Justiça barra sabotagem bolsonarista aos ônibus em Salvador e manda prender secretário

Terminal de ônibus lotado em Salvador - Foto: Reprodução

A sabotagem bolsonarista à votação neste segundo turno na cidade de Salvador foi desmontada pela Justiça Eleitoral. Desde o início do dia, ônibus deixaram de circular na capital baiana e milhares de eleitores foram impedidos de chegar às suas seções de votação.

Após a denúncia do boicote coordenado pela gestão Bruno Reis, aliado de ACM Neto e de Flávio Bolsoanro, tomar as redes sociais, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Mauricio Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato da frota integral e ordenou a prisão de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador.

Alvo de ordem de prisão em flagrante Pablo Souza, está em Paris, na França.

A decisão prevê ainda multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da ordem pelo Município, pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e pelas empresas concessionárias do sistema. 

De acordo com a secretaria, a operação está sendo normalizada após diálogo entre equipes do órgão e representantes sindicais.

Em nota, a Defensoria Pública da Bahia (DPE) informou que, em parceria com a Defensoria Pública da União (DPU), segue atuando para garantir o acesso dos eleitores ao transporte público gratuito. De acordo com o órgão, ao longo da manhã, a instituição recebeu inúmeros relatos sobre a falta de ônibus e a baixa oferta de veículos em circulação em Salvador. 

“Diante da situação, a DPE está oficiando a Secretaria Municipal de Mobilidade, solicitando esclarecimentos e providências para assegurar o deslocamento dos eleitores”. 

Segundo a DPE, as instituições também acompanham a situação no interior do estado, incluindo Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus, onde foram registrados relatos semelhantes. 

O Procon-BA também informou que recebeu denúncia sobre o bloqueio da saída de ônibus pela Prefeitura de Salvador e encaminhou equipes para fiscalizar as garagens das empresas de transporte. 

Conforme o Procon-BA, na garagem da OT Trans, os fiscais encontraram 55 veículos parados no pátio, mas aptos a operar, em descumprimento à legislação eleitoral, que determina o uso de toda a frota para garantir o transporte durante o período eleitoral.

CARONA SOLIDÁRIA

Para impedir a ação bolsonarista, militantes estão convocando a população a utilizar os carros próprios e ajudar os eleitores a chegarem aos locais de votação. Centenas de pessoas atenderam aos chamados e estão ajudando a população de Salvador.

EM 2022, BOLSONARO USOU PRF PARA SABOTAR VOTAÇÃO NO NORDESTE

No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, em 30 de outubro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), subordinada ao governo Jair Bolsonaro, realizou centenas de operações em rodovias, com concentração no Nordeste, região onde Luiz Inácio Lula da Silva havia obtido ampla vantagem no primeiro turno. Dados internos da corporação divulgados à época apontaram que 295 dos 619 ônibus abordados até as 17h circulavam na região, que reunia cerca de 27% do eleitorado brasileiro. As fiscalizações provocaram atrasos e denúncias de tentativas de dificultar o deslocamento de eleitores às urnas.

As operações ocorreram apesar de uma determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, publicada na véspera, que proibia ações da PRF relacionadas ao transporte público de eleitores. Diante das denúncias, o ministro ordenou a interrupção das fiscalizações.

Na ocasião, Moraes afirmou que, segundo as informações recebidas, os ônibus não haviam retornado à origem e os passageiros tinham conseguido chegar aos locais de votação, embora houvesse registros de atrasos. A atuação da corporação levantou suspeitas de uso da estrutura estatal para favorecer a candidatura de Bolsonaro e prejudicar a votação de Lula.

O caso ganhou novos desdobramentos nas investigações sobre a tentativa de golpe após a derrota de Bolsonaro. Em janeiro de 2025, a Polícia Federal apontou uma ligação entre as blitze eleitorais e o plano investigado, enquanto, em fevereiro, a Procuradoria-Geral da República incluiu as operações na denúncia sobre a trama golpista. Segundo a acusação, integrantes da cúpula da PRF e do Ministério da Justiça teriam articulado ações para dificultar o acesso às urnas em áreas favoráveis a Lula. Os investigados negaram envolvimento em qualquer trama golpista.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *