O festival de mentiras, cinismo e a desumanidade de Flávio Bolsonaro na Globo

O candidato do fascismo no debate (Foto: Buda Mendes - Getty Images - Via AFP)

Lula não exagerou ao afirmar, por diversas vezes, que o adversário “mentiu, mentiu e mentiu”. Basta conferir pela checagem feita pelo UOL, isso sem falar no desrespeito ao presidente (e aos trabalhadores mutilados no trabalho) e na demonstração chocante de desumanidade no caso Ana Clara

Muito já se falou sobre o caráter de Flávio Bolsonaro e de sua incapacidade de basear-se na realidade dos fatos.

No debate patrocinado pela Rede Globo nesta sexta-feira (23), o último dos confrontos antes do 2º pleito da eleição presidencial que acontece neste domingo (25), o candidato da extrema-direita, embora mais manso, não conseguiu evitar aquilo que está no seu DNA: um verdadeiro festival de mentiras, cinismo e desumanidade.

Depois de afrontar e desrespeitar Lula, dizendo que ele “tira com os nove dedos”, numa demonstração de desprezo aos trabalhadores que, diante de jornadas exaustivas, são vítimas de acidentes de trabalho, como foi Lula, ainda aos 17 anos de idade, quando, segundo ele, “precisava trabalhar para comer”, o bolsonarista assumiu a defesa do assassino da menina Ana Clara, de 5 anos, mesmo diante da presença da mãe na plateia, afirmando que não se sabe ainda que foi o policial que ele defende como advogado que matou a criança e que não houve confronto: duas mentiras já desnudadas pela apuração do fato.

O portal UOL, após o debate, fez uma checagem das declarações e informações apresentadas pelos 2 candidatos. Basta conferir, uma a uma, para conhecer melhor os dois candidatos que vão às urnas neste domingo.

Flávio Bolsonaro sobre obras paralisadas

“Agora, neste ano, o TCU, o Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo”.

MENTIRA

Segundo o Painel de Obras Paralisadas do TCU (aqui), atualizado em julho deste ano, existem 4.215 obras paradas. O dado citado pelo candidato consta de um levantamento do TCU noticiado em julho de 2025. Em junho deste ano, o presidente do TCU assinou um acordo com diversos ministérios para a retomada de obras públicas paralisadas, como parte de uma nova etapa do Programa Integrado para Retomada de Obras Públicas.

Flávio sobre segurança pública

“No meu governo, vai ser mão pesada contra marginais, diferente desse atual governo, que fala que ladrão de celular não deve ser preso porque é só para roubar [e tomar] uma cervejinha”.

MENTIRA

Diferentemente do que Flávio afirma, Lula nunca disse que criminosos roubam para tomar cerveja, a desinformação é antiga e circula com vídeo editado de uma fala de Lula. Ao analisar a gravação completa, conclui-se que a fala do petista sobre “cervejinha” se refere à relação entre torcedores de futebol rivais: “O ódio está disseminado no país. O ódio, e eu responsabilizo muito os meios de comunicação, sabe, que disseminaram ódio nesses últimos quatro anos, cinco anos. E é preciso distensionar, para a sociedade perceber que a torcida do Santa Cruz e do Sport não são inimigas, são adversárias durante o jogo. Depois vão para o bar tomar uma cerveja”.

Flávio sobre o custo de vida

“E é por isso que hoje você chega no mercado, gente, e já tem lá disponível uma caixa de ovo, uma dúzia de ovos com dez ovos. A dúzia virou dez. É por isso que você chega lá, tem um sabão em pó de 1 kg, que na verdade era de 1 kg, agora é de 800 gramas e rende um quilo. Sabe por quê? Porque as indústrias têm que reduzir a quantidade de mercadoria que elas estão colocando nas embalagens. A barra de chocolate, que antes tinha 120 gramas, agora tem só 80. O rolo de papel higiênico, que só tinha 40 metros, hoje tem 20. É porque está difícil comprar. Quando você consegue comprar, você está levando menos para a sua casa. Esse é o legado do atual governo”.

MENTIRA

A redução de produtos começou antes do governo Lula. É possível encontrar reportagens de 2021, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro, que já mostravam a redução no tamanho de produtos sendo notada por consumidores, uma prática conhecida como “reduflação”: uma estratégia comercial das marcas de diminuir o produto para não aumentar o preço. A reportagem traz os mesmos exemplos citados pelo candidato, inclusive a redução das embalagens de ovos de 12 para dez unidades.

Flávio Bolsonaro sobre o vídeo do pai debochando na pandemia

“Peço que a minha equipe coloque agora no meu Instagram, arroba Flávio Bolsonaro, o vídeo real sobre o Bolsonaro. Aquele vídeo dele suspirando e ele fala que estava debochando das pessoas que estavam sem ar. É mentira”.

MENTIRA

No vídeo em questão, uma live realizada por Jair Bolsonaro em 18 de março de 2021, o Bolsonaro defendia o “tratamento precoce”, que não tem comprovação científica, e ironizava a orientação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta para que pacientes ficassem em casa se não houvesse agravamento dos sintomas da doença. Ao fazer essa crítica, Bolsonaro imita uma aparente asfixia e, em seguida, diz se tratar de uma pessoa com “falta de ar”. Ao contrário do que diz Flávio, a íntegra da transmissão não mostra um suspiro do pai antes, durante ou depois da imitação.

Flávio Bolsonaro sobre fala de Lula quanto ao preço da comida

“[Lula] chegou ao ponto de falar a seguinte frase: ‘Se a comida está cara, não compra”.

MENTIRA

Em fevereiro de 2025, durante agenda em Salvador, Lula sugeriu, ao comentar a alta no preço dos alimentos, que os consumidores abrissem mão de adquirir itens que ficaram mais caros como forma de pressionar pela redução dos valores cobrados. “Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai ao supermercado em Salvador e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver essa consciência de não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender porque senão vai estragar.

Flávio Bolsonaro sobre a origem dos recursos para o filme do pai

“A Polícia Federal acabou de fazer um relatório dizendo que o filme sobre o presidente Bolsonaro não tem dinheiro público nele, que todo o dinheiro foi investido no próprio filme. Esse relatório da polícia está dizendo que não teve contrapartida por eu ser senador da República. E outra, que o dinheiro passou todo pelo Banco Central, dentro da lei”.

MENTIRA

Não é verdade que a Polícia Federal tenha publicado um relatório com as alegações de Flávio. O senador é investigado pela PF por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso que envolve o financiamento do filme “Dark Horse” pelo ex-banqueiro dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Sabe-se, também, que a origem do dinheiro de Vorcaro, já comprovada, era, basicamente, dos golpes praticados contra fundos públicos de pensão, ou seja, recursos que, em última instância, pertenciam a aposentados e pensionistas.

Um inquérito da Polícia Civil de SP apura se recursos para o filme foram desviados de um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela realização do filme. Uma investigação da PF também apura se emendas parlamentares foram usadas para custear o filme. Além disso, uma reportagem do The Intercept Brasil publicada ontem diz que a PF obteve um documento que contradiz a versão do senador e aponta dinheiro ilegal de Vorcaro para o filme.

Flávio Bolsonaro sobre supostos recursos para filme de Lula

“Lula, explica esses R$ 30 milhões, onde foram parar? Porque, segundo o áudio, foi para o Instituto Lula para fazer o filme”.

MENTIRA

Como mostrou reportagem do UOL, as informações do áudio a que Flávio se refere não integram o conteúdo das mensagens do celular apreendido quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez nem constam nas três propostas de delação premiada formalizadas pela defesa de Vorcaro e obtidas pelo UOL. A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa do próprio Vorcaro negaram que ele tenha prestado depoimento sobre suposta propina para um documentário sobre Lula.

Flávio Bolsonaro sobre os valores do programa Bolsa Família

“Antigamente, no governo dele [Lula], o Bolsa Família era ali R$ 75, R$ 120 que você recebia, em média eram R$ 190. O presidente Bolsonaro passou para no mínimo R$ 600”.

MENTIRA

Durante o governo Bolsonaro, o Bolsa Família foi transformado em Auxílio Brasil, em agosto de 2021, e teve o piso mensal de pagamento reajustado de R$ 189 para R$ 400 (aqui). Em agosto de 2022, o piso mensal do auxílio foi reajustado em 50% e chegou a R$ 600 (aqui). Porém, o reajuste ia só até dezembro daquele ano (aqui). A manutenção do valor não estava prevista na proposta de Lei Orçamentária Anual enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso para 2023, em que constava o retorno do valor médio do auxílio para R$ 405 (aqui). O então presidente ainda vetou um dispositivo da lei que determinava a garantia de recursos suficientes às famílias atendidas pelo programa, atrelando os pagamentos à quantidade de recursos que o governo disponibilizasse.

Flávio sobre o SUS e a assinatura de Lula à Constituição de 88

“Agora, o Lula votou contra a Constituição de 88, que criou o SUS”.

MENTIRA

Embora os deputados constituintes do PT não tenham votado no texto final da Constituição, todos os 16, incluindo o próprio Lula, assinaram a Carta Magna na promulgação.

Flávio Bolsonaro sobre o Tigrinho

“Ele [Lula] é o pai do Tigrinho, ele é o pai do cassino online, ele criou, ele liberou”.

MENTIRA

O ex-presidente Michel Temer liberou as apostas de quota fixa (esportivas), com prazo para regulamentação que venceria no governo seguinte. Jair Bolsonaro deixou o prazo expirar e não regulamentou. Lula mandou uma proposta de regulamentação para o Congresso que não incluía os cassinos online. Foi a Câmara que inseriu o cassino online no projeto duas vezes: na primeira vez que a proposta foi analisada na casa, e depois que voltou do Senado, quando os senadores haviam retirado do projeto os cassinos online. Lula sancionou o projeto aprovado na Câmara.

Flávio Bolsonaro sobre as enchentes no Rio Grande do Sul

“Quero falar para você, povo gaúcho, que esse presidente virou as costas para vocês, o momento que vocês mais precisavam, que foram as tragédias de 2024. Ele foi aí, tirou foto, prometeu um monte de coisa, não entregou nem 30% do que ele prometeu que ia entregar. Eu fui a Sarandi junto com o prefeito de Porto Alegre, conhecer a realidade da cidade que ficou embaixo d ‘água. Casas até o segundo andar embaixo d ‘água, pessoas que perderam tudo e foram abandonadas por você, Lula”.

MENTIRA

O governo federal autorizou um valor total de R$ 42,7 bilhões para recuperação do estado (aqui), implementou auxílio financeiro às vítimas no valor de R$ 5,1 mil e, a partir do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – Reconstrução, destinou R$ 3,5 bilhões em créditos extraordinários (aqui). Também houve financiamento federal de R$ 502 milhões para obras de contenção de cheias na região metropolitana de Porto Alegre (aqui). Em 2024, o UOL Confere realizou uma série de checagens sobre a crise no Rio Grande do Sul. Entre elas, mostrou que a extrema direita usou o governo federal como alvo para espalhar desinformação, alegando que estariam burocratizando processos para auxiliar as vítimas, o que não era verdade.

Flávio Bolsonaro sobre a taxa de juros

“Gente, lá em outubro de 2022, nas eleições anteriores, a previsão de taxa de juros se o presidente Bolsonaro continuasse no governo era que hoje nós tivéssemos uma taxa em torno de 7%. Nós estamos falando de que hoje nós temos uma taxa em torno de 14%. São 7 pontos percentuais de diferença”.

MENTIRA

A taxa básica de juros é de 13,75% ao ano, e não de 14% (aqui). Além disso, boletins Focus de outubro de 2022 divulgados pelo Banco Central não traziam projeções para a taxa de juros em 2026. Ou seja, não é possível dizer que a previsão era que estivesse em 7% ainda naquele ano. A primeira projeção para a taxa de juros em 2026 só apareceu no boletim Focus de 13 de janeiro de 2025, que estimava a taxa em 8% ao ano.

Flávio sobre a cracolândia em São Paulo

“E olha o exemplo que deu o governador Tarcísio, junto com o prefeito Ricardo Nunes e o Guilherme Derrite. Eles acabaram com a Cracolândia [em São Paulo]”.

MENTIRA

O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes não acabaram com a Cracolândia. Em maio de 2025, usuários de crack deixaram a rua dos Protestantes, mas continuaram circulando por outras ruas e praças da região central. Em setembro deste ano, um relatório do programa municipal anticrack mostrou que houve um aumento de 100% de casos graves de dependentes químicos acompanhados no centro da cidade. No primeiro semestre de 2026 foram 447 casos registrados, enquanto no mesmo período do ano passado eram 222.

Além disso, outro relatório do próprio governo estadual, obtido pela Folha de S.Paulo, registrou a circulação de usuários de crack em 260 pontos de Santa Cecília e arredores. Em abril de 2025, a média era de 214 pessoas circulando pela região em cada período do dia.

Flávio Bolsonaro sobre o agro

“Por que você [Lula] chama o agro de fascista?”

MENTIRA

Lula se referia a uma parte do agronegócio e não a todo o setor. Flávio distorce uma declaração feita por Lula. O caso ocorre em agosto de 2022, quando o então candidato Lula deu entrevista ao Jornal Nacional afirmando que existe um setor do agronegócio que é fascista por querer desmatar, enquanto existe outro de “empresários sérios”.

Além disso, governo Lula disponibilizou volumes maiores de recursos para o financiamento do agronegócio do que o governo Jair Bolsonaro, considerando os valores anunciados nos Planos Safra. Desde 2023, os recursos destinados ao crédito rural cresceram e alcançaram um novo recorde em 2025. No Plano Safra 2022/2023, lançado durante o governo Bolsonaro, foram disponibilizados R$ 340,9 bilhões para financiar a produção agropecuária. Já no primeiro Plano Safra do terceiro mandato de Lula, em 2023/2024, o montante chegou a R$ 435,8 bilhões, considerando a agricultura empresarial e a familiar. O aumento foi de aproximadamente 28% em valores nominais.

Flávio Bolsonaro sobre a transposição do Rio São Francisco

“Você [Lula] prometeu que ia entregar a transposição no Rio de São Francisco até 2009. Não entregou. Depois prometeu que ia entregar até 2014, também não entregou. Sabe quem levou, quem concluiu as obras e fez finalmente chegar água até o Nordeste? Jair Messias Bolsonaro”.

MENTIRA

A obra passou por diferentes gestões federais que, somadas, entregaram mais de 90% da infraestrutura do empreendimento (aqui). Desde 2008, quando houve a concepção da obra, até 2024, o governo federal investiu mais de R$ 14 bilhões, distribuídos entre os eixos estruturantes Norte e Leste e os ramais associados. Ou seja, os valores foram gastos e investidos por diferentes governos como o do próprio Lula, Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

LULA: APENAS UMA IMPRECISÃO

Quanto às declarações do presidente Lula durante o debate na Rede Globo, o mesmo sistema de checagem constatou a veracidade em todas os dados apresentados, identificando apenas uma imprecisão quando ele afirmou, questionando: “ vocês perceberam que a economia não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência em 2010?”, mas, em 2011, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o Brasil registrou um aumento de 3,9% no PIB .

CARTÃO CORPORATIVO: OUTRO EMBUSTE DE BOLSONARO

Em um dos momentos do debate na Rede Globo, Flávio Bolsonaro questionou os gastos do cartão corporativo do presidente, como se Lula estivesse querendo esconder algo.

No entanto, seu pai, quando presidente, gastou muito mais que Lula. Aliás, gastou o dobro, se comparados os 4 anos de um e 3 anos do outro. Bolsonaro, de 2019 a 2022, gastou cerca de R$ 41, 2 milhões, enquanto Lula, de 2023 a 2025, portanto, apenas um ano a menos, pois os dados deste ano ainda não foram consolidados, gastou R$ 20,4 milhões. Certamente, em grande parte, isso se explica pelas motociatas e passeios de jet ski protagonizados pelo pai do atual candidato.

Se considerarmos os gastos de toda estrutura da Presidência, incluindo GSI e ABIN, Bolsonaro nos 4 anos de governo gastou, pasmem, R$ 82,4 milhões, enquanto o governo Lula, em 3 anos, consumiu R$ 45,2 milhões.

CASO ANA CLARA: DESUMANIDADE E MENTIRA ESCABROSA

Um dos momentos de maior desprezo que um candidato poderia expressar pela dor de um ser humano foi protagonizado, como já era de se esperar, pelo candidato Flávio Bolsonaro.

O presidente Lula o interpelou sobre o fato de ter defendido o assassino da menina Ana Clara, de 5 anos, lembrando que sua mãe, Cristiane Gomes, estava na plateia assistindo o debate.

“Hoje tem a mãe da menina chamada Ana clara. Ela está assistindo. Certamente ela está assistindo a sua fisionomia, falando de segurança pública”, afirmou Lula, desnudando o falso compromisso do bolsonarista com a segurança pública do país.

“Senhora Ana Clara, era uma troca de tiros, a senhora sabe que tem o crime organizado aí”, falou o “miliciano” denunciado por Lula como defensor de matadores. O sacripanta, mentindo novamente, ainda teve o desplante de dizer que não se sabia quem atirou.

Como se sabe, até advogados que precisam lutar, mês a mês, para pagar os seus boletos no final do mês, têm limites e, por conta de sua dignidade, recusam causas. Não se trata de criminalizar a advocacia. Defender uma pessoa não é franquia ética para a mentira.

Nesse caso, por exemplo, pode-se alegar que o policial se confundiu etc. Mas, Flávio mentiu: disse que houve confronto e não houve; disse que nem havia prova que a bala saiu da arma desse policial, mas a perícia provou isso.

BOLSONARISTA É DESMENTIDO AO VIVO SOBRE DESMATAMENTO

Após o debate presidencial da TV Globo, na noite desta sexta-feira (23), os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concederam breves entrevistas à jornalista Renata Lo Prete.

Durante a conversa com Flávio Bolsonaro, a jornalista precisou intervir para corrigir uma declaração do candidato do PL sobre a política de combate ao desmatamento do governo Lula.

O episódio ocorreu quando Renata questionou Flávio sobre a possibilidade de manter as políticas ambientais adotadas pela atual gestão federal.

Renata Lo Prete: “O senhor pretende manter a política de combate ao desmatamento do atual governo?”

Flávio Bolsonaro: “O atual governo deixa a Amazônia pra lá, a quantidade de focos de incêndio neste mês de outubro, com expectativa de superar todos os recordes da história.”

Diante da resposta, a jornalista interrompeu o candidato para esclarecer que sua pergunta tratava especificamente do desmatamento, e não das queimadas, e mencionou dados recentes que apontam uma redução histórica na devastação ambiental.

Renata Lo Prete: “Só pra esclarecer […] eu não estava falando de queimada, eu estava falando de desmatamento e saiu um dado desse mês de recorde de baixa de desmatamento.”

O fato é que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado atingiu os menores níveis de suas respectivas séries históricas, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.

Na Amazônia, a área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de 3.335 km², uma redução de 41,8% em relação ao período anterior. No Cerrado, foram destruídos 5.516,69 km² de vegetação nativa, queda de 23,8%.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribui os resultados à retomada das políticas de proteção ambiental, ao fortalecimento dos órgãos de fiscalização e à ampliação das ações de combate ao desmatamento, após um período de avanço da devastação.

Os números foram apurados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do INPE, e representam os menores índices já registrados nos dois biomas desde o início de seus respectivos monitoramentos.

Na Amazônia, o desmatamento caiu de 5.731 km², no ciclo de agosto de 2024 a julho de 2025, para 3.335 km² no período mais recente. O resultado representa uma redução de 41,8% e estabelece um novo recorde de preservação desde o início da série histórica, em 1988.

No Cerrado, o desmatamento passou de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², uma redução de 23,8%. O índice é o menor desde o início da série histórica do bioma, em 2001, superando o recorde anterior, de 6.319 km², registrado em 2019.

A entrevista de Flávio Bolsonaro à jornalista após o debate apenas confirmou sua posição favorável à política de deixar “a boiada passar”, em contraposição às conquistas do governo Lula no combate ao desmatamento.

MARCO CAMPANELLA

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