Em seu último ato na capital mineira antes do segundo turno, presidente convoca o “Exército do Lula” e desafia Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Uma multidão voltou às ruas do centro de Belo Horizonte nesta quarta-feira (21) para receber o presidente Lula, em seu último grande encontro com apoiadores na capital mineira antes do segundo turno, deste domingo (25). O ato foi marcado por demonstrações de apoio ao presidente, palavras de ordem contra Flávio Bolsonaro e pela convocação de Lula para ampliar a mobilização popular nas ruas e nas redes sociais.
A caminhada percorreu vias importantes da região central, com milhares de pessoas acompanhando o presidente e levantando bandeiras, vestindo as cores do Brasil e entoando palavras de ordem. Entre os gritos que marcaram a manifestação estava a cobrança dirigida ao adversário:“Flávio, abre o sigilo!”, em referência ao desafio lançado por Lula durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (18).
O ponto alto do discurso foi a cobrança para que Flávio Bolsonaro autorize a divulgação de seus dados bancários e telefônicos. Lula comparou a disputa a uma partida de truco, jogo popular em Minas Gerais, e ironizou as condições apresentadas pelo adversário para aceitar o desafio.
“Mineiro é especialista em saber jogar truco. Eu, essa semana, pedi para o Flávio abrir o sigilo. Ele trucou seis e eu vou meter um nove amanhã”, afirmou o presidente. Em seguida, completou: “As cartas dele são todas falsas”.
A multidão respondeu com gritos de “Ei, Flávio, abre o sigilo!”, transformando a cobrança em uma das principais palavras de ordem do ato.
A disputa começou no debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos. O presidente formalizou a autorização para a divulgação de seus próprios dados e, diante das condições apresentadas pelo candidato do PL, sua campanha anunciou que aceita estender a medida a outros nomes e instituições citados pelo adversário, cobrando reciprocidade.
Lula também criticou o comportamento de Flávio nos debates e afirmou que se sente incomodado em discutir com alguém que, segundo ele, recorre a mentiras. “Eu estou acostumado a debater com tanta gente, conversar com tanta gente, mas me sinto incomodado a debater com miliciano que não sabe o que quer, a não ser mentir”, declarou.
O presidente voltou a alertar para os riscos de levar ao Palácio do Planalto um representante que, em sua avaliação, não tem compromisso com a democracia e com o combate ao crime organizado.
LULA CONVOCA O “EXÉRCITO”
Além da mobilização nas ruas, Lula convocou os apoiadores a intensificar a campanha nas redes sociais. Ele anunciou que passará a participar pessoalmente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
“Eu nunca tive um celular. Agora eu ganhei um celular do governador do Piauí. A partir de amanhã, vou ter um celular e vou fazer parte do Exército do Lula”, afirmou. Em seguida, convidou os presentes a aderirem à iniciativa e estabeleceu a meta de chegar a 10 milhões de participantes até quinta-feira (22).
O presidente chamou Janones de “general” do movimento e destacou que a mobilização precisa continuar até o dia da votação. A orientação é ampliar as conversas com os eleitores, divulgar informações da campanha e conquistar votos na reta final.
Lula também fez um apelo para que apoiadores ajudem pessoas com dificuldades de locomoção a chegar às urnas no domingo, especialmente os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
“Digam para as pessoas que a vida não acaba aos 70, mas começa aos 80, como a minha está começando”, disse. “A gente não envelhece por causa dos anos, mas por falta de motivação, por falta de causa. E vocês sabem que o povo brasileiro é a minha causa.”
“EU ACREDITO”
A caminhada também foi marcada pelo grito de “Eu acredito!”, que Lula acompanhou e incentivou ao longo do percurso. O presidente pediu que os mineiros mantivessem a confiança e a disposição para a mobilização até domingo.











