Em Marabá, Flávio desenterra o ‘passar a boiada’ e promete ‘terra sem lei’ nos biomas brasileiros

Flávio promete terras para grileiros (reprodução)

Ele foi ovacionado por grileiros e garimpeiros ilegais. Disse que vai derrubar qualquer entrave ambiental. “Você vai fazer o que quiser na sua terra”, disse

Em discurso no Pará, nesta segunda-feira (19), o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsoaro prometeu acabar com ‘entraves ambientais’ e disse que produtor poderá fazer ‘o que quiser’ em sua terra no Pará. É o “liberou geral” para grileiros e todo tipo de milícias do campo.

Olhando nos olhos dos grileiros, ele prometeu: “Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu”. “A sua terra vai ser sua no papel”, garantiu.

“Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar”, acrescentou.

A expressão “passar a boiada” é uma referência a Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente, em 22 de abril de 2020, durante uma reunião ministerial do governo de Jair Bolsonaro. Ele disse na ocasião que o governo devia aproveitar o período em que só se falava em pandemia, para “abrir a porteira e passar a boiada”, numa referência ao desrespeito completo aos entraves ambientais.

Este mesmo ministro foi acusado de ter ligações com madeireiros ilegais e contrabandistas da matéria-prima. Ele era um defensor ferrenho dos criminosos do campo. Flávio só está repetindo que vai fazer a mesma coisa se for eleito.

O discurso de Flávio foi recebido com entusiasmo por latifundiários, garimpeiros ilegais, traficantes e grileiros de terra que não respeitam nenhum limite em sua ganância desenfreada por enriquecimento rápido e a todo custo. Eles não respeitam nenhuma legislação ambiental nenhum direito social e viram em Flávio um cúmplice para seus crimes.

Essa presença de Flávio em Marabá teve como objetivo prometer a seus “aliados” da região a decretação da lei da selva no norte do país. É um verdadeiro alvará para a violência e a morte de comunidades indígenas e comunidades tradicionais. O candidato fascista deu a senha aos criminosos. “Vocês vão fazer o que quiserem. Não haverá mais entraves ambientais”.

Ele acenou com a derrubada das regras ambientais e fundiárias no estado que tem forte presença de terras indígenas, unidades de conservação, áreas federais e que são marcadas por conflitos fundiários. Ou seja, ele quer incendiar o país e fortalecer as milícias no campo. Ele pretende implantar no norte do país o que fez em áreas do Rio de Janeiro como Rio das Pedras e outras áreas “dominadas”.

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