Valorização do salário mínimo, economia, defesa da vida, combate às bets e segurança pública marcaram o último confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação deste domingo (25)
O aumento real do salário mínimo foi um dos principais momentos do debate da TV Globo entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), na noite de sexta-feira (23).
Lula lembrou que, sem a política de valorização dos governos sob a orientação do PT, o piso nacional seria muito menor e cobrou do adversário compromisso com a manutenção dos ganhos acima da inflação.
“Se não fosse os governos do PT, Lula e Dilma, se a gente não estivesse reajustando salários acima da inflação, sabe quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai e do Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900”, afirmou o presidente.
A declaração colocou em evidência a diferença central entre os projetos em disputa: a valorização da renda do trabalhador e o papel do Estado na proteção do poder de compra.
SALÁRIO NO BOLSO E ECONOMIA GIRANDO
Lula defendeu a continuidade da política de valorização salarial e rebateu as críticas do adversário à economia. O presidente procurou associar a melhora da renda, o emprego e as políticas sociais à movimentação do mercado interno: quando os trabalhadores ganham mais, podem consumir mais, aquecer o comércio e estimular a produção.
Flávio, por sua vez, insistiu no endividamento e na perda do poder de compra. “O seu salário já acabou?”, provocou o senador, tentando transformar as dificuldades enfrentadas pelas famílias em argumento contra o governo.
O embate expôs questão concreta para milhões de brasileiros: não basta discutir indicadores econômicos; é preciso saber quanto sobra no fim do mês para pagar as contas, comprar comida e viver com dignidade.
CASO ANA CLARA E A VIOLÊNCIA
Um dos momentos mais impactante ocorreu quando Lula trouxe à discussão o caso de Ana Clara, menina de 5 anos morta por tiros de fuzil em Niterói (RJ), em 2021. A mãe da criança acompanhava o debate na plateia.
O presidente questionou a postura de Flávio, que, como senador, integrou a defesa do policial militar acusado pelo disparo. O caso ainda não havia sido julgado. Flávio insultou a mãe ao tomar a defesa do assassino e dizer que o policial não foi o responsável pela morte.
A mãe da menina Ana Clara chamou Flávio Bolsonaro de “mentiroso”. “Ele é um monstro, igual ao monstro que matou a minha filha”, disse Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara.
O episódio colocou frente a frente 2 abordagens sobre segurança pública, violência policial e proteção da população. A discussão sobre o combate ao crime, argumentou Lula em linha com a campanha dele, não pode ignorar o direito à vida nem o sofrimento das famílias atingidas pela violência.
BETS E ENDIVIDAMENTO
As apostas esportivas e os jogos de cassino on-line também entraram no confronto. Lula defendeu o fim das bets, alertando para os prejuízos que o jogo pode causar às famílias, especialmente quando compromete a renda e aprofunda o endividamento.
Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho” e acusou o governo de ter liberado as apostas para depois restringi-las em período eleitoral. O presidente rebateu dizendo que o jogo já existia no governo Jair Bolsonaro.
Mais do que a troca de provocações, o tema toca problema social grave e crescente: dinheiro que deveria pagar alimentação, aluguel e contas domésticas pode acabar consumido por apostas. A discussão sobre regulação e proteção dos consumidores tornou-se parte da disputa sobre o futuro econômico das famílias.
DEMOCRACIA E RESPONSABILIDADE
No bloco final, o debate ganhou tom mais agressivo, com acusações sobre corrupção, patrimônio, sigilos e relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master. Lula e Flávio tentaram associar o adversário a suspeitas e cobrar explicações sobre episódios que envolvem respectivos campos políticos.
O confronto também expôs diferenças sobre segurança pública e o papel do Estado. Lula defendeu o fortalecimento das instituições e das forças federais de segurança; Flávio apresentou propostas mais falaciosas, como a redução da idade penal.
É o punitivismo da extrema direita como única ferramenta para o debate sobre segurança pública.
O último debate antes do segundo turno deixou claro que a escolha não se resume aos ataques entre candidatos. Envolve decisões sobre salário, emprego, políticas sociais, proteção da vida e o papel do poder público na redução das desigualdades.
Em síntese, os 5 momentos que merecem replay ajudam a recolocar o debate no terreno que mais interessa à população: quem protege a renda dos trabalhadores, quem oferece respostas para o endividamento e quem apresenta caminho para o País com mais direitos, segurança e dignidade.










