Equipe de Flávio quer tirar a Caixa do programa Minha Casa, Minha Vida

Paulo Guedes e Sachsida, ex-ministros de Jair Bolsonaro. (Foto: Edu Andrade/ME)

Em livro com Paulo Guedes, Adolfo Sachsida, defende reduzir a participação dos bancos públicos na no programa habitacional

Cortar a participação da Caixa Econômica Federal e demais bancos públicos no financiamento de programas habitacionais é uma das diretrizes defendidas por Adolfo Sachsida, ex-ministro de Jair Bolsonaro, integrante da equipe da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e responsável pela elaboração do plano econômico do candidato.

Só a Caixa Econômica Federal, que Flávio alardeia que vai transformar no “Banco da Prosperidade”, foi responsável por mais de 99% dos financiamentos do programa Minha Casa, Minha Vida em 2025, segundo dados atribuídos à instituição. O banco opera linhas de crédito que atendem famílias de diferentes faixas de renda, com juros reduzidos e, em determinadas modalidades, subsídios públicos. 

A proposta, que defende a diminuição dos recursos empenhados por instituições públicas e a ampliação da participação dos bancos privados, é apresentada em livro escrito por Adolfo Sachsida com o ex-ministro de Bolsonaro, Paulo Guedes, e publicado em 2024. Isso impactaria diretamente o programa de habitação, que tem no banco público juros mais civilizados e linhas de crédito para população de mais baixa renda. ,

O Minha Casa, Minha Vida também usa outras fontes de recursos, incluindo o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para oferta de crédito para a aquisição da casa própria. 

A política habitacional teve cortes expressivos durante o governo de Bolsonaro pai, quando o Minha Casa, Minha Vida foi substituído pelo programa Casa Verde e Amarela.

Em abril de 2021, Bolsonaro vetou R$ 1,51 bilhão do orçamento do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), utilizado para financiar moradias destinadas a famílias de baixa renda. Com o veto, os recursos previstos para o programa foram cortados em aproximadamente 98,2%.

A restrição orçamentária voltou a aparecer na proposta de Orçamento de 2023, elaborada pelo governo Bolsonaro. O documento destinava R$ 34,2 milhões ao FAR, valor 95,3% inferior à previsão inicial para 2022. A insuficiência de recursos inviabilizou a construção de novas casas e paralisou ao menos 200 mil obras que já estavam em andamento. 

Além de programas habitacionais, a retirada dos bancos públicos do papel de financiadores de políticas sociais e investimentos poderá prejudicar outros programas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, é o maior financiador estratégico de projetos de infraestrutura, indústria, inovação e negócios de diferentes portes.

Em 2025, a instituição operou aproximadamente R$ 170 bilhões e aprovou R$ 96 bilhões em financiamentos para micro, pequenas e médias empresas que não teriam encontrado crédito em bancos privados.

Com informações do ICL Notícias

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