“Não resta mais nenhuma dúvida para a maioria do povo que o ‘coach’ de Flávio no Brasil mentiu sobre os planos secretos que o governo tinha para derrotar a Rússia como caminho para enfrentar a seguir a China, e por conta das mentiras sofreu enorme desgaste com o fracasso militar”
EUGENE WEBB *
Em 28 de outubro de 2024, uma semana antes das últimas eleições presidenciais, Trump afirmou no Madison Square Garden em Nova Iorque que “Eu estou aqui hoje com uma mensagem de esperança para todos os americanos. Com o seu voto nesta eleição, eu acabarei com a inflação. Eu acabarei com a invasão de criminosos no nosso país. E eu trarei de volta o sonho americano…. Nosso país será maior, melhor, mais rico, mais seguro e mais forte que nunca. Esta eleição é uma escolha entre se teremos mais quatro anos de incompetência e fracasso ou se iniciaremos os maiores quatro anos da história do nosso país…. Teremos a economia mais forte, as fronteiras mais seguras, os mais poderosos militares, os melhores acordos comerciais, e dominaremos as fronteiras da ciência, da medicina, dos negócios, da tecnologia e do espaço.”
Na campanha presidencial de 2024 prometeu que as condições de vida da classe trabalhadora melhorariam muito no seu segundo mandato, porque a América voltaria a ser grande de novo (MAGA, em inglês), o país se reindustrializaria e bons empregos voltariam para os Estados Unidos. Ele nunca perdeu a oportunidade de acusar os democratas, o presidente Biden principalmente, de terem causado a perda da soberania e hegemonia do país.
Em outubro de 2026 já podemos fazer um balanço parcial do que foi feito até agora e não há como avaliar que o ditador falastrão concorre para ser o rei do estelionato eleitoral, já que boa parte do que prometeu e não cumpriu é visto pela maioria da população como mentiras repetidas cada vez de forma mais grosseira e completamente contrárias ao que os americanos vivem no dia a dia.
Pesquisas de opinião recentes de vários institutos de pesquisa apontam que cerca de 60% dos entrevistados não aprovam o governo Trump 2.0, Entre os eleitores independentes a aprovação cai para 21%, segundo recente pesquisa Reuters/Ipsos. Uma proporção ainda maior não concorda com os rumos da economia, em particular o aumento dos preços do diesel e da gasolina, que afetam os preços dos gêneros alimentícios e de grande parte dos produtos de primeira necessidade consumidos pela população. A taxa de inflação no mês de setembro chegou a 3.7%, em crescimento desde o mês de junho, conforme a figura abaixo deixa claro.

Poucas vezes na história dos Estados Unidos a ligação entre as políticas externas e internas do império tenha ficado tão clara para o povo estadunidense. Em vez de paz e prosperidade no mundo, Trump iniciou a “guerra escolhida” contra o Irã, com baixo apoio popular, diferentemente da guerra do Vietnã ou do Iraque, apoio que diminuiu rapidamente nos últimos meses quando ficou óbvio para quem quiser ver que o aumento da inflação tem tudo a ver com o fechamento do Estreito de Ormuz e a redução drástica do suprimento de petróleo, gás natural, fertilizantes, e outros produtos químicos essenciais para diversos setores da economia.
No dia 9 de outubro Trump anunciou que teve “uma discussão muito bem sucedida com o Presidente da Rússia Vladimir Putin” na qual concordaram que a Rússia “suprirá imediatamente mais de 300.000 toneladas de diesel para o mercado americano e global.” Em seguida, a Rússia fornecerá mais 500.000 em novembro e um milhão de toneladas logo depois. Então, dependendo das condições das refinarias, “em um curto período de tempo mais três milhões de toneladas de diesel serão fornecidas.” Segundo o mentiroso contumaz, os EUA têm total controle do Estreito de Ormuz e os preços do óleo diesel cairão em números recordes em breve. Até a grande imprensa controlada pelos oligopólios tem divulgado a verdade de que nem os Estados Unidos têm total controle do Estreito, nem os preços do óleo diesel cairão rapidamente.
Outro aspecto da política externa é que Trump havia prometido aos membros do movimento MAGA que acabaria com a guerra na Ucrânia em semanas, mas logo depois de eleito, forneceu grande apoio militar e financeiro para o ucraniano fascista de carteirinha Zelensky, e segue envolvido até o pescoço com a tentativa do chamado Ocidente Coletivo de desmembrar a Rússia em vários países menores para saquear as suas enormes riquezas. Não resta mais nenhuma dúvida para a maioria do povo que ele mentiu sobre os planos secretos que o governo tinha para derrotar a Rússia como caminho para enfrentar a seguir a China, e por conta das mentiras sofreu enorme desgaste com o fracasso militar e com a ineficácia das inúmeras sanções que o governo decretou. Grupos de oposição a Trump denunciam que a política de apoio à guerra da Ucrânia aumenta o déficit público e desvia verbas de programas sociais para encher o bolso dos magnatas do complexo industrial militar.
Muito do que Trump prometeu de bom para o país ele não cumpriu, mas continua tentando enganar o eleitorado com chavões e declarações cada vez mais absurdas, que revelam desespero e até sinais de doença mental, como mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América, ou sugerir que o Canadá se tornaria um novo estado dos EUA. Porém, muito do que prometeu de ruim, cumpriu com razoável sucesso, como deportar imigrantes indocumentados, demitir funcionários públicos, ou perseguir os opositores do genocídio de Gaza, entre outros exemplos do neofascismo com características estadunidenses.
Em pouco menos de três semanas os eleitores irão votar contra ou favor de Trump. Do jeito que anda a carruagem pode haver um tsunami de votos para os democratas, de acordo com os mais otimistas, ou uma votação não tão grande, para os menos otimistas, mas que de qualquer forma mudará a correlação de forças no Congresso a favor do partido democrata. É esta figura desgastada que está se metendo na eleição no Brasil. Tudo indica que ocorrerá em novembro o mesmo que dizia o presidente Clinton para o presidente Bush na eleição de 1992: “É a economia, estúpido.”
* Eugene Webb é professor em Massachusetts e colaborador do HP nos EUA










