandatos na Alerj.

Canella, Flávio e Rogéria Bolsonaro e Douglas Ruas no lançamento da campanha de Flávio à presidente – Foto: Reprodução

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Segundo a Polícia Federal, o deputado estadual Márcio Canella é o principal articulador político da organização criminosa investigada por supostos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, cartel no setor de combustíveis e infiltração em órgãos públicos. A organização movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos.

As conclusões constam na representação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual a PF pedia a prisão preventiva de Canella e de outros 5 investigados. Entre eles, o ex-secretário da Polícia Civil do RJ Marcus Amim. Segundo a corporação, Canella ocupava uma posição estratégica dentro da estrutura investigada, funcionando como ligação entre o núcleo político, o setor econômico ligado a postos de combustíveis e integrantes apontados como membros da organização criminosa. A PF afirma que ele era o “patrono político e articulador de alto escalão” do grupo.

ANATOMIA DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA:
ESQUEMA DE CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO

O esquema é dividido em três núcleos principais, interligados por fluxos de influência, dinheiro e força.

1. NÚCLEO POLÍTICO E INSTITUCIONAL (COMANDO E INFLUÊNCIA)
Este é o topo da organização, responsável pela articulação e proteção institucional.

  • Márcio Canella: O patrono e articulador do esquema.
  • Marcus Vinicius Amim: Operador institucional e de bilhagem. É o responsável por aliciar agentes públicos da Polícia Civil, polícia científica e outros órgãos, oferecendo vantagens financeiras em troca de proteção.
  • Pablo Russo: Responsável pela gestão operacional de fato. Coordena as práticas criminosas e garante que os agentes públicos cumpram as ordens do chefe do esquema.
  • Este núcleo recebe “Suporte de Infra” e emite “Indicações Eleitorais”.

2. NÚCLEO ECONÔMICO-FINANCEIRO (A “LAVANDERIA”)
Responsável por movimentar e dissimular os recursos financeiros.

  • Luana Oliveira e Luisi Pinho: As “lavadoras” milionárias. Encarregadas de movimentar mais de 20 postos de gasolina, supermercados e postos de lavagem, totalizando a movimentação de R$ 20 milhões em 2024.
  • Fernanda Rangel e Andreia Santos: Operadoras de fachada. Encarregadas de abrir as contas bancárias e realizar as movimentações financeiras necessárias para dar aparência lícita aos recursos obtidos por meio de corrupção.
  • Vitor Corrêa Pinho: Pica-chave na organização. Utilizava a estrutura de um posto de gasolina para movimentar os R$ 100 milhões da ORCRIM, em espécie, ao longo de 2025.
  • Hugo Canelão e Renato Gouveia: Administradores e fiscais. Gerenciam as coletas dos postos, controlando a entrada e saída de valores em espécie, para que não haja conflitos com os gerentes das unidades.

3. ESTRUTURA DE APOIO E LOGÍSTICA

  • Rede de Postos de Gasolina: Utilizada como fachada e para movimentação de valores.
  • Equipe de Apoio Logístico e Contábil: Auxilia na movimentação e dissimulação dos valores, fornecendo suporte operacional e contábil para manter a operação de lavagem.
  • A JM Oil: Empresa central no fluxo financeiro do esquema.

TOTAL MOVIMENTADO EM ESPÉCIE (2023-2025): R$ 100 MILHÕES

  • Fernanda Rangel: R$ 109.456.056,00
  • Andreia Santos: R$ 4.802.400,00
  • Luana Oliveira (Movimentação): R$ 90.200.000,00
  • Marcio Amim (Empresa): R$ 91.000,00

4. NÚCLEO DE CONTROLE TERRITORIAL (FORÇA E COERÇÃO)
Responsável por garantir a proteção armada e o domínio de áreas.

  • Jura (União Alvo Principal): Mãos armadas e coação. Milícia comandada por Jura que garante a proteção armada e o controle territorial, além de exercer coação física para estabelecer a autoridade do grupo em áreas estratégicas.
  • Conexão com o Comando Vermelho: Acordo de não agressão e colaboração mútua para a divisão de territórios e troca de favores, fortalecendo a atuação do grupo e evitando confrontos.

FLUXO DO ESQUEMA:
O esquema funciona de forma hierárquica: o Núcleo Político articula e protege, o Núcleo Financeiro lava o dinheiro através de empresas de fachada (como postos de gasolina e a JM Oil), a Estrutura de Apoio dá suporte logístico e contábil, e o Núcleo de Controle Territorial garante a força e a impunidade através de milícias e alianças com facções criminosas.

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