China, Rússia e Irã exigem que EUA responda pelos crimes de suas sanções

Bandeiras da China, Irã e Rússia: unidade

“Estados deverão prestar contas pelas trágicas consequências de ações ilegais e ilegítimas”, sustenta o documento conjunto apresentado na 13ª Conferência das Partes da Convenção de Palermo, em Viena

China, Rússia e Irã exigiram nesta quarta-feira (21), em declaração conjunta, que sejam apuradas as responsabilidades dos países que impõem sanções unilaterais e pediram o levantamento imediato, completo e incondicional dessas medidas. O texto foi apresentado em Viena, na 13ª Conferência das Partes da Convenção de Palermo, com apoio de Bielorrússia, Cuba, Mianmar e Nicarágua.

Lido pelo diretor de Assuntos Jurídicos Internacionais da chancelaria iraniana, Abbas Baqerpur Ardekani, o documento afirma que os Estados Unidos ou qualquer outro que adote ou mantenha tais medidas “deverão prestar contas pelas trágicas consequências de tais ações ilegais e ilegítimas”. Para os sete países, as sanções, sobretudo as de efeito extraterritorial, violam a Carta das Nações Unidas, agravam crises humanitárias, ameaçam a segurança alimentar, energética e financeira dos alvos e enfraquecem o combate ao crime organizado.

O povo iraniano sofre com as sanções impostas pelo governo norte-americano desde 1979. Sob um pretenso argumento “jurídico”, os EUA deixaram o acordo nuclear em 2018 e passaram a sancionar sem mandato do Conselho de Segurança da ONU, o que, para os signatários, tira a base legal das medidas e atinge de forma devastadora a população civil.

Em setembro, a Declaração de Bishkek, da Organização para Cooperação de Xangai, também condenou as sanções ocidentais e os ataques ao território iraniano, com assinaturas de Xi Jinping, Vladimir Putin, Narendra Modi e Shehbaz Sharif.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou uma “ofensiva econômica” contra Teerã e ameaçou punir quem siga negociando com o país. A China, que compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado, segundo a Kpler, reagiu: o porta-voz Lin Jian disse que o comércio é legal e que Pequim protegerá seus interesses.

Os sete países afirmaram que o combate eficaz ao crime organizado transnacional requer solidariedade, igualdade soberana e cooperação genuína entre os Estados, ressaltando que o levantamento imediato, completo e incondicional das medidas coercitivas unilaterais é essencial para alcançar esses objetivos.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *