China exige de Israel fim da ocupação na Cisjordânia e acesso livre a Gaza

Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China. (foto: Jessica Lee/Pool/AFP)

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, exigiu ao presidente de Israel, Isaac Herzog, uma mudança radical em relação à Palestina, durante um encontro bilateral realizado no último dia 15.

O chefe da diplomacia chinesa pediu uma melhoria urgente da situação humanitária na Faixa de Gaza, bem como o fim da expansão dos assentamentos ilegais na Cisjordânia, conforme informou o South China Morning Post.

“A prioridade imperativa é abrir completamente as rotas de acesso a Gaza. Dois milhões de civis não podem ser deixados à beira da sobrevivência, nem podemos permitir que essa catástrofe humanitária se alastre”, afirmou Wang, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China divulgado na sexta-feira (16).

O jornal chinês detalha que a reunião, realizada em Baku, Azerbaijão, no contexto da Conferência sobre Interação e Medidas de Confiança na Ásia, ocorreu a pedido do lado israelense e representa o principal encontro entre Pequim e Tel Aviv desde 7 de outubro de 2023 quando eclodiu a mais recente agressão de Israel a Gaza.

“MAIOR INJUSTIÇA DESTE SÉCULO”

O direito internacional considera ilegais os assentamentos na Cisjordânia, território que Israel ocupa desde 1967. Apesar disso, eles continuaram a aumentar ao longo do tempo e a gerar disputas quanto ao território que deve compor o Estado palestino — uma iniciativa apoiada pelas autoridades chinesas.

Wang classificou a questão palestina como “a maior injustiça histórica deste século” e destacou que a solução de dois Estados continua sendo o único caminho possível para resolver o conflito.

Essa proposta, apoiada pela maioria dos países que integram a Organização das Nações Unidas, prevê que a Palestina seja um Estado independente de Israel, com base nas fronteiras anteriores a 1967 e tendo Jerusalém como capital.

Durante a reunião de quinta-feira, Wang invocou a memória do falecido pai de Herzog, Chaim Herzog, que foi o sexto presidente de Israel e desempenhou um papel fundamental no estabelecimento de relações diplomáticas formais entre os dois países, tornando-se o primeiro chefe de Estado israelense a visitar a China em 1992.

À margem da Conferência, Wang conversou com sua homóloga palestina, Varsen Aghabekian. O alto funcionário reafirmou o apoio de seu país à causa palestina e incentivou Aghabekian a buscar mais apoio internacional para concretizar a solução de dois Estados.

ISRAEL NÃO RESPEITA O CESSAR-FOGO

O número de mortos na guerra travada pelas forças de ocupação israelenses contra a Faixa de Gaza subiu para 74.469 e o de feridos para 175.492 desde 7 de outubro de 2023, segundo dados citados neste sábado por agências das Nações Unidas com base em informações das autoridades da Saúde de Gaza.

As mesmas fontes indicaram que, desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro de 2025, longe de parar, o número de mortos aumentou em mais 1.511, com 5.375 feridos, enquanto 838 corpos foram recuperados. Especificaram que muitas vítimas ainda estavam presas sob os escombros ou nas estradas, pois as equipes de resgate não conseguiam chegar até elas.

Quase todos os 2,1 milhões de habitantes de Gaza permanecem deslocados, com vastas áreas do enclave reduzidas a escombros e a região registrando a maior proporção de crianças amputadas em todo o mundo.

Um cessar-fogo alcançado em outubro do ano passado aliviou um pouco a situação, mas, segundo a ONU, os ataques mortais quase diários persistiram.

JORNALISTA DO W. POST É ESPANCADA POR ISRAELENSES

Mostrando claramente que os seguidores de Netanyahu estão longe de respeitar os direitos básicos na região, colonos israelenses espancaram gravemente a fotojornalista do jornal norte-americano Washington Post, Heidi Levine, de 63 anos, durante ataques generalizados a trabalhadores palestinos da colheita de azeitonas em aldeias a leste e norte de Ramallah, na sexta-feira (16). As agressões deixaram vários palestinos feridos.

Soldados do Exército de Israel apoiaram os atacantes que queimaram veículos e oliveiras, roubaram plantações e expulsaram agricultores de suas terras e também dispararam munição real e gás lacrimogêneo contra palestinos, causando dezenas de casos de asfixia, relatou o movimento internacional humanitário Crescente Vermelho.

Levine sofreu fraturas e ferimentos após ser repetidamente agredida com porretes e chutes, arrastada pelo chão e ter seus equipamentos roubados, informou o jornalista independente Jasper Nathaniel que cobre a ocupação israelense da Cisjordânia.

Após o ataque, Levine foi hospitalizada em Ramallah. “Não entendo como os pais podem criar monstros assim”, constatou a jornalista. “Sim, eles são terroristas judeus e estão dando a todos neste país [Israel] uma péssima reputação… E não serão processados. Tenho certeza disso”, frisou.

O Washington Post condenou o ataque à sua fotógrafa. “Ela usava crachás visíveis que a identificavam claramente como jornalista”, afirmou o Post em comunicado. “Estamos indignados com este ataque injustificado a uma jornalista que estava fazendo seu trabalho”, acrescentou, exigindo “uma investigação completa e a devida punição por parte das autoridades”.

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